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Angola investirá no setor elétrico para garantir o seu desenvolvimento sustentável

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O setor elétrico tende a ocupar posição estratégica dentro da política angolana nas próximas décadas. A estruturação do setor é fundamental para garantir o crescimento econômico nos próximos anos e o investimento em energias renováveis é etapa crucial para a redução das emissões de gás carbônico em Angola.

Segundo dados do Banco Mundial, Angola emitiu 1,5 toneladas de carbono per capita em 2010[1]. Tal valor depende, em grande parte, da matriz energética utilizada: há 20 anos, 6,3% da energia elétrica angolana vinha do uso de carvão e petróleo, sendo que naquela época a emissão anual de carbono era de somente 0,3 toneladas per capita; atualmente, carvão e petróleo representam cerca de 35% da matriz energética do país, o que explica, em grande parte, o aumento na quantidade de emissões[1].

A construção de hidrelétricas pode ser uma alternativa às matrizes energéticas poluentes. Segundo especialistas, Angola utiliza somente 4% do potencial hidrelétrico estimado de 18 mil MW[2]. Tendo em vista aumentar este valor, na semana passada, o Ministério de Energia e Águas divulgou um investimento de 21 bilhões de dólares até 2021 para desenvolver as centrais hidrelétricas de Cambambe, Laúce e Soyo[3].

O enorme potencial hídrico em Angola e a presença de inúmeras quedas d’água na montanhosa região central criam um ambiente favorável para a construção de hidrelétricas. Além disso, províncias com baixo índice de desenvolvimento, como são os casos de Huambo, Bié e Cuando-Cubango, são contempladas por grandes bacias hidrográficas e as usinas hidrelétricas representam uma oportunidade para o desenvolvimento regional. Contudo, vale ressaltar que, segundo especialistas, hidrelétricas não são fontes de energia totalmente sustentáveis, uma vez que a construção de barragens gera o alagamento de uma vasta área territorial, dizimando a fauna e flora local[4].

Autoridades, no entanto, acreditam que a energia elétrica produzida pelas usinas hidrelétricas gradativamente perderá espaço para a energia produzida em termoelétricas[5]. Isto devido à vasta abundância de campos de petróleo em Angola. Na verdade, a expressiva dependência da economia angolana desta commodity exemplifica a dualidade da economia do país: se nos últimos anos o crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 11,42%[1], este, por sua vez, se baseou principalmente nas atividades produtivas relacionadas à exploração do petróleo[1][5]. Esta dependência é acentuada pelo baixo acesso a energia elétrica em Angolasomente 37% da população têm acesso ininterrupto à energia elétrica[1].

Com isso, a diversificação da economia angolana passa por uma ampliação na oferta de eletricidade, investimento em linhas de transmissão – seriamente danificadas durante os 26 anos de guerra civil no país – e capacitação técnica[6]. Segundo Joaquim Ventura, secretário de Estado da Energia, “a política energética deve ser uma alavanca para a economia, criando condições para o desenvolvimento de novas companhias em diversos setores, para a geração de empregos e riqueza para o país e para os indivíduos[6].

A estruturação do setor elétrico em Angola contará com a presença de grandes multinacionais, principalmente de empresas de nações emergentes, como é o caso da brasileira Odebrecht e da chinesa Xinjiang TBEA Group Co[5]. Bancos internacionais de desenvolvimento também concedem empréstimos para projetos neste setor. Em maio deste ano, o Banco Africano de Desenvolvimento, junto com o Governo angolano, desenvolveu o Programa de Suporte e Reforma do Setor Energético de Angola, de orçamento estimado de 1 bilhão de dólares[7]. Este Programa tem como objetivos gerais melhorar o ambiente regulatório, aumentar e incentivar a participação privada no setor e reestruturar o setor de energia elétrica por completo. Espera-se, assim, que os projetos de modernização do setor dupliquem o acesso à energia e elevem a capacidade instalada dos atuais 1.800 MW para a marca de 9.000 MW[7].

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Imagem (FonteAfrica Today):

http://www.africatoday.co.ao/pt/ambiente/12954-Laca-vai-ter-maior-central-hidroeltrica-Angola.html

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Fontes Consultadas:

[1] VerBanco Mundial Estatísticas”:

http://databank.worldbank.org/

[2] VerJornal da Energia”:

http://jornaldaenergia.com.br/artigo_ler.php?id_artigo=15&titulo_info=Energia%20el%E9trica%20em%20Angola

[3] VerJornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/cambambe_e_lauca_reforcam_producao

[4] VerImazon”:

http://www.imazon.org.br/publicacoes/livros/risco-de-desmatamento-associado-a-hidreletrica-de-belo-monte

[5] VerBloomberg”:

http://www.bloomberg.com/news/2013-10-03/angola-plans-to-raise-power-output-fivefold-to-attract-investors.html

[6] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2013/09/25/us-angola-electricity-idUSBRE98O13B20130925

[7] VerAfrican Development Bank Group”:

http://www.afdb.org/en/news-and-events/article/afdb-grants-major-us-1-billion-loan-for-angola-energy-sector-13061/

               

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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