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[:pt]Brussels Forum e o futuro das relações transatlânticas[:]

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Em um momento no qual as relações entre os países do Atlântico Norte encontram-se tensionadas devido ao adensamento das diferenças entre as posições políticas europeia e estadunidense, autoridades, intelectuais, jornalistas e empresários dos dois lados do Atlântico se reuniram entre os dias 23 e 25 de março em Bruxelas, Bélgica, para participar do Brussels Forum*.

Organizado em torno do tema “Fim da Complacência – Era da Ação?”, o evento agregou os principais temas latentes que impactam diretamente nas relações transatlânticas, bem como temas transversais que atingem as relações internacionais de maneira geral.

O primeiro dia abordou o crescente descontentamento popular acerca da situação político-econômica atual. Populismo, pessimismo e os dilemas do Brexit deram o tom na pauta de discussões, enquanto eram debatidos assuntos como internet e democratização, terrorismo, uma nova visão para a Europa e os desafios resultantes do Brexit.

No dia seguinte, apesar da ampla gama de temas em pauta, o destaque ficou por conta das discussões sobre o Donald Trump e o futuro do poder norte-americano, protagonizadas por John McCain, Senador republicano norte-americano, e Brian Lanza, vice-diretor de comunicação da campanha eleitoral de Trump. O primeiro lançou um olhar de desconfiança sobre a política externa de Trump, principalmente acerca do relacionamento com a Rússia, enquanto o segundo argumentou acerca do ambiente hostil gerado pela imprensa contra Trump.

No terceiro dia o Fórum trouxe um viés mais geopolítico. Estruturado em seções temáticas, foram tratadas questões como a escalada dos desentendimentos com a Coreia do Norte, as vulnerabilidades na Europa Oriental e no Cáucaso, além da instabilidade no Oriente Médio. Este dia contou ainda com um debate sobre a segurança transatlântica e seus dilemas quanto à nova postura americana acerca desta parceria e aos desafiantes globais que ameaçam a hegemonia do tradicional eixo transatlântico.

Os meandros do Fórum forneceram uma figura interessante de como o eixo transatlântico está sendo pressionado a se ressignificar, sabendo que no horizonte de longo prazo sua hegemonia tende a se diluir e tornar-se algo mais parecido com uma espécie de preponderância, caso as medidas adequadas não sejam tomadas.

O momento atual da ordem global coloca uma angustia adicional sobre essa tendência. Com os dois lados do Atlântico às voltas com questões internas que têm potencial para ameaçar o âmago da parceria transatlântica, as incertezas paulatinamente tornam-se mais críticas acerca da vitalidade da parceria quem desde o pós-guerra rege o mundo ocidental e, em particular, desde o término da Guerra Fria vinha, até poucos anos atrás, acumulando gradativa ampliação de sua esfera de poder sobre outras regiões do globo.

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* Trata-se de uma reunião de alto nível, realizada anualmente, na qual os participantes debatem os assuntos mais latentes nas relações transatlânticas. O Fórum é articulado e organizado pelo German Marshall Fund of the United States (GMF),  uma organização sem fins lucrativos criada em 1972 que se dedica a manter a memória do Plano Marshall e a fomentar um ambiente propício para a discussão estratégica da agenda transatlântica.

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Imagem 1 Logotipo do evento Brussels Forum” (Fonte):

http://brussels.gmfus.org/

Imagem 2 Retrato oficial de John McCain” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/John_McCain#/media/File:John_McCain_official_portrait_2009.jpg

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Marcos Françozo - Colaborador Voluntário

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Política Internacional e Comparada pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência acadêmica nas áreas de governança internacional, estudos europeus e regimes internacionais. Atualmente é Analista de Relações Internacional na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com atuação nas áreas de articulação, desenvolvimento e cooperação internacional. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, Políticas Globais, Europa, Cooperação Técnica e Cooperação Científica.

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