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Azerbaijão tem o primeiro encontro entre generais da OTAN e da Rússia desde 2014

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Na última quinta-feira, dia 7 de setembro, os generais Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior da Federação Russa, e Petr Pavel, chefe do Comitê Militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reuniram-se em Baku, capital do Azerbaijão, pondo fim a um longo período sem contatos diretos entre representantes militares das duas partes. Em 2014, a OTAN havia suspendido toda cooperação civil e militar com os russos sob a alegação de que Moscou teria ocupado ilegalmente a península da Crimeia, então sob o controle da Ucrânia.

General Pavel e General Gerasimov em Baku

A escolha de Baku como sede das conversas não parece ter sido uma decisão aleatória. Em fevereiro passado, a mesma cidade já havia abrigado o encontro entre Gerasimov e o general Joe Dunford, líder da comissão dos chefes do Estado-Maior dos Estados Unidos.   A preferência pela capital azerbaijana se explica pelo país ser um dos poucos da Europa a permanecer neutro em relação à disputa geopolítica entre a Rússia e o Ocidente. Sobre a organização desta mais recente reunião, o Presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, disse estar “interessado em reduzir a tensão em escala global e satisfeito por manter essas importantes conversações pela segunda vez em Baku”.

Relatos indicam que o principal tópico debatido foi o conjunto de exercícios militares denominado Zapad-2017 (Oeste-2017, em russo), que está marcado para acontecer entre os dias 14 e 20 de setembro na Rússia e na Belarus. A realização destas manobras está gerando preocupações entre os membros da OTAN, em especial Polônia, Lituânia e Letônia, países que compartilham fronteira com a Belarus. O temor é de que as tropas russas não sejam retiradas após o término das atividades agendadas.

Exercícios Zapad-2009

Apesar das desconfianças, o Vice-Ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, já havia assegurado, durante uma conferência à imprensa em 29 de agosto, que “os exercícios Zapad-2017 têm um foco antiterrorismo, bem como um caráter puramente defensivo”. Ainda assim, em visita oficial à Estônia em 6 de setembro, o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, alegou “falta de transparência” por parte dos russos e anunciou que a Aliança irá “monitorar a atividade de perto”.

Embora a retomada das conversas entre a OTAN e a Rússia seja um indicativo positivo da reabertura de canais de comunicação, é pouco provável que esse encontro venha a dirimir as tensões crescentes entre os dois rivais. No entanto, é relevante notar o novo papel desempenhado pelo Azerbaijão, que emerge como um país seguro para sediar encontros conciliatórios desta natureza.

Contando com uma sociedade ao mesmo tempo muçulmana e secular e posicionado entre o Ocidente e o Oriente, é esperado que em um futuro não distante o país possa expandir o escopo desta função mediadora e passar também a se colocar como um tão necessário elo entre a Europa e o mundo islâmico que a cerca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Vista noturna de Baku” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Baku#/media/File:Bak%C3%BC_gece_g%C3%B6r%C3%BCn%C3%BC%C5%9F%C3%BC.jpg

Imagem 2General Pavel e General Gerasimov em Baku” (Fonte):

http://www.nato.int/cps/en/natohq/news_146764.htm

Imagem 3 Exercícios Zapad2009” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Zapad-99_exercise#/media/File:Zapad-2009_military_exercises.jpg

Rodrigo Monteiro de Carvalho - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduado em História também pela UFRJ. Atua na área de Política Internacional, formação de alianças e segurança regional. Desenvolve pesquisas com enfoque específico no estudo dos países do Cáucaso do Sul, Eurásia e espaço pós-soviético. É membro do Grupo de Pesquisas de Política Internacional (GPPI/UFRJ) e do Laboratório de Estudos dos Países do Cáucaso (LEPCáucaso).

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