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Angola celebra o 93° aniversário de seu primeiro Presidente, Agostinho Neto

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Considerado o Herói Nacional da Independência, o dia de nascimento de António Agostinho Neto foi celebrado em Angola na última quinta-feira (dia 19 de setembro)[1]. Primeiro Presidente desse país, Agostinho Neto desempenhou papel importante dentro da política angolana, em especial no que diz respeito à paz entre o Exército português e as forças revolucionárias angolanas[2]. Foi também um dos líderes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que ocupa hoje papel central na política do país[2].

O principal evento comemorativo de seu aniversário ocorreu na cidade de Ondjiva, na Província de Cunene. Presidido pelo Ministro da Defesa Nacional, general João Lourenço, a celebração contou com a participação de diversas autoridades políticas e de artistas[1]. Além da comemoração do aniversário de Agostinho Neto, o evento marcou a inauguração de uma série de obras públicas edificadas na região[1].

Enquanto importante símbolo, a imagem de Agostinho Neto é utilizada pelo MPLA como grande estratégia para reforçar a posição do partido no cenário político angolano. Diferentemente do ano de 1980, ano em que a Assembleia Popular de Angola, sob o regime monopartidário, proclamou o dia 17 de setembro como o dia de recordar o primeiro Presidente do país, atualmente despontam diversos partidos de oposição que buscam, de alguma maneira, encontrar o seu espaço.

Da mesma forma, cresce o número de ativistas dos direitos humanos e liberais cuja pauta de reivindicação principal é o estado atual da democracia no país. A latência de Eduardo dos Santos no poder incomoda diversos setores da população, que veem nisto uma clara demonstração de que Angola ainda não usufrui de um sistema verdadeiramente democrático.

A própria existência do dia do Herói Nacional enquanto data para recordar a vida de Agostinho Neto incomoda a muitos segmentos da sociedade, que percebem neste feriado um sinal do poder do MPLA em influenciar a formação da opinião pública.

Como exemplo, Armando José Chicoca, importante jornalista da província de Namibe, afirma: “Para um país como Angola comemorar o 17 de setembro como dia do herói nacional é uma aberração. As pessoas perderam a cabeça, tal como hoje existe uma confusão com a bandeira da República que se assemelha à do MPLA. Isto é um erro, temos de rever tudo isto[3].

José Antonio Kalandula, professor da Universidade Mandume Ya Ndemufayo, defende uma correção na maneira pela qual a história é ensinada em Angola[3]. Ao acadêmico, é necessário fazer-se justiça histórica, elevando uma série de outros personagens da história angolana ao posto em que Agostinho Neto está:  “O dia 17 de setembro deveria ser comemorado como tem sido nos anos anteriores, mas com alguns acréscimos, ou seja, chamar esse dia o dos ‘Heróis Nacionais’, no plural, porque alguns deles estão a cair no esquecimento[3].

Contudo, se a “história é escrita pelos vencedores[4], como disse George Orwell, importantes personagens da história angolana, como Jonas Savimbi, da União Nacional para a Independência de Angola (UNITA), e Holden Roberto, da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), jamais terão seus nomes escritos ao lado de Agostinho Neto. Não enquanto Eduardo Santos for mantido como Presidente e, tampouco, enquanto o MPLA for uma importante fonte formadora da opinião pública no país.

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Imagem (FonteAgência Angola Press):

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2015/0/3/Primeiro-ministro-Sao-Tome-rende-homenagem-Agostinho-Neto,7280d00d-4efa-42be-82c6-df3ce4dea3c8.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Jornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/tributo_ao_heroi_nacional_1

[2] Ver Jornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/o_politico_e_o_poeta

[3] VerDW”:

http://www.dw.com/pt/angolanos-exigem-reconhecimento-de-her%C3%B3is-de-outras-bandeiras/a-17092128

[4] Verkd frases”:

http://kdfrases.com/frase/102072

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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