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Banco Mundial empresta 4,140 Bilhões à Argentina.

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Em relação ao empréstimo feito pelo Banco Mundial, Pedro Alba, representante da instituição para a Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, afirmou que os recursos se destinam à manutenção de gastos sociais no contexto da crise econômica mundial. Assim, evita-se que este setor perca recursos que são importantes na manutenção da qualidade de vida e escassos nesses momentos.  

Deve-se ressaltar que a atual perda da capacidade argentina em atrair investimentos estrangeiros esta ligada à moratória do país no governo Menem, quando desagradou os investidores externos; descapitalizou a população e trouxe dúvidas quanto a segurança jurídica do país.

Ao comprometimento da poupança interna seguiu-se uma forte crise econômica. Todo o crescimento posterior a crise gerada pela moratória argentina foi apenas à tentativa de recuperação de níveis anteriormente já conquistados (rebote estatístico), embora tenha sido visto como um grande feito político. Mas, o prejuízo ficou. Marcado, principalmente, pelo receio do capital estrangeiro.

Um capítulo significativo nesta nova realidade foi à escolha do Uruguai como sede do complexo industrial de celulose. Este fato gerou descontentamento argentino levando a protestos do governo e da população. A principal bandeira argentina foi a ecológica. Foram feitos piquetes para impedir a passagem pela fronteira entre os dois países na região de Fray Bentos e, como o governo apoiou a ação da população, as relações entre os dois países estremeceram. Respingando, inclusive, no MERCOSUL.

Para melhor enquadrar a amplitude da dúvida dos investidores, deve-se acrescentar a um passado de receio de parte dos argentinos com relação ao capital brasileiro. Visto e taxado como predatório, a penetração de empresas e produtos brasileiros sempre obteve resistência por parte do empresariado e dos setores sindical e político, por isso existem tantas barreiras aos produtos do Brasil.

O mais problemático é a implantação por medidas oficiais de uma política de diferenciação de preços a serem praticados para brasileiros, além de estrangeiros de outros países. A cobrança de preços diferenciados para consumidores brasileiros demonstra uma política discriminatória, embora ela não seja visível nos grandes centros turísticos. No interior ela ocorre de forma mais aberta. Seja no valor cobrado pelo litro de combustível, seja na entrada do parque nacional de Iguaçu, há uma descriminação evidente. No setor empresarial, principalmente o de transporte de mercadorias via rodoviária, são comuns as queixas com relação ao tratamento dado pelas autoridades aos caminhoneiros brasileiros.

Por último, a crise interna entre o governo e os setores produtivos do campo, tem gerado má avaliação acerca de sua capacidade de negociação, ademais, a política agrícola adotada tem dado indícios de que o atual governo não vem beneficiando o país e demonstra a forma como trata um dos mais importantes e tradicionais setores de sua economia. Em vista disso fica difícil estimular o capital estrangeiro para direcionar seus olhos ao potencial do país.

Assim, o empréstimo do Banco Mundial ocorre baseado em sua filosofia de auxiliar o desenvolvimento. Com isto, visa propiciar uma melhora econômica e social do país, que diante da crise econômica mundial, não teria condições de implantar estas medidas. Ele não é um aval das boas condições políticas e econômicas da Argentina, mas uma tentativa de melhorar algo que lhes preocupa desde que, exija a aplicação das medidas adequadas para evitar que os empréstimos sejam infrutíferos, como já foi frisado.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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