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Assad reage com operações psicológicas e apresenta apoio da população ao seu governo

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O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, resolveu mostrar ao mundo que a situação em seu país está sob controle e ele ainda mantém apoio popular. Foi uma iniciativa de “operações psicológicas”, com recursos publicitários, recorrendo à mídia para apresentar uma enorme manifestação popular favorável ao seu Regime.

 

Nesta manifestação divulgada pela TV na semana passada, os cidadãos sírios exibiram uma bandeira de 2,3 km de comprimento, entoavam músicas patrióticas e falavam palavras de ordem, como: “Deus, a Síria, Bashar” e “Com a nossa alma e o nosso sangue, nós nos sacrificamos por tu Bashar” (Fonte: imagens de TV síria, disponibilizadas na internet).

Além da manifestação (que não se sabe qual o grau de representatividade real em relação à população síria, bem como a dimensão e o tipo de envolvimento do governo em sua preparação) os governantes realizaram uma viagem à cidade reconquistada de “Khisr al-Shoghour”, visando divulgação na imprensa sobre a situação na localidade.

Nesta viagem apresentaram outra “fossa comum” no local, onde foram apresentados corpos encontrados no domingo passado, após a retomada da cidade. Segundo afirmaram, os mortos estavam desfigurados, apresentando sinais de tortura.

Complementarmente a estas medidas, na quarta-feira, dia 15 de junho, o governo apresentou ofensiva diplomática mandando um emissário para conversar com o Primeiro-Ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e buscar a reaproximação entre os dois mandatários, algo que ficou abalado com as declarações de Erdogan sobre a situação na Síria, bem como as suas exigências de que Assad parasse com as agressões ao povo. O objetivo central é tentar restabelecer esta frente de diálogo com os países do Ocidente por intermédio da Turquia devido à penetração e aceitação deste país entre europeus e norte-americanos.

O Presidente sírio continua afirmando que as ações perpetradas com violência se dão para frear os “grupos armados” que, em suas palavras, estão “aterrorizando” as populações das cidades do país e com este discurso continua mandando atacar as cidades onde há manifestações da oposição, tal qual ocorreu neste último final de semana na província de Idleb, ao norte.

No entanto, os europeus e norte-americanos não aceitam suas afirmações, já que a Síria está fechada e não permite a entrada de grupos de “Direitos Humanos” para averiguar o que se passa em toda a plenitude.

Como porta-voz do Ocidente, a França está empenhada em conseguir os 11 votos necessários no “Conselho de Segurança da ONU” para a aprovação de uma Resolução contra o governo da Síria, mas a tarefa tem sido dificultada por vários dos países que atualmente fazem parte do Órgão, especialmente a Rússia, cujo presidente, Dmitri Medvedev, afirmou ontem (dia 19 de junho) que vetará qualquer Resolução no “CS da ONU” contra Assad.

Tais governantes acreditam que uma sanção dura vinda do Conselho não resolverá o problema e temem que se repita o que ocorre na Líbia, onde afirmam estar havendo uma invasão militar, percepção não compartilhada por europeus, norte-americanos e outros países que fazem parte da Coligação que está dando suporte aos rebeldes que enfrentam Muammar Kadhaffi, o mandatário líbio.

O Brasil, por exemplo, país que é contra uma Resolução do “CS da ONU” que leve a qualquer forma de intervenção está buscando junto à China e a Rússia que seja apresentada como alternativa uma declaração conjunta reprovando a situação, condenando a violência e solicitando reformas políticas para mudar a estrutura do regime, mas com tom menos impositivo que o de uma Resolução, para se obter tempo e realizar negociações mais profundas, envolvendo outros países.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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