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Após protestos, estudantes impedem o aumento das tarifas escolares na África do Sul

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Na última sexta-feira (23 de outubro), estudantes sul-africanos lograram impedir um aumento nas tarifas universitárias após um grande protesto na cidade de Pretoria[1]. Naquela ocasião, mais de 10 mil alunos se reuniram diante do Union Building, Palácio Sede do Governo SulAfricano[1].

O episódio marca o maior protesto estudantil da África do Sul desde 1976. O projeto governamental, formulado em conjunto com as principais universidades sul-africanas, previa um aumento médio de 11,5% nas anuidades escolares para 2016[2].

Estudantes e diversos analistas veem o episódio como uma grande vitória, não somente para os estudantes, mas sim para a África do Sul como um todo[1]. A educação de qualidade é uma estratégia chave para sustentar o crescimento econômico de longo prazo, expandir a produtividade e para a estruturação de um mercado laboral realmente livre.

Este último, por sua vez, demonstra ser uma estratégia crucial para a redução da desigualdade social: desde 1994, data que marca o fim do Apartheid, os principais indicadores de desigualdade, como o Índice de Gini, apresentam significativas pioras[3].

A geração anterior à nossa foi realmente uma geração perdida, mas nós estamos lutando pelos nossos direitos e por aquilo que julgamos ser correto e justo[1], afirmou um estudante durante o protesto em Pretoria, esperançoso que uma educação pública gratuita aumentará as oportunidades de vida para milhares de jovens sul-africanos.

Assim como em diversos outros países do mundo, a África do Sul também presenciou uma intensa movimentação civil sobre tarifas escolares e oferta de serviços educacionais. Em tempos onde a desigualdade econômica ocupa posição central dentro dos debates políticos e acadêmicos, o investimento em educação aparece como estratégia central para consolidar um crescimento de longo prazo e efetivamente inclusivo.

Outros países ao redor do mundo também presenciaram expressivas movimentações estudantis. Foi o caso, por exemplo, do Chile e da Espanha, em 2011.

Por outro lado, o Governo SulAfricano e alguns membros das universidades locais posicionaram-se contra o fim da proposta de reajuste nas tarifas escolares[1]. Afirmam que embora a tarifa não seja elevada no próximo ano, em algum momento em breve isto deverá ocorrer, para que a oferta dos serviços educacionais possa ser mantida no mesmo nível, tanto em termos quantitativos como qualitativos.

Entretanto, reajustes anuais, em teoria, não poderiam refletir uma ameaça ao sistema educacional de um país. Acima de tudo, planos de longo prazo e a elaboração de um orçamento anual consistente para o setor, formado a partir de tributações sobre grandes fortunas, são essenciais para consolidar um ambiente propício para a livre concorrência de estudantes no mercado de trabalho.

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Imagem (Fonte):

http://www.vocativ.com/news/242477/why-south-african-students-are-shutting-down-universities/

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/23/south-african-students-protest-pretoria-tuition-fees-rise

[2] VerThe Guardian”:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/22/south-african-students-rally-against-tuition-fees-in-johannesburg

[3] VerCEIRI Newspaper”:

http://jornal.ceiri.com.br/economia-sul-africana-apresenta-piora-em-seus-indicadores/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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