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As implicações do novo arranjo institucional na Arábia Saudita

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Durante as primeiras horas de quarta-feira passada, 21 de junho (2017), a Arábia Saudita anunciou através de um Decreto do Rei o seu novo arranjo institucional para a hierarquia da Casa Real. O Rei Salman substituiu seu sobrinho, Mohammed bin Nayef, por seu filho Mohammed bin Salman bin Abdulaziz na cadeia hierárquica, tornando-o o novo Príncipe Real – ou seja, o primeiro na linha sucessória. O Príncipe Salman também adicionou ao seu antigo cargo como Ministro da Defesa a posição de Vice-Primeiro-Ministro, através de uma votação majoritária a seu favor no Conselho de Lealdade da Arábia Saudita[1].

Rei Salman e Presidente Trump participam de dança tradicional ardah no Palácio de Murabba

Mohammed bin Salman tem 31 anos e vem executando um papel de alta visibilidade no Governo. Seus esforços têm sido principalmente a favor da diversificação da pauta econômica do país, buscando estratégias para diminuir a dependência nacional do petróleo. A visita feira a Washington, em março, e a consequente visita do Presidente dos EUA, Donald Trump, à Arábia Saudita, em maio, auxiliaram na sua consolidação no poder. Além disso, o antecessor, bin Nayef, não assumiu uma posição de destaque após o corte de relações com o Qatar, ocorrido no começo deste mês (junho), fator que também pauta o novo arranjo político no país.

Como Ministro da Defesa, o novo Príncipe Real supervisionou a coalizão militar liderada pelos sauditas no Yemen contra os rebeldes Houthi. A operação buscou reintegrar ao poder o presidente Abdrabbu Mansour Hadi, e depor o líder rebelde Ali Abdullah Saleh. O conflito deixou o país em uma situação econômica e social precária, além de ter acentuado a rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irã, que apoiavam lados opostos da disputa. Ainda assim, ao longo dos dois anos de conflito a coalizão não conseguiu expulsar os rebeldes da capital, Sanaa.

A alteração na linha sucessória a favor do Príncipe Salman aponta para políticas mais fortes contra o Irã[2], caso ele venha a substituir o Rei. Isso se dá porque as políticas do novo Príncipe têm se aproveitado do destaque que a Arábia Saudita vem obtendo na política regional, com o apoio militar e político dos EUA.

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Notas:

[1] O conselho é composto por 35 Príncipes, filhos e netos de seu Rei fundador Abdullah bin Abdulaziz. Sua função é assegurar a transição de poder de governo entre a família Al Saud. O compromisso da lealdade ao Rei é a lei básica do sistema político de governo na Arábia Saudita.

[2] Mohammed bin Salman afirmou durante entrevistas à TV Saudita em maio que está disposto a “batalhar com o Irã” para conter o interesse da República Persa em “controlar o mundo islâmico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Rei Salman, o líder da Arábia Saudita” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arábia_Saudita#/media/File:Salman_bin_Abdull_aziz_December_9,_2013.jpg

Imagem 2Rei Salman e Presidente Trump participam de dança tradicional ardah no Palácio de Murabba” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Saudi_Arabia#/media/File:Donald_Trump_with_ceremonial_swordsmen_on_his_arrival_to_Murabba_Palace,_May_2017.jpg

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

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