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Aumenta a tensão entre Moçambique e Malawi, após ataques a caminhões de combustível

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Uma série de caminhões transportadores de combustível, advindos do Malawi, foram incendiados por milícias moçambicanas na semana passada. Ainda que as motivações para os ataques não estejam totalmente claras às autoridades locais, o fato ocorrido aumentou a temperatura nas relações diplomáticas entre Moçambique e Malawi, já tencionadas nos últimos meses pela conjuntura atual.

O conflito instaurado entre os principais partidos políticos de Moçambique – a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) –, acentuou o processo migratório para o Malawi. Fontes locais já trabalham com estimativas de que, atualmente, 11 mil moçambicanos buscam abrigo no país vizinho.

Somado à complicação política, Moçambique tem presenciado um significativo retrocesso de sua economia nacional, com o crescimento expressivo dos índices de preços e retirada de parte dos investimentos estrangeiros diretos no país. Com isso, pioram as condições de emprego e renda dos moçambicanos, motivando muitos a buscarem novas oportunidades de vida no Malawi.

O governo do Malawi, através do Ministério das Relações Exteriores, expressou preocupação quanto aos ataques aos caminhões. Incrustrado, à leste, entre Moçambique e Tanzânia, e à oeste e sul pela Zâmbia e Zimbábue, o país não dispõe de acesso direto ao Oceano Índico, dependendo, assim, necessariamente, da rota por Moçambique para abastecer a sua população com os produtos importados.

Parte dos transportadores do Malawi cogitam alterar a rota usual via território moçambicano para uma rota alternativa, passando pela Zâmbia e, posteriormente, rumando a sul em direção ao Zimbábue. No entanto, esta rota é mais longe e mais custosa, o que implicaria em consideráveis reajustes de importantes produtos para a população do Malawi.

O episódio representa mais um de tantos nos últimos meses de tensão entre Moçambique e importantes países aliados. Recentemente, Estados Unidos e Estados da União Europeia reavaliaram o atual apoio financeiro ao país africano, após a revelação de casos de má gestão financeira do patrimônio público, em específico da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM).

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ImagemCrossed Flags Pin” (Fonte):

https://www.crossed-flag-pins.com/Friendship-Pins/Malawi/Flag-Pins-Malawi-Mozambique.html

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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