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Após ataque a jornalista, moçambicanos vão às ruas reivindicar direitos à liberdade de expressão

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Manifestantes tomaram as ruas de Maputo, na semana passada, para pedir maiores direitos à liberdade de expressão. A demonstração ocorreu alguns dias após o sequestro e a agressão ao jornalista Ericino de Salema, comentador político do canal privado de televisão STV.

Salema é um dos principais críticos do governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Nas últimas semanas, o jornalista havia concedido ampla cobertura sobre as eleições municipais em Nampula, norte do país – cujo resultado pôs em xeque o frágil pacto político recentemente forjado entre a FRELIMO e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido político de oposição.

Repórter Sem Fronteiras agrega voz à crítica internacional contra a agressão a Salema

Segundo a polícia, Salema foi encontrado inconsciente e com marcas de tortura na beira de uma rodovia em Marracuene, a poucos quilômetros da capital. A embaixada estadunidense em Moçambique condenou a agressão sofrida pelo jornalista, classificando-a como um “ataque à democracia”. O episódio também gerou intensas críticas por parte de organismos internacionais. Entre eles, destaca-se o Repórter Sem Fronteiras (RSF), o qual publicou uma nota oficial de repúdio ao fato ocorrido.

A agressão a esse jornalista surge em um cenário de crescente hostilidade contra os críticos do governo, a qual tem incluído a intimidação e as ameaças verbais. Nós clamamos às autoridades para fazer todo o possível para encontrar os responsáveis por este ataque, a fim de enviar uma clara mensagem àqueles que têm os jornalistas moçambicanos como alvos”, declarou Arnaud Froger, diretor do RSF para o continente africano.

O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) também se posicionou fortemente contra o episódio, sendo um dos protagonistas na manifestação ocorrida em Maputo. “Este é o momento de dizer basta. Viemos aqui precisamente para transmitir uma mensagem clara e sem ambiguidades de que queremos as nossas liberdades de volta”, afirmou Fernando Gonçalves, presidente da organização.

De acordo com o RSF, Moçambique ocupa a 93° posição, em uma lista de 180 nações, no que se refere à liberdade de imprensa. Apesar de neste ranking o país situar-se na frente de uma série de países lusófonos e subsaarianos, como a Angola e a vizinha Zâmbia, analistas apontam que ainda há muito a fazer em termos de garantias legais à livre expressão e emissão pública de opinião. Neste sentido, o respeito às liberdades individuais se apresenta como aspecto chave para o desenvolvimento socioeconômico pleno e igualitário e importante frente de avanço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Moçambique ainda encontra desafios para promover a liberdade de imprensa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Flag_of_Mozambique

Imagem 2 Repórter Sem Fronteiras agrega voz à crítica internacional contra a agressão a Salema” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Reporters_Without_Borders.svg

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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