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Brasil e Rússia estão finalizando um acordo para a compra de sistemas de defesa antiaérea móvel de médio alcance (o denominado Panzir) e portátil de curto alcance (o Igla) que havia sido acertado entre a presidente brasileira Dilma Rousseff e o presidente russo Vladimir Putin, em dezembro do ano passado (2012).

De acordo com o divulgado, a compra faz parte de um acordo de parceria estratégica de longo prazo na qual está presente a transferência de tecnologia. Em declaração feita após o encontro realizado com seu par russo Sergey Kuzhugetovich, ocorrido na quarta-feira, dia 16 de outubro, o ministro brasileiro da Defesa, Celso Amorim, afirmou: “Não se trata de uma visita para comprar ou vender, mas de uma visita de cooperação estratégica entre integrantes do Brics [grupo composto pelos principais países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul][1].

A parceria pretende ser mais ampla, envolvendo o estabelecimento de um grupo para realizar pesquisa e aplicação em questões de defesa cibernética, além de executar intercâmbios de militares para aprimoramento técnico.

Nesse sentido, o Ministro brasileiro ressaltou esse desejo de uma parceria estratégica, a qual certamente poderá vir a representar uma ampliação do cenário brasileiro em termos militares e uma resposta aos EUA em relação aos incidentes ressentes, caso a declaração feita por Celso Amorim à autoridade russa se confirme.

Afirmou: “Nossa visão em relação à Rússia não é a compra eventual de equipamentos militares. Até podemos fazê-lo, mas nossa visão é, sim, busacar (sic) parceria estratégica voltada para o desenvolvimento tecnológico conjunto. Por isso, nossas primeiras experiências com vocês são tão importantes[1].

Além disso, também declarou que há possibilidade de tratar da questão da aquisição dos caças para a “Força Aérea Brasileira” (FAB), pois, de acordo com seu entendimento, o projeto atual visa a aquisição de caças de 4a Geração, mas existe o objetivo de desenvolver caças de 5a Geração, que o russos detém. Esta afirmação trouxe questionamentos sobre a real intenção por parte do Ministro brasileiro ao dialogar com o russo, ou se ele detém conhecimentos adequados acerca do “Projeto FX2”. 

O projeto visa a aquisição de tecnologia, além dos caças, para capacitar o Brasil a produzi-los e desenvolvê-los em última geração. Além disso, conforme vem sendo divulgado na mídia, o caça da SAAB, o “Grippen NG”, é um caça de 5a Geração e, mesmo que seja um projeto em acabamento, já existem alguns modelos de demonstração já concluídos.

Ressalte-se, no entanto, que a parceria entre brasileiros e russos vem sendo trabalhada já há um certo tempo, havendo possibilidades de ser efetivada em diversas áreas, além das citadas, tendo ocorrido ofertas dos russos para a venda de vários tipos e categorias de equipamentos, incluindo carros de combate de última geração para o Exército brasileiro.

O principal questionamento diz respeito a possibilidade de transferência de tecnologia sensível, o que envolve o problema da credibilidade em relação aos russos, algo solucionável com o aumento das relações diplomáticas entre os dois países, mas, principalmente, no que refere ao tempo necessário para formar quadros técnicos capazes de receber esta tecnologia.

Nesse sentido, caso essa parceria anunciada se concretize e se expanda, e para tanto foi divulgado que uma equipe técnica irá a Rússia para resolver detalhes e assinar o contrato, será possível ter nos russos um aliado estratégico capaz de redimensionar as relações de poder militar no continente americano.                    

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Fonte consultada:

[1] Ver:

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/10/brasil-e-russia-discutem-parceria-estrategica-na-area-militar

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Mesma notícia disponível em:

http://noticias.br.msn.com/brasil/brasil-e-rússia-discutem-parceria-estratégica-na-área-militar

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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