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[:pt]Analistas questionam se os incentivos da China no Setor Primário do BRICS poderiam sabotar o desenvolvimento do Bloco[:]

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O setor primário é entendido como as atividades que extraem e/ou modificam a matéria-prima, transformando os recursos naturais em produtos primários. Os produtos do setor primário são considerados matérias-primas para outras industrias, destacando-se que as atividades desse setor incluem a pecuária, agricultura a pesca e a mineração. Em síntese, neste setor estão as indústrias de matérias para fabricação, como o petróleo.

Sob a necessidade de alimentar sua superpopulação e obter insumos para a produção tecnológica de seu gigantesco parque industrial, a China aumentou consideravelmente a demanda de produtos primários nos últimos 20 anos. Segundo informações do Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a partir do “Commodity price forecast. World Bank. January 30, 2014”, “as importações agrícolas da China também deverão permanecer elevadas devido ao crescimento do consumo per capita das principais commodities agrícolas, conforme projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para os próximos anos”.

Como publicado na Nota Analítica “Lenta e gradativamente, Alemanha se aproxima da China, líder do Brics”, desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, país do Bloco conhecido como celeiro do mundo, tendo os chineses comprado principalmente soja, carnes, minério-de-ferro e petróleo, mas analistas interrogam as consequências dessa situação. As repostas dependem da perspectiva adotada.

Em um primeiro momento, grupos econômicos como os do agronegócio, energia e infraestrutura de logística, transportes e aeroportuária seriam beneficiados com a escalada de consumo chinês. Milhares de empregos seriam gerados, tributos arrecadados e assim seria possível construir cenários com mais um estágio de prosperidade e de nova alta do preço das commodities no mercado global. Foi essa demanda por produtos primários, chamados de commodities (“mercadorias”, em tradução livre) porque praticamente não há transformação, que elevou o PIB de alguns países agroexportadores e potências “em desenvolvimento” e propiciou a formação do bloco BRICS. Empresas como a “Chinatex Grains and Oils Imp. & Exp. Co., Ltd.” adquirem safras de soja de cooperativas do Brasil, que lançam mão de financiamentos e investimentos milionários muito antes de as sementes serem lançadas ao solo.

A longo prazo, no entanto, expectativas de aumento da demanda da China por uma ou outra commodity e promoções de vendas de mercadorias pelos demais países do BRICS, dirigidas ao líder econômico, pode aumentar a dependência do grupo em relação à economia primária.

No caso do Brasil, o sonho do ex-presidente Getúlio Vargas em transformar um país rural em uma potência econômica industrial, com sucesso em vários aspectos, pode retroceder e ver o parque industrial nacional diminuir, bem como a economia nacional retroagir predominantemente à economia primária e agroindustrial.

A “invasão” de produtos manufaturados chineses, produzidos à base de mão-de-obra barata, e a guerra cambial agrária e de preços muito competitivos – praticamente insuportáveis à indústria brasileira ou mesmo estadunidense –, reduzem significativamente o parque industrial desses países e inclina empresários, investidores e o setor financeiro à prestigiar o mercado primário.

No entanto, o erro estratégico de uns pode ser o plano estratégico de outros. Por essa razão observadores questionam se os maciços investimentos da China em mercadorias não poderia sabotar, de maneira transparente e até requerida pelos Estados envolvidos, o desenvolvimento industrial dos demais países do BRICS. Refletindo sobre tal observação, percebe-se que essa é uma premissa que precisa ser considerada, se forem levados em consideração os seguintes pontos:

  1. O BRICS é um possível bloco econômico em construção e em ascensão, do qual até a Alemanha quer se aproximar;
  2. A China é a líder econômica, política e financeira desse Bloco em constante concretização – já que contribui com fundos de socorro de US$ 41 bilhões do total de US$ 100 bilhões no Banco do BRICS – e tem interesse em que os demais países do grupo atendam ao seu parque industrial, com matérias-primas baratas e mercado consumidor, lógica do sistema econômico desigual e combinado de um tipo de capitalismo;
  3. Apesar da pujança da economia do Brasil e do incrível crescimento da Índia durante a crise econômica que desacelerou o crescimento dos demais países do BRICS, cada vez mais surgem razões para se acreditar que o BRICS pode ser entendido como um projeto chinês e russo, uma vez que há uma liderança financeira da China, um poderio militar de ambos, o compartilhamento de metadados entre eles e de informações estratégicas dos 2 projetos de desenvolvimento Banco do BRICS – o The Data Center ‘Xiaomi Hosting’ da empresa Xiaomi-hosting Ltd.; e o International Global Monitoring System ‘GRAND EXPERT’, da empresa International Non-Profit Social Movement GRAND EXPERT (www.grand.expert), possivelmente de liderança técnica russa.

Sendo assim, os Investimentos da China em soja, proteína animal, petróleo, minério-de-ferro e infraestrutura de escoamento dessa produção, no Brasil e demais países do BRICS, pode ser uma oferta irrecusável de aporte de recursos, mas que, a longo prazo, poderia criar as condições de manter esses países emergentes em sua esfera de dependência, vinculada exclusivamente ao mercado de commodities e, consequentemente, suscetíveis às sucessivas crises econômicas mundiais.

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ImagemO processo de mecanização do campo ampliou a produção e reduziu a oferta de emprego”   (Fonte):

http://brasilescola.uol.com.br/economia/setor-primario.htm

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Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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