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Durante o último encontro do G-20, realizado no dia 4 de setembro deste ano (2016), em Hangzhou, na China, os ministros da energia Alexander Novak, da Rússia, e Khalid al-Falih, da Arábia Saudita, anunciaram um Acordo através do qual ambos os países pretendem cooperar para a estabilização dos preços do petróleo no mercado internacional, criando um grupo de trabalho para monitorar o mercado de petróleo e apresentar recomendações para promover sua estabilidade.

De acordo com dados publicados pela British Petroleum (BP), em junho passado, Arábia Saudita e Rússia despontaram como o segundo e terceiro maiores produtores de petróleo do mundo em 2015, sendo superados apenas pelos Estados Unidos da América (EUA). Segundo as estatísticas da BP, o somatório combinado da produção dos dois países corresponde a aproximadamente 25% do total produzido em todo o globo no período. Além disso, diferentemente da situação dos EUA, onde a capacidade produtiva nacional não é capaz de atender a demanda interna, tornando o mercado norte-americano dependente de importação de petróleo advindo do exterior, o enorme excedente produtivo da Rússia e dos sauditas é voltado para o mercado externo, tornando-os dependentes economicamente das receitas da comercialização da commodity, que figura como um dos mais importantes produtos da pauta de exportações de ambos os Estados.

As enormes reservas e o volume de produção de Arábia Saudita e Rússia inserem esses dois Estados no grupo de países conhecidos como swing producers, terminologia usada para definir os atores que detém a capacidade de exercer influência sobre os preços do mercado, aumentando ou reduzindo sua produção de petróleo, fato este que lhes concede um grande poder para manipulação do mercado internacional.

Os representantes dos dois países ainda vão se encontrar em outubro na Argélia e em novembro na Áustria, em Viena, sede da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), para discutir os detalhes da cooperação em foros multilaterais envolvendo outros grandes produtores. O anúncio do acordo entre russos e sauditas foi bem recebido pelos ministros da energia do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que demonstraram apoio a quaisquer esforços conjuntos que possam beneficiar a estabilidade do mercado internacional de petróleo.

Ainda é cedo para conjecturar os prováveis resultados da cooperação entre sauditas e russos, no entanto, é possível considerar que, para os grandes produtores de petróleo, o acordo inicial estabelecido em Hangzhou poderá contribuir para a formulação de respostas coordenadas a quedas bruscas do preço do barril de petróleo, como a de 2014, bem como para a estabilidade do mercado internacional.

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Imagem (Fonte):

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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