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Al Shabab exorta somalis a lutarem contra vizinhos

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No último domingo (9 de março), Ahmed Godane, líder do “al Shabab”, conclamou os somalis a se voltarem contra o país vizinho, a Etiópia. Essa é a primeira manifestação feita por ele, desde que admitiu ter sido de autoria do “al Shabab” o ataque a um shopping center em Nairóbi (Quênia) no ano passado (2013)[1][2].

O grupo, célula da rede terrorista “al Qaeda”, é um dos poucos remanescentes do fim do “Conselho Supremo das Cortes Islâmicas” que ainda lutam contra o recém formado “Governo Federal da Somália”, buscando, por meio dessa luta, se afirmar no nacionalismo somali e na Charia (Lei islâmica)[3].

O discurso acaba por ser uma propaganda voltada contra os esforços da comunidade internacional (ou dos invasores estrangeiros) para a conformação de um “Estado Federal Somali”. São esforços que têm diminuído a força militar e política de grupos como o “al Shabab”.

Este tenta se posicionar da mesma maneira que o “Conselho Supremo das Cortes Islâmicas” se posicionava, como uma força política rival ao “Estado Federal Somali [3], o qual pode-se dizer que ainda está em implantação.

Ahmad Godane, em seu discurso de 12 minutos, conclamou o povo somali à luta: “Somalis, sua religião foi atacada, sua terra dividida e seus recursos saqueados diretamente e indiretamente através do governo-marionete – nossa vitória está na Jihad […]. (E a) Etiópia vai falhar como falhou no passado, e os muçulmanos serão mais fortes. […] O objetivo da invasão é dividir o que resta da Somália entre a Etiópia e o Quênia, sob a cobertura do estabelecimento de Estados somalis[1]. “[…] Eu convoco os mujahidens nas linhas de frente para reduplicarem a luta contra os invasores etíopes e que estejam alertas que o líder da jihad internacional, Xeique Ayman al Dawahiri (tido como líder da “al Qaeda”) espera de nós boas notícias da Somália. […] Vocês sabem que os Estados Unidos falharam na guerra no Iraque e que é por isso que eles estão pensando em um corredor seguro para suas tropas do Iraque e do Afeganistão. Eles não têm qualquer moral para irem para a guerra e o fracasso chegou[4].

Godane busca valer-se das forças dos clãs que sustentam a sociedade somali e essa ligação é possível por diversas razões. Primeiramente, a organização da Somália em uma federação é estranha a uma sociedade que é bastante pulverizada e se estrutura de acordo com a existência de diversos clãs e subclãs[5]. Em segundo lugar, vale-se também da aversão aos “Estados Unidos”, bem como da aversão aos Estados vizinhos, sobretudo a Etiópia, por conta do nacionalismo e da religião*. Juntam-se a isso as intervenções etíopes nos anos recentes e a grande participação de etíopes e quenianos na coalizão de 22 mil soldados estrangeiros presentes no país[6].

Grupos como o “al Shabab” encaram também no país um grande esvaziamento de poder, dadas as sucessivas derrotas militares para a coalizão internacional, fazendo com que fossem expulsos de grande parte das cidades e tendo que se deslocar para zonas rurais[3]. Os ataques às forças estrangeiras dos vizinhos Quênia e Etiópia, ou mesmo realizados contra aqueles países, são uma estratégia de contra-ataque, mas também uma maneira de fazer a bandeira do “al Shabab” sobreviver à força do Estado nacional somali, aliado à coalizão internacional.

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* Somália e Etiópia já estiveram em guerra, a “Guerra do Ogaden”, na década de 80, que durou 8 meses e teve a Etiópia como vencedora[7]. Ademais, a nação queniana é majoritariamente cristã[8].

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Imagem (Fonte):

http://waamonews.com/wp-content/uploads/2013/07/robow.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/03/10/us-somalia-alshabaab-leader-idUSBREA291OL20140310

[2] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/regions/africa/kenya/131001/who-al-shabaab-leader-ahmed-godane

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130921_perfil_al_shabab_somalia_rw.shtml

[4] Ver:

http://www.raxanreeb.com/2014/03/somalia-al-shababs-leader-calls-more-help-says-al-qaeda-waits-to-hear-good-news-from-somalia/

[5] Ver:

http://www.asylumlaw.org/docs/somalia/ind01b_somalia_ca.pdf

[6] Ver:

http://amisom-au.org/frequently-asked-questions/

[7] Ver:

www.dtic.mil/cgi-bin/GetTRDoc?AD=ADA326941

[8] Ver:

http://www.state.gov/j/drl/rls/irf/2006/71307.htm

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Ver também:

http://geeskaafrika.com/?p=1670

Jaime Almeida - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Jorge Amado (2009) onde coordenou o Observatório de Relações Internacionais e apresentou, como trabalho de conclusão de curso, a monografia "O colapso de Estados e a sociedade internacional: causas, consequências e a questão somali". Bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador (2011). Bacharelando em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia. Advogado. Trabalhou no Consulado do Uruguai. Possui experiência em Organizações Não-Governamentais. Foi Professor de Língua Inglesa. Tem vivência na França e na África do Sul. No CEIRI NEWSPAPER colabora sobretudo com temas relacionados ao continente africano.

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