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Brasil vai ao “Fórum Econômico Mundial” para atrair mais investimentos

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Criado* na Suíça em janeiro de 1971, pelo alemão Klaus Schwab, professor de administração, o “Fórum Econômico Mundial” (FEM) foi concebido como uma organização internacional independente, sem fins lucrativos e, atualmente, opera como um espaço de discussão que reúne líderes mundiais, intelectuais, representantes de organizações não-governamentais (ONGs) e personalidades do mundo empresarial.

 

Este Fórum foi inicialmente arquitetado durante a reunião organizada pela “Comissão Europeia” de líderes europeus e um grupo de associações de indústrias européias. A reunião ocorreu na cidade suíça de Davos e foi presidida por Schwab.

Inicialmente, o FEM foi feito com o intuito de reunir empresários para discutirem como as empresas da Europa poderiam acompanhar a evolução das práticas empresarias em uso nos EUA. O que Schwab idealizou foi denominado “Fórum Europeu de Gerenciamento” (FEG), o qual se expandiu e ganhou força com a recepção de líderes políticos mundiais pela primeira vez em 1974. Com a expansão, percebeu-se que havia espaço para uma discussão mais ampla, como a de questões econômicas e sociais mundiais. Foi neste momento que o FEG passou a se chamar “Fórum Econômico Mundial” (FEM), em 1987, assumindo a pretensão de ser o ambiente para o debate e mesmo a resolução de conflitos internacionais.

Ontem, 25 de janeiro, ocorreu a abertura da 42º edição, o FEM 2012”, em clima de pessimismo sobre o futuro econômico mundial. Desemprego, oportunidades para os jovens (os mais afetados pela falta de emprego), desigualdade, competitividade e inovação marcaram** a sua “Sessão de Abertura”.

Durante este encontro anual será inaugurada a “Rede de Respostas a Riscos”, “Risk Response Network” (RRN), anunciada este mês (janeiro de 2012) no 6º relatório “Global Risks” **** do FEM. A RRN é definida como “uma plataforma única para que dirigentes globais compreendam, gerenciem, e reajam a riscos complexos e interdependentes”****, por meio da combinação de “idéias sólidas originadas no próprio Fórum e de seus colaboradores, do intercâmbio entre os dirigentes, e dos instrumentos e serviços mais apropriados, tais como ferramentas de análise e procedimentos de gerenciamento de riscos, a fim de que os dirigentes possam compreender os riscos em profundidade e no contexto, e agir de forma pró-ativa”****.

Relatório indica que apesar do crescimento econômico constante propiciado pela globalização, seus resultados têm-se distribuído de forma desigual pelo mundo. Tal disparidade, por sua vez, cria o contexto em que movimentos nacionalistas ou populistas se fortalecem em muitos países. Em seguida, define três grandes eixos de riscos: (1) os “desequilíbrios macroeconômicos”; a (2) “economia ilegal” e (3) o eixo “água-alimentos-energia”. Por último, mais cinco riscos são mencionados como dignos de acompanhamento, pelo potencial de se realizar nos próximos anos: (1) a “segurança digital”; (2) os “desafios demográficos”; (3) a “segurança dos recursos”; (4) a “resistência à globalização” e (5) as “armas de destruição em massa”.

Nesta conjuntura de crise econômica, a secretária-geral da “International Trade Union Confederation” (ITUC), Sharan Burrow, indagou se “Estaria o capitalismo do século 20 falhando em atender a sociedade do século 21Sim, perdemos a bússola moral”***. “Talvez [o problema]não seja o sistema, mas a forma como o executamos”***, defendeu o presidente da Alcatel-Lucent, Ben Verwaayen.

Enquanto o foco europeu e norte-americano está na superação da crise, o Brasil comparece ao Fórum com objetivo de angariar mais investimentos. O país será representado no FEM com a presença do chanceler brasileiro Antonio Patriota. Além do Ministro, aproximadamente***** 40 empresas brasileiras vão participar das reuniões em Davos nesta semana. O número é superior à comitiva levada pelo Brasil em encontros anteriores (em 2011 foram apenas 12 empresas). “Davos serve como plataforma de sensibilização de investidores. Lá é um contato inicial”*****, declarou o gerente geral de investimentos da “Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos” (Apex-Brasil), Gutemberg Uchôa. A energia renovável também merece destaque, na opinião do gerente da Apex. “O mundo está se voltando para o grande potencial brasileiro na questão das fontes naturais de energia, sobretudo solar e eólica. Muitos investidores têm interesse em identificar, no Brasil, locais ou potenciais parceiros para investimentos. Na energia solar, muitas empresas já prospectam oportunidades, principalmente no Nordeste, onde há incidência muito grande de sol o ano todo”*****, destacou.

Segundo Gutemberg Uchôa, empresários brasileiros devem se reunir com investidores internacionais interessados em fabricar no país os elementos necessários para a construção de plantas de energia solar – como, por exemplo, as “placas coletoras dos raios de sol”. O gerente daApex afirmou, ainda, que há empresários estrangeiros interessados em investir na construção de “usinas eólicas” no Brasil. “Temos diversas áreas, tanto no litoral como no interior do Nordeste, sobretudo, com capacidade de vento superior à média internacional. Há um potencial gigantesco para essas duas formas de energia renovável [eólica e solar] e há empresas interessadas, que já montaram escritório no Brasil, querendo construir baterias gigantescas para armazenar a energia gerada nesses dois tipos de usinas”*****, ressaltou Uchôa.

De acordo com os organizadores, o Fórum vai reunir cerca de 2.600 participantes, dos quais 40 são “Presidentes da República” e “Primeiros-Ministros”, além de integrantes de “Organizações Internacionais”. Confirmaram presença no encontro: Felipe Calderon, o presidente do México, país que preside o G20 (os 20 países mais ricos e os emergentes); David Cameron, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha; Timothy Geithner, o secretário do Tesouro norte-americano; Christine Lagarde, a diretora-geral do “Fundo Monetário Internacional” (FMI); além de Mario Draghi, o presidente do “Banco Central Europeu” (BCE), e Ban Ki-moon, secretário-geral da “Organização das Nações Unidas” (ONU).

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Fontes Consultadas:

* Ver:

http://www.weforum.org/history

** Ver:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/01/pessimismo-sobre-economia-permeia-abertura-do-forum-de-davos.html

*** Ver:

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,davos-debate-criacao-de-empregos-como-desafio,100552,0.htm

**** Ver:

http://riskreport.weforum.org/

***** Ver:

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/participacao-do-ministro-antonio-de-aguiar-patriota-no-forum-economico-mundial-2013-davos-25-a-29-de-janeiro-de-2012-1

****** Ver:

http://www.odocumento.com.br/materia.php?id=382970

 
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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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