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A semana iniciada no dia 18 de março vem sendo caracterizada pelo desenrolar de acontecimentos provenientes das revelações de Christopher Wylie. Wylie denunciou a prática de coleta de dados e padrões comportamentais de aproximadamente 50 milhões de usuários do Facebook, feito pela empresa Cambridge Analytica, sua empregadora, para a criação de campanhas publicitárias altamente personalizadas para eleitores norte-americanos. A Cambridge Analytica foi fundada e é comandada por Robert Nyx, que recebeu 15 milhões de dólares do investidor Robert Mercer, bilionário do setor da computação e financiador do Partido Republicano dos EUA.

Logo da empresa Cambridge Analytica

Em sua página na Internet, a empresa assume usar dados para mudar o comportamento de sua audiência”, para fins comerciais e políticos. De acordo com o CEO, Robert Nyx, a empresa foi fundada com o intuito de fazer frente à presença do Partido Democrata norte-americano na Internet: “Os democratas haviam liderado a revolução tecnológica, e a análise de dados e o envolvimento digital eram áreas onde os republicanos não conseguiram recuperar o atraso. Nós vimos isso como uma oportunidade”.

No entanto, Christopher Wylie alegou em entrevista ao jornal The Observer, no último sábado, que a corporação foi fundada mediante o acesso a informações de usuários do Facebook, oferecidas pelo acadêmico da universidade de Cambridge, Professor Dr. Aleksandr Kogan. Enquanto um determinado grupo de usuários havia concordado em compartilhar suas informações através de aplicativos de pesquisa no Facebook, Wylie argumenta que os aplicativos davam à Kogan acesso aos dados dos amigos desses indivíduos, os quais não foram informados ou concordaram com a coleta. Dessa forma, Kogan e a Cambridge Analytica obtiveram acesso à toda a rede de pessoas relacionadas a esses usuários.

O ex-estrategista chefe de Donald Trump, Steve Bannon

Ele também alegou que Robert Nyx fundou a empresa após receber 15 milhões de dólares de Robert Mercer, sob intermédio do estrategista chefe da campanha de Donald Trump, Steve Bannon. O delator comenta que a colaboração do investidor republicano Robert Mercer com a Cambridge Analytica fazia parte da estratégia de Steve Bannon para mudar a concepção do eleitor norte-americano, concluindo que, para isso, “eu [Christopher Wylie] fiz a ferramenta de guerra psicológica de Steve Bannon”.

Segundo ainda relatou, após obter as informações a respeito de eleitores, a Cambridge Analytica começava uma campanha de propaganda altamente personalizada para alguns deles, objetivando a manipulação de sua opinião. Em entrevista ao jornal The Guardian, Wylie caracterizou o trabalho que realizou com a Cambridge Analytica como sussurros a respeito de determinadas informações para indivíduos específicos, ao invés de uma discussão em praça pública.

A revelação proporcionada por Christopher Wylie não só coloca a Cambridge Analytica e o Facebook sob foco de um debate a respeito de privacidade, fake news e manipulação de informações, mas também ilustra como a crescente inserção da sociedade moderna no espaço cibernético pode ter consequências em sua percepção do mundo e consequente posicionamento político.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Denunciante Christopher Wylie” (Fonte):

https://www.dailydot.com/layer8/christopher-wylie-facebook-suspended/

Imagem 2 Logo da empresa Cambridge Analytica” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ACambridge_Analytica_logo.svg

Imagem 3O exestrategista chefe de Donald Trump, Steve Bannon” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ASteve_Bannon.jpg

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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