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A delação dos donos e diretores da empresa brasileira JBS e suas consequências políticas foram os últimos acontecimentos de uma crise ampla das instituições políticas do Brasil; e os agentes financeiros estão reagindo em todos os momentos aos desdobramentos da crise. Nesse sentido, a delação de Joesley Batista, um dos seus proprietários, relacionada ao caso Lava Jato, repercutiu fortemente nos mercados. A última dessas reações foi realizada pela agência de rating Moody’s, que alterou no último dia 26 de maio, sexta-feira passada, a perspectiva de nota brasileira de estável para negativa, acompanhando o que a Standard and Poor’s havia feito quatro dias antes. Outros índices, além das agências, porém, devem ser analisados para permitir o entendimento mais completo das reações dos mercados à última faceta da crise brasileira e para ver se as ações das agências geram efeitos nos mercados brasileiros.

Imagens Operação Lava Jato. Fonte: Wikipedia

O impacto do último dia 17 de maio (quarta-feira da semana retrasada), quando a delação de Joesley foi amplamente divulgada, transpareceu em vários índices financeiros. Nesse dia, o EMBI+, ou Risco-Brasil, que mede o diferencial da taxa de retorno dos títulos brasileiros em relação aos estadunidenses, subiu 42 pontos-base, ou 0,42%. Esse índice estava em uma trajetória de queda suave desde do início de 2017. O dólar, por sua vez, passou de 3,13 reais/dólar, no dia 17, para 3,38 reais/dólar, no dia 18, o que representa um aumento expressivo, visto que o dólar se mantinha na casa dos 3,1 reais/dólar desde o início de 2017. Por fim, o IBOVESPA, índice que mede o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, despencou de 67.540 para 61.597. A junção desses três índices demonstraria o aumento da insegurança dos mercados e o início de um processo de fuga de capital no Brasil.

O IBOVESPA, porém, mostrou tendência ascendente nos últimos dias, ainda que moderada. Isso reflete o que o índice MSCI Brasil, produzido pela Morgan Stanley e que mede o mercado brasileiro, já havia notado. Como avaliado pelo jornal financeiro Bloomberg, o MSCI, apesar de uma pequena queda inicial dia 17, voltou a crescer nos dias posteriores. Isso indica, de acordo com tal jornal, que os investidores estrangeiros estão comprando as ações que tiveram seus preços derrubados no mesmo dia 17 e estão otimistas com as perspectivas político-econômicas do Brasil. O MSCI é um índice muito utilizado por fundos de pensão do exterior, e fundos estrangeiros relacionados a trocas cambiais focados no Brasil atraíram 856 milhões de dólares em fluxos na última semana.

Logo da Moody’s. Fonte: Wikipedia

Dessa forma, evidencia-se que a reação dos mercados foi imediata à delação de Joesley, ainda que não completamente como seria imaginado, visto que ainda existe aposta no mercado brasileiro. Após essas mudanças mais drásticas, houve uma estabilidade nos índices nos últimos dias, mesmo que eles não tenham voltado aos seus valores originais.

As agências de avaliação de risco, nesse sentido, parecem ter chegado atrasadas, apenas reagindo aos movimentos dos investidores uma semana após suas ações. Anúncios de perspectiva de notas não são tão impactantes como anúncios de uma de facto mudança, porém ainda assim é importante notar que nenhum dos índices avaliados sofreu alguma alteração significativa nos dias posteriores às ações das agências. Visto que o papel delas seria formar uma posição dos investidores, e não reagir às suas ações, salienta-se que, nesse caso da delação da Joesley Batista, elas não foram significantes para o entendimento das ações dos mercados financeiros no Brasil nos últimos dias. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 BOVESPA” (Fonte Leo Pinheiro):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_de_Valores_de_S%C3%A3o_Paulo#/media/File:Bovespa_Traders.jpg

Imagem 2 “Operação Lava Jato” (Fonte Holy Goo):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dela%C3%A7%C3%B5es_da_JBS_na_Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato#/media/File:Montagem_Lava_Jato.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Moodys_logo_blue.jpg

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Livi Gerbase - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.

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2 Comments

  1. A.C. Ferreira 1 de junho de 2017

    Interessante análise que aponta as agências de rating mais como "retrovisores" do que como "pára-brisas" no que se refere a tendências do mercado.

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  2. Tiago Jorgens 1 de junho de 2017

    A operação Lava Jato esta passando o Brasil a limpo, e agora com o acordo de leniência da JBS fechado espera-se que num futuro próximo a economia brasileira volte a reagir, como mostram por exemplo o corte na taxa de juros em 1% de 11,25% para 10,25% realizado pelo COPOM nesta semana e o controle da inflação como indica o índice do IPCA que acumula 4,08% nos últimos 12 meses, menor taxa desde julho de 2007.

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