LOADING

Type to search

Afrobarometer analisa o descontentamento queniano com a política antiterrorista e a marginalização da comunidade somali no país

Share

Enquanto no período 1970-2007 o Quênia contabilizava uma média de 5 atentados terroristas por ano, desde 2008, essa média cresceu para 47 ataques, com destaque para os ataques assumidos pelo grupo terrorista AlShabaab, originado em 2005. Diante deste recrudescimento, o Afrobarometer, órgão de pesquisa não partidário e dedicado ao estudo de opinião pública em questões de democracia, governança e condições econômicas em 30 países africanos, lançou o estudo sobre o a política antiterrorista do país e a relação com o extremismo violento de grupos minoritários[1].

Com base em achados empíricos de que há uma correlação entre o terrorismo e a marginalização de grupos minoritários, a atual situação de conflito entre o grupo AlShabaab e as tropas quenianas ressalta a importância de discutir o impacto das políticas antiterroristas do Governo do Quênia junto à comunidade queniana de somalis. No país, este grupo sofre graves violações de direitos humanos pelas forças policiais em atividades contra o terror e é estigmatizada. Diante deste cenário, o Afrobarometer questionou: O atual contexto político no Quênia está agravando a vulnerabilidade da comunidade somali e o recrutamento às organizações terroristas?

Os dados constatam principalmente: 1) a desaprovação da população queniana ao tratamento dado pelo Governo em matéria de terrorismo; e 2) as condições críticas vivenciadas pela comunidade somali, sendo pior do que a vivida por outras comunidades étnicas.

Em relação ao primeiro ponto, em outubro de 2011, as tropas quenianas entraram na região de fronteira com a Somália, como parte de uma ofensiva militar contra o grupo AlShabaab. Na ocasião, a maioria dos quenianos (82%) era favorável à estratégia do Governo. Em 2014, em função do aumento substancial de ataques do grupo, a aprovação pública aos esforços antiterroristas caíram para 44%. Além disso, 51% dos quenianos afirmam que o Governo está conduzindo ruim ou muito ruim a luta contra a violência extremista. Em relação à opinião, conforme a etnia, 76% dos quenianos somalis consideram ruim e muito ruim a performance do Governo na luta contra o terrorismo, em contraste às outras etnias, que somam 50%.

Sobre o segundo ponto, a comunidade queniana somali se sente marginalizada pelo o Estado e expressa problemas de intolerância social, fatores que indicam a presença de condições sociais e políticas associadas com níveis mais altos de extremismo violento. Entre as violações de direitos humanos, o Relatório aponta a prisão arbitrária, a extorsão, maus tratos, realocações forçadas e a expulsão sem o uso da Lei. Em 2005, 66% dos quenianos somalis afirmavam que eram tratados diferentes pelo Governo, apresentando leves declínios em 2008 (56%) e em 2011 (45%). Contudo, em 2014, a percepção cresceu novamente, alcançando 51% dos entrevistados.

Por fim, em conformidade com a opinião da população queniana, a comunidade somali vê a polícia como corrupta e não confiável. O Relatório destaca a polícia como a instituição mais corrupta do país e o assassinato extrajudicial de pelo menos 1.000 pessoas entre 2008 e 2012, o que levou ao estabelecimento de uma Autoridade Independente (Independent Policing Oversight Authority) para investigar a corrupção endêmica dentro do policiamento queniano. Neste cenário, 58% dos quenianos somalis afirmaram que não confiam ou que confiam pouco na força policial. Em relação à corrupção percebida na polícia, 63% dos quenianos somalis afirmaram que todos ou a maioria dos policiais são corruptos.

———————————————————————————————-

Imagem (Fonte):

https://media.licdn.com/media/p/3/005/062/132/3c2e0b5.png

———————————————————————————————-

Fonte Consultada:

[1] Ver:

BUCHANAN-CLARKE, Stephen; LEKALAKE, Rorisang. “Is Kenya’s anti-terrorist crackdown exacerbating drivers of violent extremism?”,Afrobarometer Dispatch nº 37, 2 July, 2015.

