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Ataque dos EUA com drones mata 10 militantes da Al-Qaeda no Iêmen

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Ataques norte-americanos com drones mataram ao menos 10 pessoas nesta terça-feira, 4 de novembro, perto da cidade de Radaa, no centro do Iêmen[1]. Shawqi al-Badani, alto líder da al-Qaeda na Península Árabe (AQAP) e líder local da filial armada da Al Qaeda, a Ansar al-Sharia, é considerado um “terrorista global” pelos Estados Unidos e estava entre outros quatro membros mortos em virtude do ataque ocorrido durante a noite.

Al-Badani foi acusado de ter ligações com atentados suicidas em 2012 que mataram mais de 100 soldados iemenitas e relação com uma conspiração envolvendo a Embaixada dos EUA no Iêmen[2]. De acordo com fontes locais, Nabil al-Dahab, líder da Ansar al-Sharia na Província de al-Bayda, no Iêmen, pereceu conjuntamente na operação[3].

Outras 10 pessoas foram mortas em confrontos entre o grupo militante Ansar al-Sharia e os xiitas Houthi, que tomaram conta da capital iemenita Sanaa e avançaram para o sul em áreas de maioria sunita[1]. O combate deflagrou-se em diferentes partes do Iêmen, desde que os Houthis aumentaram sua envergadura nos últimos meses, ameaçando a frágil estabilidade do país. As forças Houthis tomaram controle de Sanaa em setembro e se propagaram para o Iêmen central e ocidental. Este movimento vem sendo combatido por membros de tribos sunitas e combatentes da Al-Qaeda, que consideram os Houthis hereges[3].

Os chamados “revolucionários yemenitas”, Ansarullah, cujo líder é Sayyed AbdulMalik al-Houthi, demonstraram nesta terça-feira preocupação com o “caos representado pela crescente ameaça do terrorismo takfiri no país[4]. Militantes da Al-Qaeda frequentemente realizam ataques contra forças de segurança do Iêmen e travaram batalhas mortais com militantes do Ansarullah.

A violência ligada à Al-Qaeda contra as forças de segurança iemenitas vem crescendo desde fevereiro de 2012, quando o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi subiu ao poder em uma eleição de um homem só e apoiado pela Arábia Saudita e os Estados Unidos[4].

Houthi e Al-Qaeda têm lutado pelo controle da província de Al-Bayda – cuja maior cidade é Radaa – por quase duas semanas. De acordo com a Agência de Notícias turca Anadolu, nos últimos meses o Iêmen pareceu oscilar à beira da guerra civil, com a expansão do controle dos Houthis para além da capital Sanaa em direção a outras partes do país[5]. Sua crescente influência tem colocado o movimento xiita contra a Al-Qaeda, que permanece ativa no país politicamente turbulento[5].

Após assumir o controle de Sanaa, centenas de combatentes Houthis criaram postos de controle dentro e em torno da capital iemenita. Eles também expandiram seu alcance para a maioria das províncias do norte do Iêmen, mas estão tendo dificuldade em combater a Al Qaeda em Al Baitha, considerado um dos principais redutos da rede no centro do Iêmen[6].

Mais de 400 pessoas já foram mortas de ambos os lados durante o mês passado em confrontos ainda em curso nas províncias de Al Baitha e Ibb[6]. Os Houthis há muito se queixam de terem sido marginalizados e perseguidos pela maioria sunita do Iêmen e se envolveram em uma série de rebeliões desde 2004, justificando suas ações através da alegação de legítima defesa[6].

Embora as atuais atenções estejam incidindo mais fortemente sobre as guerras dos Estados Unidos no Iraque e na Síria, os EUA continuaram seu bombardeio secreto à supostos militantes da Al-Qaeda no Iêmen e no Paquistão[1] e o país reconhece o uso de drones no Iêmen, mas não comenta publicamente sobre a prática.

A Al-Qaeda e suas afiliadas no Iêmen estão entre os ramos mais ativos da rede fundada por Osama bin Laden[3] e os ataques com drones pelos Estados Unidos supostamente apoiam a iniciativa do Governo do Yemen em combatê-la no país. Os Houthis, apesar de terem sido críticos aos ataques de drones norte-americanos no passado, aparentemente não se opuseram à sua utilização no último mês[6].

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Imagem AFP: Ataque com drone norte-americano matou ao menos 10 supostos militantes da Al-Qaeda nesta terçafeira, 4 de novembro de 2014, no centro do Iêmen” (Fonte):

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/drone-strike-kills-yemen-al-qaeda-official-201411565441924278.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/11/4/headlines#1142

[2] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/11/5/headlines#1159

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/11/drone-strike-kills-yemen-al-qaeda-official-201411565441924278.html

[4] Ver:

http://www.almanar.com.lb/english/adetails.php?eid=179518&cid=23&fromval=1

[5] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/world/414737–us-drones-strike-qaeda-militants-in-central-yemen

[6] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/04/world/meast/yemen-violence/

 

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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