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[:pt]Biologia Sintética pode ser a tecnologia que a China esconde[:]

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A gente não sabe aquilo que não sabe” é um bordão da Inteligência Estratégica. O grande desafio dos profissionais da Inteligência, seja de Estado, militar, econômica ou competitiva (empresarial) é coletar dados e informações sobre tecnologias em desenvolvimento. O maior desafio é, sem dúvida, identificar tecnologias que a Contrainteligência de Atores (pessoas e organizações) se esforça em ocultar.

Destacamos na Nota Analítica “Internet+, o Programa de Digitalização da Economia Chinesa” a robotização e a digitalização como molas propulsoras do crescimento da China nos próximos anos, seguindo o modelo de crescimento e a direção estratégica de países como Israel, Alemanha e Singapura. As vedetes dessa tendência seriam as impressoras 3D de tecnologia-de-ponta para a revenda de ideias, design e conceitos, aspectos produtivos que ficam com a maior parte da produção na forma de royalties.

Mas, um conceito realmente inovador, muito pouco comentado em feiras e exposições de tecnologia, é o da biologia sintética.

Quem melhor definiu biologia sintética foi Cézar Taurion em seu artigo “O futuro? Será das tecnologias exponenciais como bioprinting e biossensores”, segundo o qual “A ideia da biologia sintética parte da premissa que o DNA é software, nada mais que códigos de quatro letras arrumadas em ordens específicas. Como nos computadores, o código direciona a máquina. Na biologia, a ordem do código governa os processos de fabricação e desenvolvimento das células, as instruindo a produzir determinada proteína, por exemplo. E como todo software, o DNA pode ser reprogramado. Diferente da engenharia genética, que é a inserção de determinado gene para mudar características de uma planta ou animal, a biologia sintética é uma reprogramação do próprio DNA. No fundo é a engenharia genética tornando-se digital. As implicações são imensas e ainda não conseguimos visualizar até onde chegaremos”.

Com relação à China, somos obrigados a inferir que não pode ser crível que a segunda maior potência econômica mundial, declaradamente aberta às inovações tecnológicas, à economia verde e a conceitos como cidades inteligentes e economia digital não tenha projetos de biologia sintética. Certamente, a China deve ter projetos em andamento nesse sentido. Porém, não é o que revelam as consultas sobre o tema, a partir de Pequim.

Uma das mais valiosas contribuições acerca da importância e dos riscos da influência da economia chinesa no Brasil foi o trabalho da pesquisadora Camila Moreno, intitulado “O BRASIL MADE IN CHINA. Para pensar as reconfigurações do capitalismo contemporâneo”, publicado em 2015 pela Fundação Rosa Luxemburgo, com o apoio de fundos do Ministério Federal para a Cooperação Econômica e de Desenvolvimento da Alemanha (BMZ). Ele é o resultado de um ano de pesquisa e análise sobre as relações econômicas e políticas entre Brasil e China, com análise acerca dos impactos desta relação internacional a partir do “consenso de Beijing”. Nesse trabalho de cunho econômico, Camila Moreno alertou que a biologia sintética é “Uma das mais extremas fronteiras do capitalismo, uma plataforma tecnológica que busca ‘reprogramar’ seres vivos, através da construção em laboratório de sequências genéticas sintéticas para construir, por exemplo, ‘rotas metabólicas que alterem funções específicas em microrganismos ou para criar micróbios sintéticos inteiros com novas funções, capazes de produzir substâncias industriais’. Não há regulação internacional para a biologia sintética e os riscos à biossegurança, ao meio ambiente e à saúde são desconhecidos e potencialmente muito graves”.

A biologia sintética tem implicações na fabricação de “lubrificantes encapsulados para fluídos de perfuração biodegradável produzidos a partir de microalgas”, concebido para a utilização em perfuração de poços de petróleo e gás. As cápsulas inertes seriam capazes de lubrificar o equipamento de acordo com a necessidade, evitando desperdícios e possibilitando que o produto seja reutilizado em várias formulações e aplicações, reduzindo os custos, aumentando índices de penetração, arrasto e reduzindo tanto o torque rotacional quanto à fricção em inúmeras aplicações para perfuração vertical e horizontal, resultando em menor custo de perfuração e maior velocidade operacional.

Uma das evidentes funções da biologia sintética seria a produção de proteína animal e plantas para o consumo humano, assunto tabu com contornos legais, morais e éticos sobre os quais a China sempre foi alvo.

Além das gritantes diferenças culturais e de cultura alimentar com o Ocidente, a Potência asiática já foi implicada em vários escândalos de alimentação, como a notícia falsa de que o “Corned Beef” enlatado chinês exportado para a Zâmbia seria, em realidade, carne humana (2015); o confisco de mais de 100 mil toneladas de carne contrabandeada que estava congelada há mais de 40 anos (2015); a imagem de trabalhadores de uma processadora manipulando carne sem nenhuma condição de higiene (2014); o escândalo do leite em pó contaminado com melanina (2008); e a prisão de pessoas que vendiam carne de rato como sendo carne de carneiro.

Diante do quadro, talvez seja por conta das diferenças culturais e desses escândalos que a China prefere não revelar seus projetos de biologia sintética e de digitalização dos alimentos.

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ImagemA biologia sintética procura entender a célula como um circuito eletrônico” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia_sint%C3%A9tica 

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Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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