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Agências Humanitárias têm cinco dias de cessar fogo para entregar ajuda ao Iêmen

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Agências de ajuda humanitária preparam-se para entregar milhares de toneladas de alimentos, combustível e suprimentos médicos para iemenitas carentes durante um período de cinco dias de cessar-fogo entre os rebeldes Houthis e a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. O cessar-fogo teve inicio às 23hrs de terça-feira, 12 de maio de 2015[1]. Desde que a coalizão de 10 países, com o aval de Washington, começou os ataques aéreos contra os rebeldes, em 26 de março, ao menos 1.400 pessoas foram mortas e 6.000 feridas durante os confrontos, informam as Nações Unidas. A operação é encabeçada pela Arábia Saudita e tem como objetivo retroagir os avanços e poder conquistados pelos houthis e restituir o então presidente deposto Abed Rabbo Mansour Hadi. As Agências advertem que cinco dias de cessar-fogo não serão suficientes para distribuir completamente a urgente assistência necessária[1][2]. Analistas são receosos quanto à duração da trégua, já que forças leais a Hadi e outras milícias apoiadas pela Arábia Saudita fornecem apoio em terra aos ataques aéreos contra os Houthis, acusados de serem apoiados pelo Irã[1].

No Iêmen, ataques aéreos da coalizão atingiram a capital Sanaa, o Porto de Aden e a cidade de Taiz, ao sul, poucas horas antes do cessar-fogo da terça-feira entrar em vigor. Embora confrontos tenham sido relatados ao longo das últimas horas antes da trégua – incluindo ataques aéreos contra posições Houthis em Abyan e continuados combates entre houthis e milícias populares locais – o nível de violência parece ter se reduzido significativamente[2][3].

O canal televisivo houthi alMasira reportou que as forças terrestres sauditas alvejaram seu reduto ao norte da província de Saada e acusou os bombardeios de serem uma violação do cessar-fogo[4]. Arábia Saudita e Houthis trocaram acusações mútuas de violações de cessar-fogo ao longo da fronteira montanhosa entre os dois países, mas moradores disseram que as hostilidades pareciam ter em grande parte diminuído[5]. O Governo saudita ofereceu a trégua de cinco dias para permitir a entrega da ajuda humanitária em meio ao grande número de mortes de civis causadas ​​pelos seus ataques aéreos e pelo bloqueio[1][3].

A escassez de alimentos, remédios e combustível no país mais pobre do mundo árabe são crescentes. A trégua da última terça-feira é a primeira pausa na guerra e dá às organizações internacionais de ajuda humanitária a sua melhor oportunidade para se juntarem a grupos de socorro locais que tentam enfrentar a crise humanitária de extrema gravidade no Iêmen. Esta crise tem sido agravada por um bloqueio naval, aéreo e terrestre encabeçado pela Arábia Saudita[1].

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (WFP, na sigla em inglês) afirmou estar enviando provisões alimentares para 750 mil pessoas, além de 25 mil provisões alimentares especiais para mulheres grávidas e crianças com idade inferior a 5 anos. Ao todo, é objetivo da WFP enviar 14 mil toneladas de alimentos para o Iêmen a partir de seus armazéns no Djibouti. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados disse que também estava embarcando 300 toneladas de cobertores, colchões e utensílios desde Dubai[1]. Mas grupos de ajuda iemenitas e internacionais alegam que a trégua de cinco dias é demasiado curta para parar, quanto mais reverter, o aprofundamento da miséria de muitos dos 26 milhões de habitantes do Iêmen.

Antes do início dos conflitos mais recentes, o WFP disse que 10.600.000 iemenitas não tinham acesso regular a uma alimentação adequada. Até abril de 2015, o número havia subido para 12 milhões[1]. Pontes, estradas e aeroportos danificados significam que não haverá tempo suficiente para alcançar muitas pessoas necessitadas, incluindo as 300.000 pessoas que a ONU alega terem sido forçadas a deixar suas casas em virtude dos combates[1]. Mesmo o sucesso limitado do esforço de ajuda dependerá da vontade da coalizão em permitir o acesso aos portos do Iêmen e da extensão do dano aos aeroportos do país[1].

