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Analistas apontam que Maduro está usando tática chavista do magnicídio como manobra diversionista para confrontar a Oposição

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O Governo venezuelano vem afirmando que corre na no país um plano de magnicídio contra o atual presidente Nicolás Maduro. No sábado passado, dia 31 de maio, uma declaração oficial foi feita internacionalmente, em Genebra, na Suíça, durante a “103a Conferência da Organização Internacional do trabalho (OIT)” por delegados, dirigentes da Central Bolivariana Socialista dos Trabalhadores da Cidade, o Campo e a Pesca (CBST-CC), informando que as provas do projeto de atentado encontram-se em posse da Fiscalía General[1].

Wills Rangel, o Chefe da Delegação, declarou que o plano se desenvolve desde janeiro, quando começaram as manifestações que geraram os combates nas ruas do país e, neste momento, ele passou para a nova fase, a do assassinato do Presidente (ou seja, o magnicídio). Além disso, manifestou que os EUA estão envolvidos financiando grupos terroristas no país e paramilitares colombianos.

Nicolás Maduro tem mantido este discurso e afirmado à imprensa que enfrentará os opositores que, segundo ele, estão implicados no magnicídio com o apoio da imprensa[2]. Declarou durante uma aparição pública em Caracas: “A estos homicidas, a estos magnicidas, que lo que les sale es cárcel, no tengo ninguna duda que la justicia tiene que funcionar hasta sus últimas consecuencias, no tengo ninguna duda[3], pedindo a prisão para aqueles opositores que ele acusa de estarem envolvidos. A Oposição tem sido direta ao afirmar que tal situação não existe e o Presidente, bem como os demais membros do Governo buscam criar uma manobra diversionista para desviar a atenção da crise política e econômica pela qual passa o país.

O deputado Richard Blanco fez voz sobre aquilo que considera a quase totalidade dos opositores: (1) “Si él (Maduro) realmente considera que tiene todas las pruebas necesarias para incriminar a una persona por un supuesto atentado en su contra, que lo haga, que lo demuestre, pero que lo demuestre con experticias que convenzan a la gente[4]; (2) mas, mais importante, que “lo conocemos desde los tiempos del difunto presidente (Hugo) Chávez. (…) con ese tipo de acusaciones quieren desviar la atención de los ciudadanos por las cosas irregulares que ocurren en Venezuela[4], no caso, a inflação, o desabastecimento, a violência e insegurança no país.

Analistas consideram que a situação tenderá a piorar, pois a crise permanece tendo sido publicamente reconhecida pelo presidente Maduro[5] e vários segmentos da sociedade se mostram dispostos a manter as manifestações, prometendo retornar às ruas.

O líder estudantil Roderick Navarro, membro da Junta Patriótica Estudiantil y Popular de Venezuela,  declarou que a “los que protestan en las calles han “quemado las naves” y van a seguir hasta que el Gobierno renuncie y se abra “un proceso de transición de unidad nacional para reinstitucionalizar el país”[6].

Chama a atenção a declaração de reinstitucionalziação. Ou seja, corre na Oposição a percepção de que as instituições do país estão fragilizadas, ou servem apenas aos interesses do Governo, daí estarem perdendo sua validade, a força e o sentido, necessitando serem reorganizadas e refundadas.

Os estudantes exigem várias modificações, além de pedirem que os presos de opinião sejam soltos e, para alcançarem seus intentos, afirmam que manterão suas posições de combate político, tendo sido ressaltado que preservarão o princípio de que não desejam um golpe de estado, mas, sim, a renúncia de Maduro, no entanto, estão dispostos a enfrentar a violência do Governo resistindo até o extremo se necessário .

Navarro declarou também: “No estamos en el palacio (de Miraflores) a caerle a los tiros (a Maduro), estamos en las calles cansados de la política de emprobrecimiento a propósito… (…). Decidimos quemar nuestras naves: o ganamos o morimos en el intento[6].

Além disso que está sendo criado o mito de que a Oposição é de classe média, pois, na realidade, quem mais sofre é a classe mais baixa.  Afirmou: “mito más grande… (…) una lucha de clase media. (…). Es el más falso de todos los mitos, la gente que más sufre los problemas de Venezuela es la gente pobre y es la que más nos defiende[6]. Destacando ainda que as suspeitas de magnicídio são “argumentos que rayan en el ridículo[6].

A mesmo consideração tem a estudante Ana Karina García, que esteve no Brasil para denunciar o regime venezuelano perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), mas se mostrou decepcionada com o silêncio do Governo e da mídia brasileiros sobre o que está acontecendo na Venezuela[7].

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Imagem (Fonte):

 Wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.telesurtv.net/articulos/2014/05/31/venezuela-denuncio-ante-oit-el-plan-de-magnicidio-contra-nicolas-maduro-2943.html

[2] Ver:

http://www.el-nacional.com/politica/Maduro-considera-medios-complices-magnicida_0_418758352.html

[3] Ver:

http://www.alminuto.mx/2014/05/nicolas-maduro-pide-carcel-para-todos.html

[4] Ver:

http://noticias.starmedia.com/politica/diputado-opositor-desestima-denuncia-magnicidio-contra-maduro.html

[5] Ver:

http://peru21.pe/mundo/venezuela-nicolas-maduro-reconoce-crisis-economica-2185608

[6] Ver:

http://www.miamidiario.com/politica/venezuela/oposicion/protestas/nicolas-maduro/estudiantes/roderick-navarro/324822

[7] Ver:

http://www.abc.com.py/edicion-impresa/politica/claman-apoyo-de-la-oea-contra-regimen-de-maduro-1250664.html

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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