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[:pt]Angola mantém a condição de principal produtor de petróleo na África[:]

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Dados divulgados pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) na semana passada revelam que a Angola mantém-se como líder na produção de petróleo no continente africano. É desde fevereiro deste ano que o país ocupa o topo do ranking, situando-se acima de outros tradicionais produtores de petróleo no continente, como a Nigéria e a Argélia.

Mais do que nada, a notícia vem a confirmar a estratégica posição que a commodity representa dentro da pauta exportadora angolana e de sua economia. No entanto, recentes pressões negativas sobre o preço internacional do petróleo refrearam a performance econômica angolana, afetando inclusive as estruturas fiscais de sua principal companhia, a Sonangol. Soma-se que, além da flutuação nos preços, a China, responsável pela compra de 51% dos produtos exportados por Angola em 2014, vem presenciando uma diminuição de seu crescimento econômico e, com isso, uma redução no volume importado.

A diminuição considerável no fluxo de dólares na economia angolana, dada a gradativa perda de valor das exportações de petróleo, constrange a importação de insumos básicos para o abastecimento da população. Além disso, se comparado a agosto do ano passado (2015), o Kwanza desvalorizou-se um pouco mais do que 30% frente ao dólar, o que implica em uma significativa pressão sobre o índice geral de preços da economia angolana.

Esta pressão inflacionária foi novamente reforçada na semana passada, à medida que os dados oficiais divulgados apontam que, em julho, a inflação acumulada de 12 meses chegou a 35,3%. É o maior valor nos últimos dez anos e seus impactos se fazem sentir na parcela mais pobre da população, uma vez que os rendimentos desta tendem a não ser corrigidos na mesma velocidade que a expansão inflacionária.

Ainda que na última reunião do Conselho de Política Monetária (CMP) do Banco Nacional de Angola – instituição similar ao Banco Central do Brasil –, no dia 8 de agosto, a taxa de juros de referência tenha sido mantida em 16% ao ano, o ano de 2016 foi marcado por três aumentos drásticos nos juros por parte do CMP, visando conter a pressão inflacionária. Em nota oficial, em julho, logo após a última elevação na taxa, o CMP afirmou que “a redução das receitas de exportação e a menor disponibilidade de divisas na economia, como resultado da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, tem afetado severamente e de forma negativa a oferta de bens e serviços no mercado interno e, consequentemente, fazendo aumentar de forma acentuada o nível geral dos preços”.

Dessa maneira, no curto e médio prazos, o controle inflacionário se destacará como principal variável a ser observada e lidada pelos formuladores de política econômica de Angola, tendo em vista que o seu descontrole acarretará significativos impactos negativos sobre a economia do país, em especial na parcela mais pobre. Porém, no longo prazo, faz-se necessário aos formuladores de políticas públicas trabalharem na diversificação da economia nacional, a fim de reduzir a dependência excessiva do país da exploração e exportação de petróleo.

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Imagem (Fonte):

http://www.fool.com/investing/general/2014/04/21/will-these-new-projects-pay-off-for-total-sa.aspx

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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