A Human Rights Watch disse nesta semana que sete navios estão à espera ao largo da costa do Iêmen desde 1o de maio, incapazes de obter autorização da Arábia Saudita para descarregarem um total de 349.000 toneladas métricas de suprimentos de combustível de emergência[1]. “O bombardeio [saudita] dos aeroportos de Sanaa e Hodeida no Iêmen, bem como as restrições à importação, tornam quase impossível trazer ajuda humanitária[1], disse Sitara Jabeen, PortaVoz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. De outro lado, os houthis também são acusados de impedirem a entrada de ajuda humanitária. Segundo o exilado Ministro das Relações Exteriores do Iêmen, Riyadh Yassin, “É difícil distribuir ajuda nas cidades do Iêmen devido ao fato de que as milícias Houthi estão no controle das estradas onde instalaram postos de controle, confiscando materiais[6].

A mídia estatal do Irã informou nesta terça-feira, dia 12, que um navio iraniano transportando 2.100 toneladas de ajuda de emergência havia embarcado para o Yemen[1]. A coalizão já havia negado tentativas anteriores do Irã de transportar ajuda humanitária para Sanaa. Autoridades norte-americanas solicitaram que o Irã enviasse o navio de ajuda para o Djibouti a partir de onde a ONU está coordenando as entregas da ajuda humanitária ao Yemen[1]. Os Estados Unidos enviaram um porta-aviões à região para fazer com que um navio de carga iraniano com destino ao Iêmen retornasse devido às suas suspeitas de que o Irã estivesse carregando suprimentos militares aos houthis[2][7].  Chamando a ação iraniana de “provocadora” o Coronel e PortaVoz do Pentágono, Steve Warren, declarou: “Se os iranianos estão planejando algum tipo de conluio na região, então eles sabem tão bem quanto nós que isto seria inútil e, de fato, poderia potencialmente ameaçar o cessar-fogo que foi tão meticulosamente alcançado[1]. A Arábia Saudita e seus aliados sunitas acusam os houthis de serem mandatários de seu rival xiita, o Irã, em uma luta de poder regional que ajudou a exacerbar as tensões e contornos sectários em todo o Oriente Médio[5].

Até o presente momento, pouco se sabe sobre o alcance da ajuda humanitária ao empobrecido país, que tem sido assolado por mais de quatro anos de caos político e violência, desde o início da Primavera Árabe[5]. Horas antes do início do cessar-fogo, o enviado especial da ONU para o Iêmen e recém-nomeado, Ismail Ould Cheikh Ahmed, chegou em Sanaa na esperança de reiniciar o diálogo político entre as facções políticas iemenitas que colapsaram em fevereiro de 2015[1][6]. “Estamos convencidos de que não há solução para o problema do Iêmen exceto por meio de um diálogo, que deve ser [fundamentalmente] iemenita[6], afirmou o enviado da ONU.

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Imagem Organizações humanitárias tentam enviar ajuda ao Iêmen durante a trégua de cinco dias após semanas de ataques aéreos liderados pelos sauditas contra os rebeldes Houthis. Doze milhões de iemenitas não têm acesso à comida suficiente, água potável, combustível ou cuidados médicos” (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-32719194

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.wsj.com/articles/aid-groups-plan-to-boost-deliveries-in-yemen-ahead-of-planned-cease-fire-1431428990

[2] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82lksh.4re/6851597d

[3] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/5/12/headlines#5122

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/05/13/us-yemen-security-idUSKBN0NY0Z820150513

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/05/13/us-yemen-security-idUSKBN0NX0K520150513

[6] Ver:

http://www.worldaffairsjournal.org/content/new-un-envoy-yemen-arrives-sanaa-truce-begins

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/13/world/middleeast/iranian-cargo-ship-heads-toward-yemen-and-saudi-blockade.html

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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