Enquanto no período 1970-2007 o Quênia contabilizava uma média de 5 atentados terroristas por ano, desde 2008, essa média cresceu para 47 ataques, com destaque para os ataques assumidos pelo grupo terrorista AlShabaab, originado em 2005. Diante deste recrudescimento, o Afrobarometer, órgão de pesquisa não partidário e dedicado ao estudo de opinião pública em questões de democracia, governança e condições econômicas em 30 países africanos, lançou o estudo sobre o a política antiterrorista do país e a relação com o extremismo violento de grupos minoritários[1].

Com base em achados empíricos de que há uma correlação entre o terrorismo e a marginalização de grupos minoritários, a atual situação de conflito entre o grupo AlShabaab e as tropas quenianas ressalta a importância de discutir o impacto das políticas antiterroristas do Governo do Quênia junto à comunidade queniana de somalis. No país, este grupo sofre graves violações de direitos humanos pelas forças policiais em atividades contra o terror e é estigmatizada. Diante deste cenário, o Afrobarometerquestionou: O atual contexto político no Quênia está agravando a vulnerabilidade da comunidade somali e o recrutamento às organizações terroristas?

Os dados constatam principalmente: 1) a desaprovação da população queniana ao tratamento dado pelo Governo em matéria de terrorismo; e 2) as condições críticas vivenciadas pela comunidade somali, sendo pior do que a vivida por outras comunidades étnicas.

Em relação ao primeiro ponto, em outubro de 2011, as tropas quenianas entraram na região de fronteira com a Somália, como parte de uma ofensiva militar contra o grupo AlShabaab. Na ocasião, a maioria dos quenianos (82%) era favorável à estratégia doGoverno. Em 2014, em função do aumento substancial de ataques do grupo, a aprovação pública aos esforços antiterroristas caíram para 44%. Além disso, 51% dos quenianos afirmam que o Governo está conduzindo ruim ou muito ruim a luta contra a violência extremista. Em relação à opinião, conforme a etnia, 76% dos quenianos somalis consideram ruim e muito ruim a performance do Governo na luta contra o terrorismo, em contraste às outras etnias, que somam 50%.

Sobre o segundo ponto, a comunidade queniana somali se sente marginalizada pelo o Estado e expressa problemas de intolerância social, fatores que indicam a presença de condições sociais e políticas associadas com níveis mais altos de extremismo violento. Entre as violações de direitos humanos, o Relatório aponta a prisão arbitrária, a extorsão, maus tratos, realocações forçadas e a expulsão sem o uso da Lei. Em 2005, 66% dos quenianos somalis afirmavam que eram tratados diferentes pelo Governo, apresentando leves declínios em 2008 (56%) e em 2011 (45%). Contudo, em 2014, a percepção cresceu novamente, alcançando 51% dos entrevistados.

Por fim, em conformidade com a opinião da população queniana, a comunidade somali vê a polícia como corrupta e não confiável. O Relatório destaca a polícia como a instituição mais corrupta do país e o assassinato extrajudicial de pelo menos 1.000 pessoas entre 2008 e 2012, o que levou ao estabelecimento de uma Autoridade Independente (Independent Policing Oversight Authority) para investigar a corrupção endêmica dentro do policiamento queniano. Neste cenário, 58% dos quenianos somalis afirmaram que não confiam ou que confiam pouco na força policial. Em relação à corrupção percebida na polícia, 63% dos quenianos somalis afirmaram que todos ou a maioria dos policiais são corruptos.

———————————————————————————————-

Imagem (Fonte):

https://media.licdn.com/media/p/3/005/062/132/3c2e0b5.png

———————————————————————————————-

Fonte Consultada:

[1] Ver:

BUCHANAN-CLARKE, Stephen; LEKALAKE, Rorisang. “Is Kenya’s anti-terrorist crackdown exacerbating drivers of violent extremism?”,Afrobarometer Dispatch nº 37, 2 July, 2015.

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

  • 1

Deixe uma resposta