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CADE autoriza a criação do maior grupo de ensino superior do mundo

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Na semana passada, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão do Governo Federal responsável por avaliar fusões e aquisições no mercado brasileiro, autorizou a criação do maior grupo de ensino superior do mundo, que será brasileiro. A fusão entre dois gigantes do ensino superior brasileiro, Anhanguera e Kroton, havia sido anunciada em abril do ano passado, mas estava pendente de aprovação pelo CADE[1].

O CADE estabeleceu quatro condições, tanto de mercado quanto de metas de qualidade: a) vender unidades presenciais em alguns estados do Brasil, incluindo todo o grupo Uniasselve, que havia sido recentemente adquirido pela Kroton; b) suspender a criação de novas vagas e de polos de ensino à distância; c) suspender igualmente a sobreposição das atividades dos dois grupos no país, por estarem impedindo o crescimento de concorrentes em quase 80 municípios; e d) aumentar o percentual de professores, mestres e doutores, dos atuais 60% para até 80% em 2017[2].

O novo grupo educacional atingirá números expressivos[3]. Terá um valor de mercado de R$ 13 bilhões (aproximadamente, US$ 5.880,00 bilhões), uma receita bruta de R$ 4 bilhões (aproximadamente, US$ 1.809,00 bilhão) e lucro líquido de quase R$ 500 milhões (aproximadamente, US$ 226.132,00 milhões). Serão 123 unidades presenciais de ensino, 687 polos de ensino a distância e 810 colégios associados, que utilizam o seu sistema de educação básica. O grupo contará com mais de 1 milhão de alunos.

Assim, a fusão AnhangueraKroton torna-se o maior grupo educacional do mundo, em termos de valor de mercado, que, em dólares, soma US$ 6,3 bilhões, na frente do Grupo New Oriental, da China (US$ 3,0 bilhões); da a Estácio, também brasileira (US$ 2,2 bilhões) e da DeVry, dos Estados Unidos (US$ 1,8 bilhão).

Analistas apontam que um dos principais propulsores do surgimento deste megagrupo educacional foram os investimentos estrangeiros. Muito embora a legislação brasileira vete a participação direta de estrangeiros na oferta de ensino no Brasil, os grupos educacionais brasileiros estão atualmente burlando tais impedimentos se transformarem em sociedades anônimas ou limitadas e abrirem o capital para Fundos de Investimento na Bolsa de Valores[4].

Para fazer frente a esta expansão de Anhanguera e Kroton, outro importante grupo educacional brasileiro, a Estácio, anunciou na semana que passou a aquisição de um novo grupo, o UNISEB, com mais de 70 mil alunos, por mais de R$ 600 milhões (aproximadamente, US$ 271.358,00 milhões) [5].

Com isso, o cenário da educação superior passa por um processo acelerado de oligopolização, com alguns megagrupos brasileiros, financiados por capital estrangeiro, concentrando fatias cada vez maiores do mercado nacional. Especialistas apontam que as consequências deste processo, caso não seja controlado pelo Ministério da Educação (MEC) e demais órgãos governamentais, são diversas: a) o processo pode abalar o próprio sistema avaliativo do MEC, para que este se molde aos interesses dos grandes grupos; b) um excesso de priorização do lucro em detrimento da qualidade, pela necessidade de atender às demandas de lucros dos Fundos de Investidores da Bolsa de Valores; c) o enfraquecimento – e inclusive a extinção – de pequenos grupos e projetos educacionais que realmente estejam voltados à qualidade do ensino superior no Brasil[6].

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ImagemA fusão entre os Grupos brasileiros Anhanguera e Kroton, financiada em parte por investimentos estrangeiros, criou o maior grupo educacional do mundo” (Fonte – João Castellano/Istoé):

http://content-portal.istoedinheiro.com.br/istoeimagens/imagens/mi_8109395410746255.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/165944-cade-autoriza-uniao-de-anhanguera-e-kroton-com-ressalva.shtml

[2] Ver:

http://www.valor.com.br/empresas/3547582/cade-aprova-com-restricoes-fusao-entre-kroton-e-anhanguera

[3] Ver:

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/negocios/20130426/fusao-kroton-anhanguera-licao-negocios/115531.shtml

[4] Ver:

http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/08/sob-o-dominio-do-capital-estrangeiro/

[5] Ver:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0DV00Y20140515

[6] Ver:

http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/fusao-entre-kroton-e-anhanguera-pode-acentuar-oligopolizacao

Marcus Salles - Colaborador Voluntário

Professor Adjunto do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Doutor em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP). Como Professor Universitário, leciona desde 2003 em nível de Graduação e Pós-Graduação, cursos de Direito Internacional, Relações Internacionais e Comércio Exterior. Tem experiência, desde 2005, como Gestor de Instituições de Ensino Superior, em diversos cargos acadêmicos. Desde 2010, é avaliador do INEP e consultor da CAPES. É advogado especialista em Direito Internacional. Foi research fellow junto a Cátedra OMC/Integração Regional da Universidade de Barcelona (UB) e visiting scholar da Cátedra Brasil – Comunidade Andina da Universidade Andina Simon Bolívar (UASB). Atuou junto a diversas organizações internacionais: MERCOSUL (estagiário), OEA (consultor), CICV (disseminador) e UNCTAD (pesquisador).

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1 Comments

  1. Manu Muniz 22 de maio de 2014

    Mas já faz tempo que estas empresas estão juntas…o Cade é muito lento mesmo

    Responder

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