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As incertezas que rondam a Economia da Itália

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A Itália vive um momento importante em sua política interna. A Coalizão que governa o país, formada por dois partidos tidos como populistas (Movimento 5 Estrelas e a Liga), endereçou ao Parlamento daquele Estado uma proposta de orçamento que prevê um déficit de 2,4% do PIB para os próximos três anos. Tal política ainda precisa passar pelo crivo do Congresso, onde pode até aumentar e passar dos 3% estipulados pela União Europeia (UE) como o máximo que um país pertencente ao Bloco deve estabelecer como déficit anual.

Esta medida pode acentuar os problemas econômicos do país que possui a terceira maior economia da Zona do Euro, ao mesmo tempo em que tem a segunda maior dívida pública da União Europeia, sendo superada somente pela Grécia, que conviveu, nos últimos anos, com muitas dificuldades e refinanciamentos, em função da elevada dívida interna do país.

Luigi Di Maio e Matteo Salvini – representantes da Coalizão italiana

O déficit representa o desequilíbrio entre as receitas e os pagamentos, ou seja, o Governo manterá os gastos públicos superiores aos recursos arrecadados. Isto faz parte da pauta partidária da Coalizão do Governo que não aceita a diminuição de empregos e investimento público para que se realize o pagamento da dívida pública a Bancos estrangeiros. A preocupação da UE é semelhante a que teve com a Grécia, na medida em que há um temor de aumento da dívida do país e que o mesmo não consiga honrar seus compromissos futuramente.

A dívida pública se encontra acima de 130% do PIB da Itália. A derrota do referendo de 2016 do então primeiro-ministro Matteo Renzi, que previa uma profunda reforma política no país, com intuito de dar maiores poderes ao Estado em relação às autoridades locais, acompanhou a divisão interna que, por pouco, não conseguiu eleger um novo Chanceler italiano. Ademais, a Coalizão formada escancarou o sentimento eurocético, em que se acredita pouco ou nada no processo de integração regional, ao observar a nova composição do Parlamento com maioria de deputados da ala mais à direita, contrários às políticas econômicas (austeridade) e sociais (imigração) da UE.

Após os episódios com a Grécia, citada anteriormente, e Reino Unido, com o Brexit, a preocupação da UE se volta à possibilidade de fragmentação do Bloco a partir das questões político-econômicas que têm surgido nos últimos anos. A Itália é um importante membro da União, tendo sido um dos primeiros Estados a dirigir o processo de integração do continente europeu no pós-guerra. Como vem sendo observado por analistas, o receio de que as incertezas econômicas que pairam sobre a Itália se espalhem pela Europa é real, e cada vez mais visto na prática.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Coliseu de Roma” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Italy#/media/File:Colosseum_in_Rome,_Italy_-_April_2007.jpg

Imagem 2Luigi Di Maio e Matteo Salvini representantes da Coalizão italiana” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Luigi_Di_Maio_and_Matteo_Salvini.jpg

Matheus Mendes - Colaborador Voluntário

Bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). É pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, participando da produção do Boletim Geocorrente, ambos da mesma instituição. Suas principais áreas de interesse envolvem as políticas de Defesa do Reino Unido, com enfoque na Marinha; Brexit e movimentos separatistas europeus; questões marítimas globais; e Geopolítica.

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