LOADING

Type to search

Ahmadinejad expõe cisão entre as lideranças iranianas de forma mais transparente

Share

No final da última semana, o Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, divulgou carta mostrando que há claras cisões entre as lideranças do país, entre os poderes do Estado, bem como expondo a fragilidade institucional iraniana, uma vez que o mandatário indiretamente denunciou o enfrentamento direto entre o Executivo e o Judiciário, bem como os erros de interpretação da Constituição por parte de membros do judiciário que negaram permissão para que ele visitasse a “Prisão de Evin”.

Em carta endereçada ao Judiciário e divulgada á midia, ele declarou: “O senhor por duas vezes insistiu que inspecionar a prisão de Evin não é do interesse do país e manifestou sua desaprovação. Mas a Constituição não requer permissão ou aprovação do Judiciário para o presidente exercer seus deveres. (..). Numa situação em que o presidente, que é o representante do povo e administrador da lei, é tão facilmente acusado, como o povo deste país pode ter certeza da segurança judiciária?”*.

 

A negativa para a visita se deu por uma interpretação do que seria prioritário ou não para Ahmadinejad fazer enquanto “Chefe de Governo”. O promotor-geral Gholam-Hossein Mohseni-Ejei afirmou no domingo, dia 21 de outubro:  “Devemos prestar atenção a questões maiores. Visitar uma prisão nestas circunstâncias é uma questão menor”**. A referência diz respeito à crise econômica pela qual passa o Irã, cuja responsabilidade é atribuída não apenas às sanções internacionais que o país sofre, mas, principalmente, à administração do Presidente. Além disso, colocou uma situação em que um poder retirou o direito de outro poder dentro do Estado iraniano, havendo indício de que o Líder Supremo, Ali Khamenei, possa ter interferido diretamente no acontecimento.

Tal manifestação foi acompanhada pela declaração do porta-voz da instituição, Gholam Hussein Mohseni Ejei, que afirmou: “Na situação especial em que estamos agora, e considerando os temas prioritários do país, especialmente o tema econômico e o sustento do povo, todas as autoridades devem se concentrar em acabar com as preocupações do povo sobre o aumento dos preços, o mercado e o controle de divisas”***

Observadores apontam que a perda de prestígio é apenas um aspecto da perda geral que sofre Ahmadinejad, tanto de aliados como da capacidade de defesa diante do povo. Ele tem apenas seis meses no cargo e não pode concorrer ao terceiro mandato em eleição a ser realizada em junho de 2013, mas suas divergências foram crescendo e hoje ele tende ao isolamento político num momento em que o país está sujeito a receber mais pressão internacional, está sob risco de ser invadido e pode haver uma convulsão social em função das crises política e econômica pelas quais passa. Ao tratar da visita à prisão, o Presidente demonstrou ser seu direito realizar a visita na instituição, alegando ser necessário fazer revisões, aplicar princípios das leis do país e dos direitos humanos, criando a sensação de que pretende se apresentar como uma oposição ao futuro governo e mais grave, de forma direta ao líder supremo Ali Khamenei (identificado como Chefe de Estado), cujas conseqüências podem ser trágicas, para o atual Presidente e para o Irã.

——————–

Fonte:

* Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/ahmadinejad-critica-judiciario-do-ira-apos-ter-pedido-para-visitar-prisao-rejeitado-6476401

** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6245576-EI308,00-Ahmadinejad+perde+influencia+e+e+impedido+de+visitar+prisao.html

*** Ver:

http://noticias.r7.com/internacional/noticias/ahmadinejad-protesta-e-insiste-que-visitara-prisao-de-evin-20121022.html

———————

Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/2012_10_21/ahmadinejad-proibido-de-visitar-prisao/

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!