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Big data para a paz

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A expressão “big data” pode ser definida como “grandes conjuntos de dados produzidos por pessoas que utilizam a internet e que só podem ser armazenados, compreendidos e usados com a ajuda de ferramentas e métodos especiais”. Nos últimos anos, esse termo tem alcançado grande visibilidade no âmbito da política internacional, sobretudo devido à sua utilização nas eleições presidenciais norte-americanas e na campanha para a saída do Reino Unido da União Europeia, ambas ocorridas em 2016.  

Mark Zuckerberg

Acusações posteriores associadas à forma como esses dados teriam sido produzidos e utilizados pelo Facebook e pela empresa britânica Cambridge Analytica suscitariam uma série de questionamentos sobre a invasão da privacidade dos usuários da rede, levando, inclusive, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, a prestar esclarecimentos no Congresso americano em abril de 2018, e a Cambridge Analytica a anunciar o fim das suas atividades no mês seguinte.

No entanto, conforme afirma Henry Kissinger (2015, p. 345) na obra Ordem Mundial, “o ciberespaço desafia toda experiência histórica. É onipresente, porém não ameaçador em si mesmo; a ameaça depende do uso”. Nesse sentido, deve-se considerar que o big data também pode ser utilizado com finalidades mais construtivas, é o que demonstra, por exemplo, pesquisa recente do Peace Innovation Lab da Universidade de Stanford, na Califórnia.

Middle East

Os pesquisadores asseveram que “o big data pode ser conceituado em termos da sua capacidade de compreender e de iniciar interações pacíficas”. Dessa forma, iniciativas como o Peace Dot, página criada em parceria entre o Peace Innovation Lab e o Facebook para identificar o número de amizades realizadas na plataforma entre grupos em conflito (Israel X Palestina; Paquistão X Índia; Ucrânia X Rússia), enfatizam “o argumento segundo o qual, mesmo quando o conflito entre esses grupos está em alta, os indivíduos pertencentes a eles estão fazendo mais amizade do que machucando uns aos outros”.

No mesmo sentido, ainda conforme a pesquisa, a organização The Peace Factory objetiva promover a paz no Oriente Médio por meio do incentivo à interação entre os povos da região, como ocorreu, por exemplo, por meio da criação da página Israel-Loves-Iran, um espaço público e seguro que facilitaria a comunicação entre indivíduos desses países e que, posteriormente, estimularia a criação de uma série de iniciativas similares.

O estudo sugere que os benefícios desse contato inicial por meio de tecnologias mediadoras, como o Facebook, têm o potencial de mitigar o preconceito entre esses indivíduos, aumentado o conhecimento mútuo entre eles e resultando no fortalecimento da paz. Ademais, de acordo com os pesquisadores, a análise sistemática desses dados teria o potencial de auxiliar no planejamento de ações fora do mundo virtual que promovessem esses contatos, fortalecendo, assim, a empatia entre os povos de diferentes culturas.

Deve-se destacar, contudo, que, devido ao seu potencial de mudar consideravelmente o comportamento humano,  o emprego do big data deve ser acompanhado por um debate aprofundado e transparente sobre as considerações éticas da sua utilização.

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Referência:

KISSINGER, Henry. Ordem Mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 DARPA Big Data ” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Big_data#/media/File:DARPA_Big_Data.jpg

Imagem 2 Mark Zuckerberg” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/23/Mark_Zuckerberg_F8_2018_Keynote.jpg/800px-Mark_Zuckerberg_F8_2018_Keynote.jpg

Imagem 3 Middle East” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Middle_East_%28orthographic_projection%29.svg

                                                                                               

Danilo Reis - Colaborador Voluntário

Mestre em Relações Internacionais (UEPB), especialista em Direito Internacional e Comércio Exterior (UnP) e bacharel em Relações Internacionais (UnP). É professor universitário e coordenador acadêmico, interessa-se por temas como: Cooperação Internacional em Ciência, Teconolgia e Inovação; Diplomacia Científica; Technopolitics e Peace Innovation.

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