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Brasil e China podem estar assumindo a liderança no BRICS

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Nesta semana, Brasil, Rússia, Índia, China e “África do Sul” estão participando de mais uma edição da “Cúpula do BRICS”, na cidade sul-africana de Durban. Este encontro traz alguns elementos importantes sobre as relações dos membros do grupo no curto e longo prazo, que podem influenciar de forma significativa na condução da história neste primeira parte do século XXI.

No encontro, os temas mais abordados e comentados na imprensa são a criação do Banco dos BRICS” e a questão do “Acordo de Contingenciamento de Reserva Comum” (CRA, na sigla em inglês), ou seja, do “Fundo de Reserva” para socorrer os países membros em caso de crise.

Sobre a última questão, as autoridades financeiras que representam os Estados membros do grupo aprovaram o Fundo para socorrer os países membros em caso de crise de liquidez, com o valor de 100 bilhões de dólares norte-americanos. O ministro brasileiro da fazenda Guido Mantega declarou em coletiva de imprensa em Durban que “o acordo de reservas nada mais é do que um grande acordo de swap entre os países[1].

Esta ação já está prestes a ser iniciada, diferente do “Banco dos BRICS”, que pode não sair do papel antes de 2016, devido à resistência da Rússia em aderir à iniciativa. Uma fonte do Governo brasileiro afirmou para o jornal brasileiro “Folha de São Paulo” que “a Rússia recorreria menos ao banco porque já tem infraestrutura bem consolidada e menos desafios em educação e desenvolvimento; destoa dos outros[2].

Para a criação do Banco, Brasil e Índia tendem a assumir a liderança interna, pois são os mais interessados nele, já que a criação desta entidade seria uma alternativa ideal para que evitem recorrer ao “Banco Mundial” e ao FMI e, no longo prazo, ele pode ser utilizado como um instrumento para outros países fora do grupo.

Muito se espera do grupo, com grandes especulações sobre a atuação dos Estados membros do BRICS no cenário econômico internacional, destacando-se que há significativas expectativas sobre o Brasil e a China, acreditando-se que podem se tornar as referências no grupo e fora dele.

A criação do “Fundo de Contingência” foi desenvolvida em grande parte graças às relações bilaterais sino-brasileiras, que apresentam constante crescimento. Este Fundo pode ser o primeiro passo antes que os Acordos bilaterais entre estas duas  nações sejam expandidos para o grupo, como é o caso do acordo de Swap anunciado na imprensa internacional durante esta semana, quando foi definida que as trocas comerciais entre chineses e brasileiros serão feitas em moedas locais, sem a necessidade de utilização da moeda norte-americana ($ Dolar). A iniciativa já está prestes a ser totalmente executada com um montante próximo dos 60 bilhões de reais, suficiente para garantir mais de oito meses de importação e exportação entre ambos países.

Um projeto semelhante já vinha sendo discutido dentro da “4a Cúpula dos BRICS” no ano passado (2012), mas ainda sem ganhar tanta expressão como ocorre no caso das relações bilaterais entre Beijing e Brasília.

Algumas experiências dessas aproximações e das relações bilaterais sino-brasileiras podem servir ao grupo, também para estreitar ainda mais suas relações internas e, por isso, fazendo com que ambos ganhem mais força dentro do grupo, já que estabeleceriam a liderança em projetos grandiosos que podem beneficiar aos demais membros de forma ampla. Para o Brasil, esse é também um bom passo para manter as boas relações com o novo presidente chinês Xi Jinping e tentar apagar alguns problemas recentes, como é o caso do cancelamento de contratos comerciais de empresas chinesas devido aos atrasos de entrega do produto.

Buscando investimentos para melhorar sua capacidade exportadora e atrair novos investimentos estrangeiros, principalmente da China, o bom andamento destas negociações dentro do grupo pode ainda ser de bom grado para o Brasil. Hoje, Beijing é um dos principais parceiros comerciais de todos os membros do grupo e seus investimentos no Brasil e na “África do Sul” trariam retorno rápido, além de serem positivos para atender sua demanda de matérias-primas interna.

Muitos analistas acreditam que às iniciativas de projetos entre brasileiros e chineses, somadas do crescimento de suas relações comerciais, poderão também estimular novos mecanismos no grupo.  Braz Baracuhy, cônsul da Seção Econômica e de Energia da Embaixada do Brasil em Beijing, afirmou para agência Xinhua: “Os dois países decidiram criar uma parceria estratégica global e a relação tem caminhado de forma muito positiva. Isso é essencial para a cooperação entre a China e o Brasil, não só na relação em si, mas na relação com outros blocos e com outras organizações[3].

O pesquisador Zhou Zhiwei, do “Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais”, emitiu declaração confirmando esta perspectiva. Ele avalia que o desenvolvimento das aproximações entre Brasil-China, juntamente com a vontade política de cooperação e a atenção exclusiva aos BRICS colocam ambos os Estados como líderes do grupo, por isso, ambos poderão superar as expectativas de economistas em todo o globo levando à confirmação das expectativas de que os países membros do grupo serão responsáveis pela recuperação econômica mundial.

A posição destes e de outros especialistas sobre o BRICS também vai ao encontro do relatório da última “Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento” (UNCTAD), divulgada no dia 25 de março, pois nesta última década os seus países membros são os que mais atraem investimento estrangeiro.

Segundo o relatório, o “Investimentos Direto Estrangeiro” (IED) absorvido pelos países do BRICS triplicaram em dez anos, totalizando US$ 26.3 bilhões, em 2012. Além de serem grandes captadores de IED, eles são os maiores investidores em todo o  continente africano, cujos investimentos representam 25% da totalidade global.

Conforme apontam vários observadores, Brasil e China têm muitos interesses comuns e ambos investem significativamente em solo africano. Por isso, a vontade política para a cooperação poderá resultar em mudanças positivas dentro do grupo e refletir na cenário econômico internacional, caso seja trabalhada de forma amigável e conjunta para a execução de projetos tanto na África como em outras regiões do globo.

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Fonte consultadas:

[1] Ver:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,brics-aprovam-criacao-de-fundo-comum-no-valor-de-us-100-bi,148463,0.htm

[2] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1252448-banco-dos-brics-nao-devera-sair-antes-de-2016.shtml

Ver também:

http://portuguese.cri.cn/561/2013/03/26/1s164456.htm

[3] Ver:

http://portuguese.cri.cn/561/2013/03/26/1s164486.htm

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Ver tambémRelatório da UNCTAD”:

http://unctad.org/en/pages/newsdetails.aspx?OriginalVersionID=436

Ver também:

http://portuguese.cri.cn/561/2013/03/26/1s164483.htm

 

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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