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[:pt]As Conexões dos Jihadistas de Würzburg e Ansbach com o Estado Islâmico[:]

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No mês passado, Würzburg e Ansbach, duas cidades alemãs, sofreram com os ataques de lobos solitários, ligados ao Estado Islâmico. Em 18 de julho, um adolescente de 17 anos, originário do Afeganistão e refugiado na Alemanha, identificado como Riaz Khan Ahmadzai, atacou com uma faca e um machado os passageiros de um trem que circulava entre as cidades de Treuchtlingen e Würzburg, sul da Alemanha. Na ocasião, cinco pessoas de uma mesma família ficaram feridas com gravidade. O terrorista foi morto por um Comando das Forças Especiais da Polícia, que estava na região. O Estado Islâmico, através da agência de notícias Amaq, reivindicou o ataque, por intermédio de um vídeo do responsável pela agressão, com 2 Minutos de duração, divulgado no dia 19 de Julho. O afegão foi referido como “um dos seus combatentes”.

Em 24 de julho, a Alemanha voltou a sofrer nova agressão, desta vez, na cidade de Ansbach, Estado da Baviera. A ação foi cometida por Mohammed Daleel, 27 anos, um refugiado sírio, que morreu durante a explosão que deixou doze pessoas feridas. As autoridades alemãs acreditam que a morte de Daleel e a explosão foram acidentais, pois tudo indica que ele pretendia detonar os explosivos no meio de uma multidão, num festival de música. O Estado Islâmico também assumiu a responsabilidade por este ataque, tendo qualificado o autor como seu “soldado”. A situação colocou a Alemanha sob alerta e as investigações apontam para circunstâncias suspeitas acerca do ocorrido. Segundo a revista Der Spiegel, Riaz Khan Ahmadzai e Mohammed Daleel tinham contatos com alegados membros do Estado Islâmico, na Arábia Saudita. Neste sentido, o Reino saudita ofereceu ajuda à Alemanha para encontrar aqueles que estão por detrás dos dois lobos solitários que atentaram contra aquele país.

Há algum tempo, a Arábia Saudita vem sendo “acusada por financiar o Estado islâmico quer seja diretamente, quer seja por não impedir doadores privados de enviar dinheiro para o grupo”. Afirma-se que o Wahhabismo[1], a versão mais radical do Islã, originário no Reino saudita, tem promovido o terrorismo. Nesta perspectiva, acredita-se que o Estado Islâmico é usado pela Arábia Saudita para “comprovar o ‘crescente’ poder xiita do Irã no Oriente Médio”.

Os sauditas negam as acusações das quais são alvo, mas o fato é que o neoterrorismo necessita de cifras significativas e de contatos para conseguir colocar em prática os seus planos e, para isto, mantém uma rede de conexão mista composta por apoiadores privados e estatais de natureza distinta, o que tem desafiado as autoridades e os serviços de Inteligência mundiais.

Hoje, as análises confirmam que os insurgentes islâmicos, nomeadamente, os do Estado Islâmico, também se capitalizam por meio de Estados que, motivados por interesses próprios, estimulam a guerra e os atentados por procuração, viabilizando assim as ações terroristas. Se os ataques ocorridos em Würzburg e Ansbach revelam uma possível ligação entre o Estado Islâmico e a Arábia Saudita, isto pressupõe que muitos grupos insurgentes podem ter uma causa, mas nem por isto deixam de ser peões dos interesses estatais no Oriente Médio.

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ImagemPolícia alemã faz um cordão de segurança em Ansbach, na área do atentado cometido em 24 de julho” (Fonte):

https://static01.nyt.com/images/2016/07/28/world/video-ansbach/video-ansbach-superJumbo.jpg

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Notas e Fontes Bibliográficas:

[1] O Wahhabismo foi criado por Muhammad bin Abd al Wahhab. Em meados do século XVIII surgiu, na Arábia Central, o “Movimento Religioso do Islão”, […] chamado Wahhabismo, que se tornou a religião oficial da Arábia Saudita. Este movimento, de cunho conservador, acabou por plantar as sementes do fanatismo e da alienação islâmica. Acreditava que o Islã estava corrompido e repudiava tudo que estivesse fora da ortodoxia muçulmana.

Cf. Marli Barros Dias, Islamismo, Fundamentalismo Islâmico e Ocidente. Disponível online:

https://www.academia.edu/1324940/Islamismo_Fundamentalismo_Isl%C3%A2mico_e_Ocidente

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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