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[:pt]A Aliança Estratégica entre o Irã e a al-Qaeda[:]

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A al-Qaeda (A Base, ou O Alicerce), fundada em 1988, pelo saudita Osama bin Laden, é um marco divisório na história da segurança ocidental. Hoje, a facção jihadista, que tem acumulado ao longo de sua existência um histórico de terror, continua ativa e, com a sua nova geração de líderes, persegue os propósitos de seu fundador. A al-Qaeda se movimenta através de uma rede de contatos que nem sempre são seus homólogos paramilitares mas, também, Estados que partilham, de algum modo, interesses comuns.

Ultimamente, as informações apontam para uma ligação entre a organização jihadista e o Irã. No entanto, isto não corresponde a um acordo operacional, mas sim logístico e, também, estratégico, estabelecido desde a década de 1990 e que se mantem até hoje. A finalidade que originou o compromisso entre os dois aliados, supostamente díspares, que consiste no combate aos EUA, permanece e se efetiva através do apoio logístico e da transmissão de experiências.

No passado, por exemplo, o Hezbollah, grupo insurgente libanês, considerado uma criação iraniana, foi o responsável por instruir os combatentes da al-Qaeda na fabricação de bombas. Segundo o United States Institute of Peace, hoje em dia, o elo colaboracionista entre os radicais e o Irã mantém-se, de modo que três membros seniores da al-Qaeda, localizados no Irã, isto é, Faisal Jassim Mohammed al-Amri al-Khalidi (al-Khalidi), Yisra Muhammad Ibrahim Bayumi (Bayumi) e Abu Bakr Muhammad Muhammad Ghumayn (Ghumayn) são os responsáveis por captar e movimentar recursos a partir do sul da Ásia e em todo o Oriente Médio.

A presença de elementos da al-Qaeda no Irã nunca foi um caso isolado, pois os radicais sempre se beneficiaram da livre circulação em território iraniano, sem terem a necessidade de carimbar passaportes. Para James Phillips, especialista em Oriente Médio da Fundação Herança (Heritage Foundation), “depois que a al-Qaeda foi forçada a sair do Afeganistão, após a queda dos Talibãs em 2001, Teerã permitiu que os membros sobreviventes transitassem livremente para o Iraque para lutar contra os EUA”.

Embora haja divergências religiosas e ideológicas entre xiitas e sunitas, o vínculo que permite a associação entre ambos é o fato de terem um inimigo comum, isto é, os EUA. Neste contexto, conforme explicações efetuadas a partir do Departamento do Tesouro norte-americano, foi estabelecido um acordo segundo o qual a al-Qaeda deve manter o regime iraniano informado sobre as suas atividades. Para este Departamento, “sob os termos do acordo entre a al-Qaeda e o Irã, a al-Qaeda deve abster-se de realizar quaisquer operações dentro do território e recrutamento de agentes iranianos dentro do Irã, mantendo as autoridades iranianas informadas de suas atividades”. Em contrapartida, “o Governo do Irã deu à al-Qaeda liberdade de funcionamento e capacidade ilimitada para os extremistas e suas famílias viajarem”.

A estratégia traçada entre a al-Qaeda e o Irã não é recente, pois remonta ao período em que bin Laden esteve no esconderijo tentando reerguer a sua organização. O Regime iraniano foi o caminho para o reabastecimento financeiro e operacional daquele grupo insurgente que, na época, estava passando por dificuldades. O plano foi revelado na sequência da morte do líder da al-Qaeda, em Abbottabad, Paquistão, em 2011. Os documentos encontrados no local onde bin Laden foi morto revelam um acordo vantajoso para as duas partes envolvidas, segundo o qual, desde o princípio, o Irã permitiu que o seu território fosse utilizado pelos combatentes sunitas para, a partir de áreas tribais do Paquistão, chegarem ao Iraque onde, em 2004, fundaram a al-Qaeda no Iraque. “O Irã também deu refúgio seguro, às vezes na forma de acomodações, a líderes da al-Qaeda e membros da família bin Laden”. Deste modo, em nenhum momento as recomendações dos dirigentes da al-Qaeda apontaram para a retaliação contra o Irã, mas, sim, para a cooperação contra o adversário norte-americano, cuja presença pretendem eliminar do Golfo Pérsico.

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ImagemBandeira da Jihad, usada por várias facções da alQaeda” (Fonte):

dhttps://en.wikipedia.org/wiki/Al-Qaeda#/media/File:Flag_of_Jiha.svg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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