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Brasil e China lançam fundo de 20 bilhões de dólares

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O Ministro do Planejamento brasileiro, Dyogo Oliveira, junto com o Embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, e representantes do Fundo de Investimentos de Cooperação Industrial China-América Latina (CLAIFUND) anunciaram o lançamento do Fundo Brasil-China de Cooperação durante o Fórum de Investimentos Brasil 2017, realizado nos dias 30 e 31 de março em São Paulo. O mecanismo contará com investimento inicial de 20 bilhões de dólares. A China entrará com dois terços dos recursos e o restante será proveniente de instituições financeiras brasileiras, especialmente a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Conforme consta no Portal Brasil, o acordo prevê aportes para projetos nas áreas de infraestrutura, energia, manufatura, serviços digitais, agroindústria, tecnologia, armazenagem agrícola, logística e recursos minerais. Nesse contexto, especialistas argumentam que Brasília percebe os fluxos de capitais de Beijing como alternativa para destravar os projetos de infraestrutura em um contexto de restrição fiscal do Governo federal brasileiro.

O Fundo Brasil-China de Cooperação contará com uma Secretaria-Executiva, um Grupo Técnico de Trabalho e Comitê Diretivo responsáveis pela classificação dos projetos. Com isso, a instituição servirá como espaço para o Governo brasileiro influenciar o direcionamento dos investimentos chineses para setores prioritários. De acordo com o Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Jorge Arbache, a iniciativa possui governança paritária, na medida em que as posições de ambos os países terão o mesmo peso nos processos de tomada de decisão.

Chefes de Estado posam para foto durante Fórum da China e da Comunidade dos Estado Latino-Americanos e Caribe

O fundo se insere na estratégia de inserção econômica dos chineses na América Latina que foi apresentada durante o Fórum da China e da Comunidade dos Estado Latino-Americanos e Caribe (CELAC) realizado em julho de 2014, em Brasília. Nessa ocasião, Beijing anunciou a pretensão de incrementar para 250 bilhões de dólares o fluxo de investimentos e para 500 bilhões de dólares o comércio anual com a região, ao longo da próxima década. Dessa forma, apesar de não fazer parte da Iniciativa do Cinturão e da Rota, a América Latina não é negligenciada pela política externa chinesa.

De acordo com Angel Melguizo, economista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o comércio entre latino-americanos e chineses aumentou 22 vezes nos últimos 17 anos. Além disso, analistas estimam que os empréstimos da China na região alcançaram 21 bilhões de dólares em 2016, ultrapassando as cifras do Banco Mundial (BM) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Por conta disso, Gustavo Arnavat, pesquisador do Centro Estudos Estratégico e Internacionais (CSIS, sigla em inglês), afirma que a influência política e econômica da China na América Latina deverá superar a dos Estados Unidos na próxima década.

Presidente do Brasil, Michel Temer, cumprimentando o Presidente da China, Xi Jinping

O Brasil é nação central nas relações sino/latino-americanas. De acordo com Margaret Myers e Kevin Gallagher, pesquisadores da Iniciativa Global de Governança Econômica, o país recebeu 72% dos empréstimos chineses na região em 2016. Ademais, é importante destacar a crescente inserção de empresas chinesas no mercado brasileiro. De acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), inicialmente tal penetração foi centrada na exploração de recursos naturais. No entanto, ela se diversificou para os setores industrial e financeiro desde 2011. Nesse sentido, destacam-se a instalação das montadoras automotivas JAC Motors e Chery, o estabelecimento de quatro bancos chineses, bem como a participação da China em projetos no setor elétrico brasileiro.

Desse modo, nota-se que a fragilidade recente da economia brasileira pouco afetou o ímpeto da aproximação econômica entre os dois países. Tal percepção foi destaca pelo Embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, durante o lançamento do Fundo Brasil-China de Cooperação: embora nos últimos anos haja uma volatilidade da política e da economia brasileira, a política macroeconômica no Brasil está estável. (…) O futuro da cooperação de investimentos é amplo e ainda há muito a fazer.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Brasil e China” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Brazil_China_Locator.png

Imagem 2Chefes de Estado posam para foto durante Fórum da China e da Comunidade dos Estado LatinoAmericanos e Caribe” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Foro_China-Celac_2014_(14661316116).jpg

Imagem 3Presidente do Brasil, Michel Temer, cumprimentando o Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidente_Michel_Temer_e_Presidente_Xi_Jinping.jpg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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