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[:pt]Bloqueio a redes sociais gera revolta na Etiópia[:]

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Na semana passada, o Governo etíope bloqueou importantes canais de mídias sociais no país, gerando revolta entre a população local e preocupação entre organismos internacionais de direitos humanos. Segundo nota oficial, a medida foi tomada com o intuito de evitar a distração dos estudantes no período de exames nacionais de seleção para os cursos de graduação, tendo em vista que, no mês de maio, os mesmos exames foram cancelados, após divulgação na internet de uma série de questões aí inseridas.

No entanto, na opinião de jornalistas e ativistas locais, bem como na de importantes observatórios internacionais de direitos humanos, a medida do Governo etíope tratou-se de mais um repertório para mitigar a liberdade de expressão no país. O fato se tornou ainda mais problemático após a Organizações das Nações Unidas (ONU) haver declarado, na primeira semana de julho, a censura da internet como uma violação dos direitos humanos.

Nos últimos anos, uma série de episódios na Etiópia têm deixado claro que o país vivencia uma situação delicada no que diz respeito à garantia da liberdade de expressão de sua população local. Por exemplo, há dois anos, a prisão dos blogueiros da Zona 9, relatada neste jornal, gerou intensa repercussão e crítica por parte da mídia internacional, a qual via pouca sustentabilidade jurídica na tentativa de prisão deles. Em realidade, o caso tornou-se um célebre exemplo da recorrente crítica feita ao Governo etíope: afirma-se que dá pouca margem de abertura a posicionamentos políticos contrários ao seu.

Sobre os exames divulgados em maio, fontes locais declaram que o vazamento foi feito por um grupo de apoiadores aos direitos dos Oromo, etnia que lutou contra a expansão urbana da capital Addis Ababa, promovida pelo Governo. Estima-se que aproximadamente 140 civis foram mortos pela polícia no início deste ano (2016), após os protestos contra a expansão urbana sobre o território tradicionalmente ocupado pelos Oromo. Ainda que este projeto de expansão urbana tenha sido cancelado pelo Governo depois dos protestos – e, inevitavelmente, após as mortes –, fica evidente que os direitos humanos e as liberdades individuais sofrem pressões por parte dos governantes em outras esferas da sociedade.

O mundo digital, por exemplo, hoje importante arena de mobilização da sociedade civil e criação de identidade para a mobilização, tende a ser um palco cada vez maior de conflito entre o Governo etíope e os ativistas. E, se a definição de desenvolvimento econômico e social ultrapassa as cifras econômicas meramente, sendo também um processo de crescimento gradativo dos direitos individuais, então pode-se afirmar que todo o projeto de desenvolvimento atual da Etiópia está em risco, caso as liberdades de expressão sejam constantemente mitigadas pelo Governo atual.

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Imagem (Fonte Mediamum):

http://www.mediamum.net/2012/11/05/three-tips-to-help-stop-smartphone-bullying/

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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