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Estados Unidos e China protagonizam na esfera política e econômica grande influência nas Relações Internacionais, cenário este que conduz análises a cerca do futuro do sistema internacional e a possibilidade de mudança do quadro estratégico vigente.

Nas últimas semanas, prerrogativas que conduzem a tais reflexões ficaram evidentes através da postura mais assertiva de militares chineses de alta patente em relação aos norte-americanos e sua política externa para a Ásia, explicitando tendências no discurso de Beijing quanto a desconfortável presença estadunidense nas cercanias chinesas.

Exemplos recentes da mudança do discurso revelam o quão pragmática tem sido a política externa do presidente Xi Jinping para o Sudeste Asiático, que contempla além de pesados investimentos militares; também a anexação de arquipélagos de grande valor geoestratégico, cujo objetivo inicial é a ampliação de áreas de influência na região sul do continente e conter o novo direcionamento da política externa norte-americana de aprofundar seus esforços com atores asiáticos em detrimento do distanciamento do Oriente Médio.

Nesse sentido, já fora possível evidenciar entreveros com o Vietnã no que tange o deslocamento de plataformas de petróleo para águas disputadas com o governo de Hanói. As Filipinas também se indispuseram com o Governo chinês após navios chineses assumirem o controle de Scarborough Shoal, área no Mar da China Meridional que também é reivindicada por Manila. No Mar do Sul da China, as ilhas Senkau/Diaoyu também são focos de disputas tensas com Tóquio e motivo de desejo do primeiro-ministro Shinzo Abe de alterar a Constituição japonesa a fim de proteger o Estado de possíveis agressões armadas.

Observadores internacionais têm interpretações distintas sobre o comportamento de Beijing. Para parte dos especialistas existe uma tendência que indica a China estar interessada em investir ainda mais em aparato militar, pois vislumbra ser a principal potência asiática no curto prazo e precisa rivalizar com os Estados Unidos no controle da região.

Outros analistas, entretanto, defendem a tese de que o Governo chinês está forçando um cenário que pode não privilegiá-lo no longo prazo, em vista dos inúmeros imbróglios que já causou com diferentes Estados que estão sob a ótica de influência norte-americana. Nas palavras de Rory Medcalf, diretor do Programa de Segurança Internacional do Instituto Lowy, na Austrália, “As ações mais agressivas da China não apenas encorajam outros países a se unirem para conter seu crescimento, como tornam mais fácil para os EUA justificarem a continuidade de seu papel militar na região[1].

Diante de uma conjuntura difusa, é relevante compreender que o atual propósito do Partido Comunista Chinês é rivalizar com Washington. Porém, especialistas acreditam que o “modus operandi” não privilegia uma alteração profunda da ordem mundial, pois não tentam projetar valores universais tal como fizeram os Estados Unidos durante a construção de seu projeto hegemônico.

A premissa latente está no enfoque econômico e nas políticas desenvolvimentistas de dentro para fora. Para que isso aconteça, entretanto, é preciso ter condições de defender seus anseios com a constituição de mecanismos de proteção, pois o projeto tem características agressivas de projeção de poder.

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Imagem (Fonte):

https://graphics8.nytimes.com/images/2012/11/14/opinion/14iht-edpei14/14iht-edpei14-articleLarge.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304519704579598692093631278.html?dsk=y&linkSource=valor&mg=reno64-wsj&url=http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304519704579598692093631278.html?linkSource=valor

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Ver também:

http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/15297/Depois-dos-EUA-vira-a-multipolaridade–e-nao-a-China/

Ver também:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/02/22/the_china_threat

Ver também:

http://www.scmp.com/news/china/article/1416416/chinas-military-power-increasing-threat-us-pentagon-official-admits

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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