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O estreitamento das relações entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos da América (EUA) se deu a partir da desaceleração da economia mundial, que impactou sobre a inserção comercial e política do Brasil. Apesar dos escândalos de espionagem promovidos pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA, envolvendo a Presidenta do Brasil, Dilma Rousselff, vê-se claro movimento de reaproximação em diversos setores da economia, sobretudo a partir do seu segundo mandato.

No presente, os Estados Unidos já são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, (a China é o principal parceiro comercial brasileiro desde 2009) sendo que, no ano passado, a troca comercial entre os dois países foi de aproximadamente 100 bilhões de dólares. Além disso, de acordo com dados do Governo brasileiro, os EUA são o principal investidor estrangeiro direto, com estoque acumulado de investimentos da ordem de US$ 110 bilhões. Em contrapartida, o Brasil investiu quase 2 bilhões nos Estados Unidos ao longo do ano passado (2015), o que elevou o estoque acumulado brasileiro para 13 bilhões de dólares.

Em março deste ano (2016), por exemplo, vários encontros entre segmentos privados e dos governos, envolvendo setores econômicos, comercias e de defesa, aconteceram a fim de fortalecer as relações bilaterais dos dois países. No último dia 31 de março, o Brasil e os Estados Unidos firmaram acordo no âmbito do Desenvolvimento de Infra-Estrutura. A assinatura do Memorando de Cooperação entre Brasil-EUA visa promover a cooperação técnica, estimular parcerias comerciais e investimentos em infra-estrutura, incentivar a troca de experiências entre os dois países, além de harmonizar e regular as barreiras tarifárias.

O Memorando prevê a criação de um Grupo de Trabalho bilateral com a participação de representantes dos governos e do setor privado dos dois países, que darão seguimento a outras iniciativas que já estão em curso, como, por exemplo: a Parceria em Aviação Civil, Parceria em Transportes e o Diálogo de Energia. Adicionalmente, caberá ao Grupo promover e facilitar potenciais financiamentos de longo-prazo. As reuniões do Grupo deverão ocorrer uma vez por ano, alternando os encontros entre os dois países.

Durante a última semana de março, aconteceu ainda a III Reunião da Comissão de Relações Econômicas e Comerciais do Acordo Brasil-Estados Unidos de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC), em Brasília, a fim de discutir os principais temas e desafios das relações comerciais e econômicas entre Brasil-EUA. Esta foi a primeira reunião em nível ministerial da ATEC e contou ainda com empresários brasileiros e americanos, que debateram a criação de ações e medidas que fortaleçam o comércio bilateral.

Nesse aspecto, foram discutidos diversos temas da agenda conjunta dos dois países, desde a cooperação em foros multilaterais, como implementação da Declaração de Nairóbi, definida em dezembro de 2015 durante a Conferência da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de compartilhar ideias para o próximo encontro da OMC e ações para expandir os investimentos em biotecnologia agrícola e manufaturas. Cabe pontuar que, em 2015, aproximadamente 60% das exportações brasileiras de bens industriais tiveram como destino o mercado norte-americano, totalizando cerca de 24,2 bilhões de dólares, um aumento de 7% com relação ao ano de 2014. Os principais produtos exportados para os Estados Unidos são: máquinas, aeronaves, ferro e aço, mas, conforme destacou Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, durante o encontro da ATEC, espera-se incrementar e aumentar o volume exportado com exportações de carnes, açúcar e frutas.

Compete destacar ainda que, no início de março, o Ministério da Defesa do Brasil e a National Geospatial-Intelligence Agency (NGA), do Departamento de Defesa dos EUA, assinaram o Acordo Básico de Cooperação e Intercâmbio (BECA). A primeira Reunião de Implementação dos Apêndices do BECA ocorreu ainda no dia 23 de março, e tinha como propósito estabelecer e delinear os detalhes acerca do apoio técnico, que incluem o intercâmbio de produtos cartográficos, dados geoespaciais vetoriais, publicações e materiais de inteligência geoespacial, além de produtos relativos à Geografia Humana, nas esferas da economia, educação, etnia, entre outros.

Logo, percebe-se que os diversos encontros ocorridos no mês passado (março) são um esforço tanto do Brasil quanto dos EUA em aprofundar as relações bilaterais. Esse movimento em prol do incremento das relações, apesar de modesto, pode vir a ampliar as oportunidades de exportações para o Brasil no longo-prazo, tanto com os EUA, quanto com a América Latina. Isso porque, tendo em vista a reaproximação entre o Governo norte-americano e Cuba, abre-se um espaço de cooperação entre empresas brasileiras e norte-americanas nessa região.

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Imagem (Fonte):

http://alcancecomex.com.br/site/brasil-e-estadria-e-patentes/

 

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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