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[:pt]Automação industrial e mercado de trabalho: o estado do debate na China[:]

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A substituição de trabalhadores por máquinas parece estar se intensificando no setor industrial da China. Este movimento já vem ocorrendo de forma significativa nos países desenvolvidos há algumas décadas e suscita questões acerca do futuro dos mercados de trabalho frente à automação. Esta conjuntura nos leva a questionar quais serão os impactos globais da automatização na China e quais indústrias serão mais afetadas.

Desde o ano de 2013, a China se tornou o maior comprador mundial de robôs para atuação na indústria. Estima-se que nove robôs sejam capazes de realizar o trabalho de 140 trabalhadores manuais, executando funções simples. Apenas no ano de 2015, a China adquiriu 66.000 do total de 240.000 robôs vendidos globalmente. Se analisada através da perspectiva dos empresários, incorporando-se a racionalidade econômica e a busca pelo lucro, este tipo de investimento faz sentido. No entanto, sob a perspectiva de Estado e pensando em um problema global ligado à desigualdade, este tipo de lógica é preocupante.

Vários fatores estimulam estas mudanças: o aumento da remuneração dos trabalhadores chineses, ao passo que cresce o estrato social da classe média e os jovens buscam novas áreas de atuação; a diminuição do preço dos robôs para uso industrial, além do aumento de suas capacidades e eficiência; e, por fim, a competição no mercado, que pressiona os proprietários e administradores das fábricas a se alinharem com as mais avançadas práticas de produção, que possibilitem menores preços e/ou maior diferenciação do produto.

O uso de robôs demanda uma força de trabalho mais bem preparada, porém isto significa menor número de empregos, o que inclui o desenvolvimento de novas habilidades e/ou mais anos de educação formal. O conjunto deste movimento pode dificultar a entrada no mercado de trabalho para aqueles que não possuam estes requisitos. Outros argumentos enfatizam que, no longo prazo, as mudanças demográficas exigirão o uso de robôs para que a China mantenha o seu nível de produtividade, à medida que a população economicamente ativa do país vá diminuindo devido ao envelhecimento.

Uma análise histórica dos diferentes processos de industrialização demonstra que a substituição de trabalhadores de baixa remuneração no campo pelo trabalho de maior remuneração na indústria foi um importante fator para que as nações pudessem se desenvolver. Globalmente, a troca de trabalhadores por máquinas poderia alterar a possibilidade de países menos desenvolvidos atingirem este processo. O uso de máquinas no médio e longo prazos poderá aumentar os custos do investimento inicial necessário para ingressar em determinada atividade econômica com suficiente competitividade para permanecer no mercado, suscitando concentração industrial para alguns e desindustrialização prematura para outros países.

Um estudo realizado pelo Instituto Mckinsey estima que quase metade dos empregos que existem atualmente poderão ser extintos até o ano de 2055, devido à automação. Outro estudo do mesmo instituto aponta que os setores mais resilientes a estas mudanças parecem ser as atividades que envolvam gestão de pessoas e de equipes, atividades de tomada de decisão, planejamento estratégico, produção criativa, além de suporte humano e psicológico. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Linha de montagem automatizada” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/7/6211/6858583426_1f003ea519_b.jpg

Imagem 2 Imagem estilizada simbolizando a indústria” (Fonte):

https://c1.staticflickr.com/4/3677/11286011483_9a9a3a1a14_b.jpg

Imagem 2 Crescimento populacional na China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/Population_and_Natural_Increase_Rate_of_PRC.jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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