LOADING

Type to search

Share

O processo de descentralização do Estado líbio, ocorrido após a derrocada do regime ditatorial de Muammar al-Gaddafi, no curso da Primavera Árabe, em 2011, continua a produzir efeitos no fluxo imigratório pela rota do Mediterrâneo Central rumo à Europa, e assistência a insurgentes islâmicos que com a iminente derrocada das posições no Oriente Médio podem reimplantar a doutrina jihadista em um terreno, cuja ausência do Estado, viabiliza a fertilidade extremista.

Faiez al-Serraj, Presidente apoiado pela ONU

Para autoridades europeias, Fezzan, um vasto e pouco povoado território localizado a sudoeste, é visto hoje como ponto estratégico primordial para se estabelecer um primeiro controle de fronteira contra migrantes e refugiados africanos do entorno subsaariano, onde, somente em 2016, mais de 160 mil pessoas transitaram por essa região com destino ao litoral líbio rumo a Europa.

Contudo qualquer esforço europeu na tentativa de neutralizar os efeitos da falta de governança, falência econômica e de segurança passa pela necessidade de coordenação com o Governo internacionalmente reconhecido de Faiez al-Serraj, do Partido Governo de Acordo Nacional (GNA, na sigla em inglês), que sofre com a contraposição e falta de diálogo produtivo com a oposição do general Khalifa Haftar, do Exército Nacional Líbio (LNA, na sigla em inglês).

De acordo com analistas consultados, a luta em curso entre as coalizões militares rivais na Líbia é possivelmente o maior desafio. O apoio da ONU ao GNA de Faiez al-Serraj, em Trípoli, tem poucos aliados locais em Fezzan. Em contrapartida, as facções alinhadas com o Exército Nacional Líbio (LNA) e o Governo oriental sediado em al-Bayda gozam de maior influência, assim como as facções opositoras a Haftar e Serraj.

General opositor Khalifa Haftar

A propagação das rivalidades nacionais ao sul de Trípoli registrou aumento desde o início de 2017 e acelerou os combates entre os vários grupos. As forças externas, formadas por potências regionais, mercenários estrangeiros e grupos jihadistas transnacionais também se intrometeram nos embates, ora unindo conflitos locais, ora usando o sul do país como zona de trânsito para atos econômicos ilícitos.

Em audiência ao Comitê de Relações Exteriores do Senado estadunidense, Frederic Wehrey, Analista do Programa do Oriente Médio para o Carnegie Endowment for International Peace, revela que, apesar da relativa estabilidade em Benghazi, os custos são elevados por conta dos deslocamentos, destruição da infraestrutura e ruptura do tecido social que resultaram no imediato agravamento das divisões em todo o país.

Ainda segundo o analista, a crise política na Líbia impõe para a agenda de política externa dos EUA a necessidade de maior intervenção, dada à autoridade colapsada do Estado líbio ser campo fértil para expansão do Estado Islâmico (Daesh, em árabe).

Fezzan foi governado pela Líbia italiana e pelo Reino da Líbia de 1927-1963

Embora o apoio aéreo ofertado pela coalizão internacional sob a liderança dos EUA tenha angariado resultados positivos juntamente com as milícias locais na localidade de Sirte, os grupos armados que combateram contra o Estado Islâmico no oeste, centro e leste do país, sem a supervisão de uma autoridade central passaram a se opor ao Conselho Presidencial apoiado pelas Nações Unidas.

Diante da falha em funções básicas de governança e a paralisia fruto de disputas internas, há um impulso à longevidade da crise, principalmente pelo fato da principal força opositora, capitaneada pelo general Khalifa Haftar, ter apoio do Egito, Emirados Árabes Unidos e, recentemente, da Rússia.

No Parlamento há pouco apoio ao GNA, principalmente pela objeção à questão do controle sobre os militares. Figuras islâmicas, por sua vez, prometeram continuar a luta contra as forças de Haftar, já em confronto pelas instalações de petróleo na bacia de Sirte, aeródromos e linhas de abastecimento ao sul.

Nos EUA, a questão líbia é tratada em dois planos: prevenir o ressurgimento da atividade terrorista; e apoiar a formação de um Governo de inclusão e estável.

Força Aérea dos EUA em retorno a base de Aviano, Itália, após Operação Odyssey Dawn

A administração Trump também deve rejeitar um projeto de partilha territorial, bem como um plano de subcontratação de sua política a Estados regionais, especialmente Egito e Emirados árabes Unidos, cuja abordagem de exclusão e securitização poderá produzir mais divisão e radicalização.

No âmbito da segurança e contraterrorismo, a assistência a um determinado grupo armado com provisões em inteligência, ou envio de equipamentos poderia prejudicar a balança de poder e causar mais conflitos faccionais.

Analistas sugerem suporte limitado e direcionado a ameaças específicas, a fim de evitar que esforços passados, como unidades especializadas de combate ao terrorismo, falhem pela falta de estrutura institucional para absorver eventuais divisões políticas.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Arte antiGaddafi, Benghazi Líbia, 009” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/lightroomphotos/5957802882/in/photolist-a5tiem-c2i4V7-c2cynd-bxuKa6-9r1dJr-a5tiBU-c2cWEG-c2hoX1-CEs5Sh-7Yu9x4-9qvZ54-a5tj8N-9tWUme-7YtRMt-7YxkEu-c2gaQS-a5qs3P-c2hR9E-7YtRFR-7Yu4LX-7Yu9ie-c2cYf9-c2jkHQ-7Yu4Gk-7Yu2Pg-c2hzbE-a5ti5f-c2i2XS-9tckiY-c2hZSJ-9t9mAv-9qi8TG-c2ijF9-c2i8Vs-7Yu5it-c2dT5o-c2bByJ-a5tjhS-c2hBwj-c2d5eG-a5qrzi-c2d2Ns-9qvXpH-4zBzHg-c2hdWu-9RUVVG-c2dhDQ-7Yu59p-c2d9By-9tcm9y

Imagem 2 Faiez alSerraj, Presidente apoiado pela ONU” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Fayez_al-Sarraj#/media/File:Libyan_Prime_Minister_Fayez_al-Sarraj.jpg

Imagem 3 General opositor Khalifa Haftar” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Khalifa_Hafter#/media/File:General_Haftar.jpg

Imagem 4 Fezzan foi governado pela Líbia italiana e pelo Reino da Líbia de 19271963” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Fezzan#/media/File:Map_of_traditional_provinces_of_Libye-en.svg

Imagem 5 Força Aérea dos EUA em retorno a base de Aviano, Itália, após Operação Odyssey Dawn” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2011_military_intervention_in_Libya#/media/File:US_Navy_110320-A-4520W-108_U.S._Air_Force_F-16_Fighting_Falcons_return_to_Aviano_Air_Base_after_supporting_Operation_Odyssey_Dawn.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!