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Bolivianos rejeitam que Polícia Federal brasileira aja em seu território

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O Governo Morales manifestou-se negando a possibilidade de a “Polícia Federal” brasileira atuar em território da Bolívia para destruir plantações de folha de coca. Apesar de esta hipótese ter sido debatida recentemente na imprensa brasileira, a questão vinha sendo levantada há algum tempo devido às declarações feitas no passado pelos governos dos dois países de que atuariam conjuntamente no combate ao narcotráfico e também graças às ações do Brasil em território peruano e paraguaio, resultando em significativo sucesso no enfrentamento à produção de cocaína.

 

O que não estava definido é como seria a forma da atuação conjunta brasileiro-boliviana. Por isso, começou a ser questionado nas reportagens se a Bolívia autorizaria que os policiais federais do Brasil destruíssem plantações também em seu território, tal qual permitiram os peruanos e paraguaios.

O ministro de Governo boliviano, Carlos Romero, (no Brasil seu correspondente é o Ministro Chefe da Casa Civil), declarou à imprensa de seu país que “Se a solicitação for apresentada [ação da PF em solo boliviano], não a consideraríamos pertinente”* e justificou afirmando que se dá “Por conta da nossa política de nacionalização da luta antidrogas, não temos permitido a ingerência de organismos externos”*.

Como foi declarado, a ideia que carreia o argumento é de que desejam nacionalizar o combate ao narcotráfico, impedindo a interferência de qualquer instituição não boliviana, tanto que expulsaram a norte-americana DEA, a Agência dos EUA responsável pelo combate às drogas, mesmo perdendo todo o suporte financeiro que recebiam, que era usado para toda a polícia da Bolívia, além do treinamento e fornecimento de equipamentos, significando isto um grande impacto na política de combate ao narcotráfico. A medida foi tão forte que muitos observadores se questionaram se não era esta a intenção. A alternativa aos estadunidenses foi recorrer ao financiamento e apoio brasileiro, mas, ainda assim, não permitem que o Brasil faça exigências, ou expanda as suas operações.

Analistas apontam que a recusa em permitir que a Polícia brasileira atue na Bolívia se dá pela política de proteção e benefício de Evo Morales aos cocaleiros (plantadores legais de folhas de coca do país, sendo o Presidente um deles), pois a autorização abalaria grupo, já que a atuação de uma força policial externa evitaria a expansão que está ocorrendo no plantio da folha na Bolívia.

O Governo defende que a plantação legal faz parte da cultura, que os consumos da folha e do chá não são prejudiciais à saúde e o cultivo da planta significa a sobrevivência de milhares de agricultores no país. No entanto, especialistas apontam que a política do Governo boliviano, resultou na multiplicação da produção e, pelo fato de ter sido reduzida a fiscalização, proliferou a produção de cocaína, cuja exportação para o Brasil representa 54% do montante consumido em território brasileiro.

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Fonte Consultada:

* Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/62388-bolivia-nao-aceita-que-pf-destrua-plantio-de-coca.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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