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O Líbano enfrenta uma nova crise política e o Governo, formado em 15 de fevereiro de 2014, corre o risco de sucumbir. Os impasses entre os grupos políticos não desapareceram com a formação do novo Governo e, hoje, manifestam-se na falta de consenso sobre a declaração ministerial acerca de Israel[1]. A “Aliança 8 de Março”, liderada pelo Hezbollah, e a “Aliança 14 de Março”, formada por forças opostas ao grupo xiita, se enfrentam mais uma vez, desestabilizando o Governo. O ponto crucial que tem levado ao impasse é o papel da resistência contra o país vizinho.

A falta de consenso quanto à política de defesa do Líbano está a colocar em risco o Governo liderado por Tammam Salam. A “Aliança 14 de Março”, que considera que o Líbano tem o direito de se defender, reclama esta prerrogativa como responsabilidade exclusiva do Estado, enquanto que a “Aliança 8 de Março” quer que seja reconhecido “o direito do Líbano e do povo libanês para a autodefesa e para a resistência contra o inimigo israelense”[2]. Ao estender o direito de autodefesa à população, a “Aliança 8 de Março” propõe que cada cidadão libanês possa andar armado sem qualquer tipo de constrangimento, pois estará agindo em conformidade com uma determinação legal.

Durante uma conferência à imprensa, o “Ministro da Informação”, Ramzi Jreij, fez uma declaração que contrapõe a proposta da coligação a que pertence. O Ministro afirmou: “Com base na responsabilidade do Estado para manter o Líbano e a sua independência, o gabinete sublinha o dever do Estado e da sua missão para libertar as Fazendas de Shebaa, as Colinas de Kfar Shouba e a parte do Líbano de al-Ghajar por todos os meios legítimos, sublinhando aos cidadãos libaneses o direito de resistir à ocupação israelense e responder a seus ataques e recuperar os territórios ocupados[3].

A falta de consenso entre os grupos políticos do país levou o partido Kataeb a ameaçar com a demissão de seus Ministros. O Kataeb pediu insistentemente a alteração da declaração política para evitar as demissões antes do voto de confiança na “Assembleia Nacional” (o Parlamento)[4]. A instabilidade da política libanesa parece reinstalada no novo Governo e não há anuência em torno de um Executivo de unidade nacional, conforme o objetivo inicial estabelecido quando de sua formação[5]. Este desacordo revela um cenário no qual Israel é o tema central que aquece as discussões marcadas pela falta de cedências entre as diferentes coligações partidárias. As posições opostas indicam que o modelo político do Líbano não se alterou, continuando a comprometer a estabilidade governamental.

O futuro do atual Governo é incerto e o bem-estar econômico e social dos cidadãos libaneses está na dependência de um acerto político bastante complexo. O momento exige atenção para com os problemas internos na tentativa de retomar a governabilidade do país e garantir as perspectivas de um futuro produtivo para a população. A retomada de arranjos domésticos recai na necessidade de o Hezbollah conter os seus objetivos em relação a Israel e, assim, evitar o envolvimento do Líbano num conflito de maiores proporções. Para isto, cabe ao Hezbollah renunciar ao interesse em continuar com os ataques “limitados” contra o país vizinho[6] e eliminar os riscos de um confronto que poderá comprometer o futuro do país e dos seus cidadãos.

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Imagem Tammam Salam, Primeiro-Ministro do Líbano (Fonte):

http://english.al-akhbar.com/content/tammam-salam-interview-dialogue-table-not-place-form-cabinet

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/539244-political-drama-mounts-amid-cabinet-statement-differences

[2] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/539244-political-drama-mounts-amid-cabinet-statement-differences

[3] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/539257-cabinet-agrees-on-policy-statement

[4] Ver:

http://www.naharnet.com/stories/en/122936-gemayel-meets-salam-hopes-for-clarifications-on-policy-statement  

[5] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/novo-governo-do-libano-apos-330-dias-de-impasse/

[6] Ver:

http://www.timesofisrael.com/hezbollah-digs-in-for-more-conflict-with-israel/

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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