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As crises humanitárias no Chifre da África e Grandes Lagos em 2015

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Durante o ano de 2015, a região do Chifre da África e dos Grandes Lagos assistiu e vivenciou inúmeras crises humanitárias, muitas delas relacionadas às atividades terroristas do grupo Al-Shabaab, à insegurança alimentar de várias regiões, à instabilidade política no Burundi e também aos fluxos de refugiados. Nesse sentido, a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs – OCHA) elencou cinco dinâmicas que potencializaram as crises humanitárias e que ameaçaram a estabilidade da região.

Em primeiro lugar, a proliferação e a intensificação da violência e do conflito produziram novas ondas de deslocamento de pessoas. Como já abordado anteriormente neste portal, a crise política no Burundi ocorreu após o anúncio do terceiro mandado de Pierre Nkurunziza, e, depois, por uma série de eventos, como o homicídio do líder da oposição, Zedi Feruzi, a tentativa frustrada de um Golpe de Estado por militares, o boicote das novas eleições pela oposição e o deslocamento de aproximadamente 150 mil burundineses desde então. Apesar do histórico de conflito étnico no país e da rápida escalada da violência na atual crise política, para o editorial da Bloomberg, a crise no Burundi é mais política do que ética. Aliado a isso, o editorial considera que os países vizinhos – como Ruanda e República Democrática do Congo –, a China, os Estados Unidos e os países da União Europeia estão pouco envolvidos no debate e na tentativa de apaziguar o conflito.

Em segundo lugar, as ameaças terroristas têm causado inúmeros constrangimentos para os sistemas políticos na região, comprometendo a liberdade e a democracia nos países. O grupo terrorista Al-Shabaab tem mantido suas operações na Somália e, sempre que possível, tem assumido atentados no país vizinho, o Quênia, como no ataque a estudantes da Universidade de Garissano Distrito de Mandera, quando quatorze pessoas foram mortas e outras 11 ficaram feridas.

Em terceiro lugar, os choques econômicos afetam os mais vulneráveis, reduzindo o espaço de manobra. Neste ponto, a OCHA destaca a queda dos preços do petróleo e a consequente depreciação da moeda corrente no Sudão do Sul.

Em quarto lugar, a insegurança alimentar e nutricional da região tem acionado o sinal vermelho em vários países. Recentemente, a FAO divulgou que Uganda e Quênia estão enfrentando graves carências de alimentos, principalmente em decorrência da degradação do solo.

Por fim, o aumento nos movimentos populacionais dentro da região, em combinação com os baixos padrões sanitários e oferta de água potável, traz à tona o risco de propagação de doenças. Por exemplo, surtos de Cólera e Calazar foram diagnosticados no Sudão do Sul; na fronteira entre Burundi e Tanzânia foram constatados casos de Cólera; na Somália, o quadro se concentra na Cólera e no Sarampo.

No relatório, a OCHA alerta que o montante financeiro destinado para as ações dos órgãos do sistema das Nações Unidas para a região não é suficiente para administrar os atuais problemas. Enquanto isto, os países da região tem se tornado reféns da solidariedade e das doações de outros países para amenizar os distúrbios e os climas de incerteza, quanto à violência, à insegurança alimentar e aos fluxos de refugiados.

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Imagem (Fonte):

http://www.hsc.edu/Images/leadership/2011-12/Horn_of_Africa_map.jpg

João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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