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Angola projeta exploração de diamantes

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Com uma pauta de exportação significativamente dependente das rendas do petróleo, o fluxo de divisas em Angola estancou-se expressivamente a partir de 2014, com a gradativa queda nos preços desta commodity. A abrupta desvalorização do Kwanza – moeda local –, fato que pressionou o índice de preços da economia, representa hoje um dos principais dilemas ao Governo e, especialmente, a João Lourenço, principal candidato a sucessor do atual presidente José Eduardo dos Santos.

Neste sentido, uma série de políticas fiscais e monetárias tem sido adotadas pelos órgãos do Governo angolano, com o intuito de resolver o problema da escassez de divisas no país. Na semana passada, por exemplo, o Parlamento angolano aprovou a medida que permite ao contribuinte o pagamento de impostos em moeda estrangeira.

O que se pretende na realidade é permitir ao Estado angariar mais recursos através da tributação em moeda externa, reduzindo assim a pressão sobre a balança de pagamentos e a realização da despesa no estrangeiro”, afirmou o Ministro das Finanças, Archer Mangueira. A medida tem o intuito também de fragilizar o mercado negro de divisas que se instalou no país, principalmente após a abrupta valorização do dólar, do euro e de outras importantes moedas a partir de meados de 2014.

À medida que as receitas com o petróleo ainda permanecem estagnadas, o Governo angolano busca outro tipo de exploração econômica capaz de suprir a economia nacional. A exploração de diamantes, por exemplo, apresenta-se como caminho plausível aos formuladores de políticas públicas angolanos.

Logo da Endiama. Fonte: Ponto Únido

Na semana passada, a empresa angolana de exploração de diamantes, a Endiama, e a maior companhia mundial de exploração do mesmo minério, a russa Alrosa, celebraram um acordo de cooperação de exploração do campo de Luaxe, na região nordeste do país africano.

Em 2013, descobriu-se uma mina de diamantes nesse local, já controlado pela empresa russa. De lá para cá, estudos sobre a viabilidade da exploração, reuniões e negociações entre russos e angolanos foram conduzidas a fim de estabelecer os termos de exploração da mina, cuja magnitude da produção está estimada em 350 milhões de quilates de diamantes. Trata-se da maior descoberta de um campo de diamantes dos últimos 60 anos, sendo o seu valor comercial estimado em 35 bilhões de dólares.

Logo Alrosa. Fonte: Alrosa

Se, por um lado, os projetos de mineração, assim como a exploração de hidrocarbonetos, incrementam abruptamente o nível de exportações e o fluxo de dólares em uma economia, do outro os retornos podem ser nefastos, caso a aplicabilidade destes recursos não seja gerenciada adequadamente. O investimento em educação e tecnologia, por exemplo, a partir das receitas advindas da exploração dessas commodities, se faz necessário para motivar a diversificação da economia e da pauta exportadora, a fim de evitar excessiva dependência destes bens primários – dependência que Angola vivencia atualmente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Diamantes” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Diamonds.jpg

Imagem 2 Logo da Endiama” (FontePonto Único):

http://pontounico.com/city/luanda/listing/endiama-empresa-nacional-de-diamantes-de-angolaep/

Imagem 3 Alrosa” (Fonte Alrosa):

http://eng.alrosa.ru/about-us/

 

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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