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Barack Obama pede ao Congresso dos Estados Unidos 3,7 bilhões de dólares em face da situação crítica de crianças imigrantes da América Central

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Na terça-feira, dia 8 de julho de 2014, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, solicitou com matéria de urgência ao Congresso estadunidense a soma de 3,7 bilhões de dólares em resposta à extensiva onda de jovens imigrantes da América Central que vêm atravessando a fronteira do Texas (estado dos Estados Unidos) na região de Rio Grande Valley, desde outubro de 2013.

De acordo com o presidente Obama, a verba será destinada à construção de novas penitenciárias, à condução de vigilância aérea mais reforçada e à contratação de mais juízes de imigração e patrulhas fronteiriças[1]. Essas medidas visam por um lado lidar com a imigração súbita de 52 mil crianças da Guatemala, Honduras e El Salvador para dentro do território estadunidense, o que Obama chamou de “uma situação humanitária urgente”. Por outro lado, os recursos devem atender aos impactos que o fluxo de imigrantes teve na economia local, que levaram a protestos acalorados de cidadãos estadunidenses.

Membros do Partido Republicano dos Estados Unidos, que vêm exigindo um law enforcement mais rigoroso das Leis de Imigração na Fronteira México – Estados Unidos, enxergam a demanda urgente do presidente Obama com ceticismo, devido à natureza de seus componentes e também por outra demanda executiva de verba que já havia sido feita pelo Presidente em 2012[2].

A entrada ilegal de menores desacompanhados não é um fenômeno recente, afirma Tom Dart, do jornal The Guardian. No ano fiscal de 2009, agentes da fronteira estadunidense encontraram 16.114 crianças apenas do México. Nesse mesmo ano fiscal foram encontradas 968 crianças desacompanhadas de Honduras e em 2013 um total de 6.474 crianças hondurenhas. O Rio Grande Valley tornou-se a região escolhida pelos imigrantes centro-americanos, onde as entradas cresceram de ano para ano em 178%, em oposição a entradas pelo estado do Arizona, onde a segurança na fronteira foi reforçada nos últimos anos.

Oficiais do Governo Obama relataram que a vasta chegada de imigrantes da América Central é devida às condições de pobreza e violência as quais essas populações são submetidas em seus países, onde hostilidades de gangues são endêmicas[3]. Em um Relatório (Children on the run) lançado em março de 2014, pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), 404 crianças separadas ou desacompanhadas do México, El Salvador, Honduras e Guatemala foram entrevistadas, constatando que “unequivocally that many of these displaced children face grave danger and hardship in their countries of origin” (“Inequivocamente que muitas dessas crianças deslocadas enfrentam grande perigo e dificuldades em seus países de origem”, tradução livre)[4].

Na segunda-feira, dia 7, Josh Earnest, Porta-Voz da Casa Branca, declarou que Washington acredita que a maioria dessas crianças ilegais nos Estados Unidos não terá um procedimento de asilo bem-sucedido, pois as probabilidades delas serem “qualificadas” para receberem ajuda humanitária são pequenas, significando que não terão a base legal para permanecer nos Estados Unidos e serão devolvidas aos seus países de origem[5].

Obama está em Dallas, Texas, desde quarta-feira, dia 9 de julho, onde irá comparecer a uma “reunião” com membros dos partidos Democrata e Republicano, sobre imigração e posteriormente a um evento de caridade do Partido Democrata, dando continuidade às “reuniões” em Austin, Texas. Nesse mesmo dia, a American Civil Union Liberties Foundation of Southern California(ACLU) anunciou uma ação judicial acusando o Governo Federal dos Estados Unidos de não providenciar às crianças imigrantes uma representação legal durante audiências de deportação contra esses menores[6].

Obama, ainda em sua visita a Dallas, afirmou que faria a “coisa certa” para essas crianças, mas, ao mesmo tempo, pediu aos países da América Central para interromperem o envio delas aos Estados Unidos, explicando que isso constitui uma viagem “especialmente perigosa”. Por fim, o Presidente estadunidense anunciou que provavelmente esses menores não poderão ficar nos Estados Unidos[7].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-28214704

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.whitehouse.gov/the-press-office/2014/07/08/fact-sheet-emergency-supplemental-request-address-increase-child-and-adu

[2] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/07/09/us/obama-seeks-billions-for-children-immigration-crisis.html?ref=us

Ver também:

http://www.nytimes.com/2014/07/10/us/politics/obama-on-texas-trip-will-face-immigration-critics.html?ref=us&_r=1

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/jul/09/us-immigration-undocumented-children-texas

[4] Ver:

http://www.unhcrwashington.org/sites/default/files/UAC_UNHCR_Children%20on%20the%20Run_Full%20Report.pdf

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-us-canada-28214704

[6] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2014/jul/09/senate-panel-migrant-crisis-live?view=desktop#block-53bd51fee4b041140edabf0c

Ver também:

https://www.aclusocal.org/representation-for-children/

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/07/10/us/politics/immigration.html?ref=us

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Ver ainda:

https://news.vice.com/article/us-government-tries-deporting-migrants-from-texas-to-california-but-fails?utm_source=vicenewsfb

Sophia Zaia - Colaboradora Voluntária Júnior 2

Graduanda em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Curitiba-UNICURITIBA. Realizou, no ano de 2011, intercâmbio institucional na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, no curso de Relações Internacionais. Foi bolsista pelo Canadian Bureau for International Education (CBIE), no programa Emerging Leaders in the Americas Program (ELAP), no período de janeiro a maio de 2012, na Universidade de Winnipeg, nos cursos de International Development Studies e Conflict Resolution Studies. É atualmente bolsista da FUNADESP na área de estudos em Hegemonia Econômica dos Estados Unidos.

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