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Aprofundam os efeitos da seca na Etiópia

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Muito se tem discutido nas últimas semanas sobre a atual seca na Etiópia, bem como a íntima relação entre a sua severidade e as mudanças climáticas em curso no planeta. A problemática, no entanto, vem assumindo grandezas cada vez maiores, à medida que novos dados vão sendo divulgados.

Na semana passada, a Comissão Etíope para o Gerenciamento de Riscos e Desastres declarou que 8,5 milhões de pessoas demandaram assistência humanitária entre os dias 23 de maio e 22 de junho de 2017. O número é significativamente maior do que o total demandado em janeiro deste mesmo ano – mês onde 5,6 milhões de pessoas clamaram por auxílio.

Segundo a Oxfam, a seca na Etiópia posiciona 700 mil pessoas em situação de extremo risco

O número de distritos necessitando intervenção imediata aumentou a níveis não vistos desde o pico dos efeitos da seca despertados pelo El Niño em 2016”, declararam, em conjunto, o Governo etíope e a Organização das Nações Unidas (ONU). Concomitantemente, a organização não governamental Oxfam divulgou um relatório no qual estima que 700 mil pessoas estão beirando condições de total fome, reiterando o visível processo de deterioração das condições de vida nesse país.

A propagação da seca e de seus efeitos pelas regiões mais afetadas tem desestabilizado profundamente as relações sociais e econômicas da população etíope. Na região de Somali – uma das mais afetadas pela seca – há relatos, segundo a Oxfam, de significativa evasão escolar e de prostituição infantil em troca de algum alimento. As populações mais afetadas são os grupos pastoris, de estilo de vida nômade e dependentes da abundância de pasto – fato cada vez mais raro em um contexto de escassa chuva.

Não somente a expressiva severidade do fenômeno climático explica a piora das condições nutricionais. Também a dificuldade de financiamento das atividades de assistência humanitária retarda o atendimento abrangente a todas as populações afetadas. Dos 1,25 bilhão de dólares necessários para a mitigação eficiente dos efeitos da seca, 39% ainda não foi financiado.

Essa conjuntura de gradativa piora elucida a severidade das mudanças climáticas em curso. Segundo dados da ONU, em 2016, 108 milhões de pessoas passaram fome no mundo – um dos maiores números nos últimos anos –, sendo as alterações no clima um dos principais fatores explicativos. Neste sentido, apresenta-se como problema principal a atuação para a consolidação de comunidades adaptadas e resistentes a esse novo contexto ambiental, fato que demanda uma intensa participação de organismos internacionais, dos Estados e do terceiro setor.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Há mais de um ano, famílias etíopes lutam pela subsistência em um contexto de extrema seca” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ethiopian_women_in_the_drought.jpg

Imagem 2 Segundo a Oxfam, a seca na Etiópia posiciona 700 mil pessoas em situação de extremo risco” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Oxfam

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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