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Brasil e Angola buscam reaproximar relações econômicas

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Com o intuito de expandir as fontes de capital para levar a cabo a industrialização do país, Angola tem selado uma série de parcerias com organismos e investidores internacionais. Neste sentido, o país reproduz a mesma estratégia desempenhada historicamente pelas nações do Sul Global: expandir a composição de investimento externo nas contas nacionais, visando, com isso, preencher lacunas no capital doméstico em financiar atividades econômicas do segundo setor.

Neste âmbito, o Brasil ocupa papel importante, embora o volume comercializado e os acordos de cooperação com o país africano tenham presenciado uma gradativa queda desde o fim do governo de Dilma Rousseff. A fim de retomar o volume praticado naquele tempo, empresários brasileiros e angolanos, em conjunto com autoridades políticas, encontraram-se em Luanda para a realização da Semana Brasil.

Semana do Brasil aconteceu em Luanda, entre os dias 10 e 12 de agosto

Um dos principais encaminhamentos do evento foi a efetivação de um consórcio de Bancos brasileiros para o investimento em áreas tidas pelo Governo angolano como chave para o desenvolvimento econômico e social. Ao todo, pouco mais de 2 bilhões de dólares serão alocados no setor de infraestrutura, agronegócio, energia elétrica e, acima de tudo, indústria. Igualmente, tais atividades representam iminentes possibilidades de rendimentos futuros positivos ao empresariado brasileiro.

Atualmente, ampla maioria dos produtos exportados pelo Brasil para Angola tratam-se de mercadorias agrícolas e pecuárias, em especial açúcar refinado e carnes bovina, suína e de aves. Entretanto, as vendas externas brasileiras ao país africano representam somente 0,3% do total exportado, da mesma forma que as exportações angolanas aos portos brasileiros somam apenas 0,26% de toda a sua venda externa.

Neste sentido, a conjuntura atual aponta para um amplo espaço para o crescimento das trocas comerciais realizadas entre ambas as nações, em especial mediante a reaproximação estratégica. “Há muito espaço para cooperação, troca de conhecimentos, investimento e construir o desenvolvimento. Não será mais na base do gerador e do gasóleo, mas sim em energias renováveis e muita tecnologia”, declarou Arlete Lins, presidente da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (AEBRAN).

A sinalização da reabertura comercial e diplomática, no entanto, aparece como movimento estimulado mais por parte do Governo angolano do que necessariamente pelo Estado brasileiro. Ao passo que o governo de Michel Temer segue com uma política externa orientada, prioritariamente, aos países europeus e norte-americanos, a posse do presidente João Lourenço, no ano passado (2017), sinaliza uma aproximação maior com atores estrangeiros estratégicos para a implementação das reformas econômicas. Estas parcerias vêm de nações situadas em diferentes regiões do mundo, detentoras de uma relativa capacidade de investimento no setor industrial angolano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Empresários angolanos e brasileiros discutem acordos comerciais” (Fonte):

https://cursovilabrasil.com.br/blog/diferencas-entre-o-portugues-do-brasil-e-o-portugues-de-angola-2/

Imagem 2Semana do Brasil aconteceu em Luanda, entre os dias 10 e 12 de agosto” (Fonte):

https://africabusinesscommunities.com/news/angola-works-on-making-trade-easier-cheaper-and-faster/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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