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Angola se aproxima do FMI e aprova lei favorável a investimento estrangeiro

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Com pouco mais de sete meses no cargo de Presidente, João Lourenço tem levado a cabo um gradativo processo de reforma econômica e política, com vistas a reduzir o espaço da família Santos nas agências e nas instâncias decisórias do Estado angolano, bem como com o intuito de criar alternativas para geração de renda para além da exportação de petróleo.

Investidores estrangeiros têm se atentado a este gradativo processo de transformação em Angola. A emergência do segundo setor e a reorganização da estrutura estatal significaria a abertura de uma ampla gama de oportunidades de investimentos em um dos principais mercados consumidores da África Subsaariana. Neste sentido, recentemente o Governo angolano promulgou uma nova lei que estimula a vinda de capital externo ao país.

Foi aprovada na última quinta-feira (19 de abril de 2018) uma normativa que revoga a necessidade de empresas internacionais em conjunto com corporações angolanas. A antiga legislação previa que todo tipo de investimento estrangeiro direto (IED) deveria ser constituído de, no mínimo, 35% de capital nacional, fato que na visão dos formuladores de políticas públicas operava como barreira ao crescimento no volume de IEDs no país.

De maneira similar, Lourenço e sua equipe econômica buscam aprofundar as relações com os principais organismos financeiros globais, tal como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a fim de incrementar o fluxo de capital externo ao país. Na quinta-feira passada, dia 19, o vice-diretor administrativo do FMI, Tao Zhang, pronunciou-se publicamente sobre o pedido de auxílio financeiro por parte do Governo angolano para a realização de suas planejadas reformas.

FMI poderá auxiliar para a implementação das reformas em Angola

O governo do presidente Lourenço tem tomado importantes passos para melhorar a governança e recuperar a estabilidade macroeconômica. O FMI está pronto para ajudar Angola a lidar com os seus desafios econômicos a partir de uma política conjunta para aprimorar a governança, acelerar a diversificação da economia e promover o crescimento inclusivo”, declarou Zhang.

Conforme já pronunciado por Lourenço em outros momentos, as reformas visam inserir Angola na cadeia global de produção de mercadorias manufaturadas, tal como a Etiópia tem feito em parceria com empresários chineses. Em última instância, o Governo angolano espera reduzir a dependência do Produto Interno Bruto (PIB) sobre as rendas obtidas com a exportação de petróleo.

Paradoxalmente, a gradativa retomada dos preços internacionais do petróleo elevou a previsão de crescimento do PIB angolano para este ano (2018) e para o próximo. Analistas do FMI, em relatório divulgado na semana passada, esperam que o crescimento anual do PIB para 2018 e 2019 seja, respectivamente, de 2,2% e de 2,4%. Acima de tudo, essas projeções indicam que a exploração de hidrocarbonetos ainda sustenta a economia nacional, sinalizando um longo caminho pela frente para a implementação efetiva das reformas econômicas e políticas de Lourenço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Angola busca aproximação com investidores externos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Nacional_(Angola)

Imagem 2FMI poderá auxiliar para a implementação das reformas em Angola” (Fonte):

http://www.fusionppt.com/fusion-ppt-awarded-prime-contract-with-international-monetary-fund-to-deliver-itsm-consulting-services/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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