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Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek: Realidade ou Ficção?

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O Oriente Médio vive um dos momentos mais agitados deste início de século, em termos políticos e de conflitos, numa altura em que a região está a passar por mudanças que trarão novas configurações geoestratégicas. É nesse contexto que estão surgindo novos protagonistas como, por exemplo, o Estado Islâmico e, também, as Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek. Ambos os atores estão determinados a fazer oposição àqueles que já operam no território.

As Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbeksão um grupo salafista jihadista que atua, desde novembro de 2013, no Vale de Beqaa, no Líbano, parecendo dispostas a desafiar o poder do Hezbollah. No entanto, um dia depois de Abu Bakr al-Baghdaditer proclamado o Califado, em 29 de junho passado, as Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbekanunciaram a sua fidelidade ao Estado Islâmico. Na sua conta do Twitter, as Brigadas declararam: “É com a máxima honra e orgulho que anunciamos a nossa fidelidade ao jihadista Abu Bakr al-Baghdadi como califa dos Muçulmanos[1]. O comunicado anunciava, ainda, “o apoio àquilo que o [ISIS] está fazendo pelo Islão[1].

Mau grado não se tenha conhecimento de nenhum grupo aliado às Brigadas, quer no Líbano, quer na Síria, e ainda prevaleça a dúvida quanto à sua existência, o fato é que elas reivindicaram a autoria de seis atentados, sendo que o primeiro ocorreu em dezembro de 2013, quando o mais alto dirigente militar do Hezbollah no Líbano, Hassan al-Lakkis, foi assassinado[2]. Em abril de 2014, segundo informações da imprensa da região, foram registradas novas ações das Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek, incluindo uma emboscada preparada contra integrantes das Forças Armadas Libanesas, em al-Rahwa, arredores da cidade de Arsal, no Vale de Beqaa. Pelo menos cinco soldados ficaram feridos naquela ocasião[3].

As ações das Brigadas prosseguiram através do lançamento de dois rockets, desde o lado sírio da fronteira, contra uma zona desabitada de Hermel, no vale de Beqaa. Ao reivindicar o ataque, na sua conta do Twitter, as Brigadas declararam ser esta uma resposta ao envolvimento do Hezbollah na Guerra Civil da Síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad[4]. Em maio de 2014, as Brigadas entraram em confronto contra membros do Hezbollah nos arredores de Brital. De acordo com o comunicado emitido pelo novo grupo insurgente, vários membros do Hezbollah ficaram feridos[5]. Ainda em junho deste ano, elas se responsabilizaram pelo atentado, com um homem-bomba, num alojamento do 4º andar do Hotel Duroy, no bairro Raouche, em Beirute. A explosão teve lugar durante um raide das Forças de Segurança efetuado no Hotel. Os danos ficaram confinados aos 3º e 4º andares do edifício. Segundo a Cruz Vermelha do Líbano, onze pessoas ficaram feridas na explosão, sendo sete delas civis e quatro membros das Forças de Segurança Interna[6].

Embora os fatos acabados de assinalar tenham efetivamente ocorrido, o Hezbollah e a Frente al-Nusra negaram a existência das Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek. Em 3 de julho, Kamel al-Rifai, membro da Assembleia Nacional Libanesa, pelo Hezbollah, negou a existência das Brigadas, declarando o controle absoluto do regime libanês no Vale de Beqaa. No início daquele dia, as Brigadas haviam anunciado, via Twitter, a criação de uma unidade destinada a alvejar cristãos[7].

Apesar de prevalecer a dúvida quanto à existência, ou não, das Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek, há registro de suas ações. Recentemente, Hussein, um jovem de 19 anos, foi detido sob a acusação de operar a conta dos Sunitas Livres de Baalbekno Twitter. No entanto, Shaman al-Hussein, o seu pai, se mostrou surpreso com a detenção e o envolvimento do filho com as Brigadas e assumiu ter laços com o Hezbollah, tendo acrescentado que comunicou o acontecimento aos membros do partido xiita, que se encarregaram de acompanhar o caso. Segundo al-Hussein, “as acusações contra o filho são ilógicas, especialmente pelo fato de o seu telefone móvel estar avariado há mais de uma semana[8]. O pai de Hussein sublinhou, também: “Nós somos pobres e não temos um laptop; ele nem sequer tem um certificado do Ensino Médio[8].

Ainda que persistam dúvidas e, mesmo até, contradições quanto à existência das Brigadas dos Sunitas Livres de Baalbek, o certo é que a polêmica em relação a este grupo insurgente demonstra o grau de desestabilização existente na política e, também, na segurança libanesas.

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Imagem Zahle, a capital do Vale de Beqaa” (Fonte):

http://en.wikipedia.org/wiki/Beqaa_Valley#mediaviewer/File:Zahle,Lebanon.JPG 

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://yalibnan.com/2014/06/30/free-sunnis-baalbek-brigade-pledges-allegiance-caliphate/

[2] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Who-killed-Laqqis-and-why-334030#!

[3] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/545355-free-sunnis-of-baalbek-claim-responsibility-for-army-ambush

[4] Ver:

http://www.naharnet.com/stories/en/128060

[5] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/545762-free-sunnis-of-baalbek-our-battle-with-hezbollah-is-open

[6] Ver:

http://www.usatoday.com/story/news/world/2014/06/25/lebanon-beirut-hotel-explosion/11358405/

[7] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/554309-hezbollah-mp-free-sunnis-of-baalbek-does-not-exist

[8] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/inthepress/560401-free-sunnis-of-baalbek-account-linked-with-hezbollah-report-says

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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