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As relações OTAN-Rússia e o caso lituano

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é uma instituição de caráter intergovernamental, que surgiu em 1949, com o objetivo de garantir proteção adicional aos Estados-parte, por meio de um sistema de segurança coletiva. Todavia, sua política de prevenção nasceu a partir do receio de uma ameaça da antiga União Soviética, a qual, pela mesma lógica geopolítica, formou o Pacto de Varsóvia, em 1955.

Após o desmantelamento soviético, em 1991, o mundo passou a viver outra estrutura internacional e presenciou fatos criadores de nova conjuntura internacional, pois viu o Pacto de Varsóvia deixar de existir, viu emergir a Federação Russa no sistema internacional, e também o Bloco da OTAN tendo de renovar seu propósito institucional. Esta fase caracterizou a percepção de uma tentativa de unipolaridade nas Relações Internacionais, bem como a expansão do bloco ocidental rumo ao Leste Europeu. 

No último dia 20 de abril, o Conselho OTAN-Rússia voltou a se reunir após dois anos sem conversações formais, por causa do envolvimento russo nas questões da crise ucraniana. Dentre as pautas atuais, destacam-se a aplicação dos Acordos de Minsk e a preocupação recente na região do Mar Báltico, cujo episódio marca o relato de sobrevoo de aviões russos, Sukhoi SU-24, acima do contratorpedeiro americano, USS Donald Cook, que realizava exercícios conjuntos com a Polônia em águas internacionais. Em referência ao caso, o Secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, afirmou: É importante considerar todos os passos que podemos tomar para aumentar a transparência e previsibilidade. E, no tocante ao diálogo político, declarou: “É necessário e útil em tempos de tensões”.

No tangente a Lituânia, a situação tende a causar agitação, pois os lituanos acreditam que os russos podem vir a atacá-los no futuro, e esperam que o apoio da OTAN permaneça substancial aos países da região que são membros da Organização, por meio do envio de tropas e equipamentos militares. Ademais, os lituanos possuem o receio de que a Rússia venha a dissuadir os atores da OTAN na Conferência, conforme demonstra o Ministro de Relações Exteriores da Lituânia, Linas Linkevicius, na frase: Eu gostaria de estar errado, mas meu medo é que a reunião não seja usada para aproximação de posições, mas, sim, para fins de propaganda”.

A opinião de Moscou salienta aprovação pelo convite no âmbito do Conselho e reconhece a importância dos Acordos de Minsk para a resolução do conflito ucraniano, porém entende que a OTAN busca ocasião contra os russos, à medida que militariza os países vizinhos sob alegação de defesa, consoante afirma o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov: Dizemos claramente que as coisas não podem continuar como estiveram até agora, e tampouco deve haver um jogo unilateral. A agenda aprovada para a reunião reflete não apenas os interesses dos membros da aliança, mas também as necessidades da Rússia”. Sobre o envio do contratorpedeiro próximo ao enclave de Kaliningrado o embaixador russo na aliança, Aleksandr Gruchko, declara: Não vejo possibilidades de melhora de nossas relações se continuar existindo a intimidação”.

Consoante a opinião de analistas, percebe-se que somente o diálogo poderá solucionar as intempéries no relacionamento OTAN-Rússia, o qual afeta a vivência de milhões de pessoas na Europa. Entende-se que a reunião dos atores, mais a inclusão da União Europeia (UE) e da Ucrânia, contribuiria para dar fim aos questionamentos e tensões. Para tal, seriam imprescindíveis três etapas: na primeira, haveria o compromisso da OTAN com a Rússia pela desmilitarização ao longo da fronteira no Leste Europeu; na segunda, seria preciso a concordância da UE e da Rússia pela arbitragem internacional no caso da Criméia; por fim, na terceira etapa, a Ucrânia iniciaria negociações com os rebeldes a favor de uma decisão nacional viável que possa dar término à guerra civil.

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ImagemCidade de Kaliningrado, enclave russo no Mar Báltico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2e/Kaliningrad.jpg

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Fontes Consultadas para Leituras Adicionais:

[1] Secretário Geral da OTAN salienta a importância do diálogo político, após Conselho NATORússia” (Acesso: 22.04.2016). Ver:

http://www.nato.int/cps/en/natohq/news_130125.htm

[2] Lituânia questiona os objetivos da Rússia nas negociações da NATO” (Acesso: 22.04.2016). Ver:

http://www.baltictimes.com/lithuania_questions_russia_s_objectives_in_nato_talks/

[3]Conselho da Otan se reúne com Rússia pela primeira vez desde 2014” (Acesso: 22.04.2016). Ver:

http://gazetarussa.com.br/politica/2016/04/21/conselho-da-otan-se-reune-com-russia-pela-primeira-vez-desde-2014_586901

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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