LOADING

Type to search

[:pt]Angola revisa o orçamento geral do Estado após constantes quedas no preço do petróleo[:]

Share

[:pt]

Claramente o principal produto de exportação de Angola e sustentador das políticas econômicas do Governo, o Petróleo tem sofrido constantes quedas em seu preço desde meados de 2014. Se, em junho de 2014, o preço do barril do petróleo bruto na New York Mercantile Exchange era de 105 dólares, na cotação da última sexta-feira, dia 16 de setembro de 2016, o preço era de 43,62 dólares.

A expressiva queda reduziu expressivamente o fluxo de divisas à economia angola, desvalorizando o Kwanza – moeda local – e trazendo pressões inflacionárias. A principal empresa do país, a Sonangol, enfrenta uma série de desafios para equilibrar suas contas, tendo anunciado há meses atrás – conforme foi relatado neste jornal – uma reestruturação em massa nas suas áreas de atuação.

As consequências desta conjuntura – chamada por muitos economistas como do tipo efeito cascata – gradativamente se espalham aos outros setores da economia, reduzindo a expectativa dos empresários quanto ao futuro panorama da economia angolana, bem como a confiança da população em consumir e agarrar crédito. Enquanto política de resposta a esse crescente temor, o Governo angolano visa adotar a cartilha econômica também seguida por outros governos ao redor do mundo: expandir os gastos.

Para tanto, um acalorado debate em torno da revisão do Orçamento Geral do Estado para 2016 acontece atualmente no país. A revisão, que à princípio deveria ocorrer na última sexta-feira (16 de setembro), ocorreu somente nesta segunda-feira (19 de setembro), sendo marcada pela intensa polarização do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), favoráveis à revisão do orçamento, contra, principalmente, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

O orçamento revisado prevê um incremento de 19,2% do endividamento público, dado que o limite das despesas do Governo subiu de 38,4 bilhões de dólares para 41,6 bilhões de dólares. A convocação para a votação do reajuste se deu de maneira extraordinária, durante o período de recesso do Congresso, reflexo da tamanha necessidade de o Governo reajustar os limites de seus gastos para mitigar a recessão econômica no país.

Previsões oficiais – que, em geral, tendem a ser mais enviesadas do que as previsões realizadas por órgão independentes – trabalham com uma redução do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, de 3,3% para 1,1%, além de apontarem um crescimento da taxa de inflação, dos 11% iniciais para 38,5%.

Não à toa, o Governo angolano tem buscado meios alternativos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de financiamento para a execução de suas políticas públicas. Fontes locais relatam a procura por instituições financeiras, como as chinesas, que ofereçam melhores taxas de juros, dada a crescente deterioração das contas públicas do Estado.

Com este cenário econômico, é reduzida a probabilidade de que Angola atinja o objetivo de economia de renda de nível médio a partir de 2020, como era desejado pelos governantes antes da atual recessão. Neste meio tempo, pode-se esperar uma crescente desestabilização popular como reação à recessão econômica, principal eixo de sustentação nos últimos anos do longínquo mandato de José Eduardo dos Santos.

———————————————————————————————–                    

Imagem (FonteWikipedia):

https://en.wikipedia.org/wiki/Price_of_oil

[:]

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!