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Ataques indiscriminados sírios e russos sobre Aleppo causam centenas de vítimas

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Aleppo, localizada ao norte da Síria e a maior cidade daquele país, tem tentado resistir aos intensos bombardeios dos últimos dias desferidos pelo regime de Bashar al-Assad e de seus aliados russos. A divisão de Aleppo entre o Governo, que controla a zona oeste, e os insurgentes, que mantêm sob domínio a zona leste, transformou a cidade no palco da violência exacerbada que já fez centenas de vítimas, ao longo das últimas duas semanas. Aleppo é uma cidade estratégica, em termos econômicos, militares e simbólicos, para as partes envolvidas na contenda. Fora do alcance do frágil cessar-fogo recentemente assinado, as forças militares fiéis a al-Assad tencionam retomar o controle total daquela cidade, o que poderá levar à intensificação das hostilidades, uma vez que, de acordo com analistas, os insurgentes poderão convocar para Aleppo, se for necessário, os combatentes que estão em outras partes do país.

O retorno à normalidade, em Aleppo e na Síria, parece estar distante. Em fevereiro deste ano (2016), Bashar al-Assad anunciou que pretende retomar todo o território sírio, tendo avisado que os combates serão longos. Segundo ele, “não é lógico dizermos que há uma parte do nosso território à qual vamos renunciar”. A determinação de al-Assad é assegurada por aliados como a Rússia, o Irã e o Hezbollah. Segundo informações, as ofensivas são planejadas por iranianos e pelo Hezbollah, cujas milícias atuam como soldados de Infantaria, enquanto que a Rússia é o combustível que alimenta e dá fôlego aos combates no terreno.

Na sexta-feira, 29 de abril, as Forças Armadas da Síria anunciaram um “regime de calma” aplicável somente a Damasco e a alguns arredores da capital, incluindo o noroeste de Latakia, uma região com interesse estratégico russo. Um funcionário sênior do Ministério de Defesa, em Moscou, divulgou que as negociações de domingo, 1o de maio, objetivavam “estabelecer um regime de calma, também na província de Aleppo”. Porém, na segunda-feira, 2 de maio, os ataques retomaram depois da meia-noite. Nesta mesma segunda-feira, o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que o conflito sírio está “em muitos aspectos fora de controle”.

Neste contexto, é válido assinalar que os acontecimentos na Síria, ao longo dos 5 anos de Guerra Civil, têm sido acompanhados por uma série de ações violentas, praticadas tanto pelo Governo quanto pelos radicais islâmicos, que comprometem os Direitos Humanos e violam o Direito de Guerra. Há registros de que o regime tem lançado “ataques indiscriminados e ataques que atingiram diretamente civis, incluindo o bombardeamento de áreas residenciais civis e instalações médicas com Artilharia, morteiros, […] e, alegadamente, agentes químicos que, de modo ilegal, mataram civis”.

Os aproximadamente 30 ataques sobre Aleppo, somente no sábado, 30 de maio, causaram 250 mortos, a destruição do hospital al-Quds, que levou a óbito 27 pessoas, entre elas 3 crianças e três médicos, incluindo Mohammed Wasim Moaz, o único Pediatra naquela área, o que atesta tais evidências. Em oito dias, o regime lançou “260 ataques aéreos, 110 de artilharia e 18 mísseis”. Conforme informou a Defesa Civil na Síria, sob o controle da Oposição, denominada de Capacetes Brancos, caíram 68 bombas.

A inflexibilidade do regime sírio e de seus aliados, assim como dos grupos armados que operam naquele território, faz sucumbir as possibilidades de entendimento entre os envolvidos quanto ao fim das batalhas. Se, por um lado, as negociações com os insurgentes não têm avançado, com o Governo há abertura somente para as conversações, pois as determinações dos acordos de cessar-fogo têm sido praticamente ignoradas. Enquanto isso, muitos seres humanos continuam a ser vitimados num processo de disputa pelo poder que já causou várias centenas de milhares de mortos, deslocados e refugiados.

Sem previsão para acabar, o conflito armado na Síria continua a ser letal para os cidadãos daquele país, desafiando a comunidade internacional a encontrar uma solução satisfatória para uma Guerra Civil que assola a população local e que, há algum tempo, se tornou o berço da ameaça ao Ocidente.

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ImagemFumo é avistado numa das ruas principais do bairro de Salaheddin, norte de Aleppo, na sequência de um ataque aéreo (24 de abril de 2016)” (Fonte):

https://a.abcnews.com/images/International/GTY_aleppo_syria_jef_160425_12x5_1600.jpg

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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