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Canadá constrói acampamento para atender refugiados vindos dos EUA

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No começo do mês de agosto, o Canadá iniciou a construção de um acampamento na fronteira com os Estados Unidos da América (EUA), a fim de atender os refugiados vindos do país, em razão do endurecimento das políticas migratórias do Governo de Donald Trump, presidente dos EUA. De acordo com o Exército canadense, conforme destacou a DW, aproximadamente 100 militares se deslocaram para o posto fronteiriço de Saint-Bernard-de-Lacolle, entre o Quebeque e os Estados Unidos.

O Exército canadense informou ainda que o acampamento deverá ser temporário, e que o propósito é aliviar a infraestrutura das autoridades fronteiriças que estão esgotadas, em razão da crescente chegada de refugiados, particularmente haitianos. Segundo autoridades do Governo, no mês de julho deste ano (2017) cerca de 2.500 haitianos fugiram dos EUA e pediram asilo no Canadá.

Jovem haitiano, entre os escombros de uma área comercial de Porto Príncipe

O número crescente de haitianos vindos dos EUA deve-se à provável perda do Estatuto de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês), que foi concedida pelo Governo estadunidense após o terremoto de 2010 que devastou o Haiti. O abalo sísmico, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o pior desastre enfrentado pela organização, vitimou mais de 200 mil pessoas, deixou cerca 3,5 milhões dependendo de ajuda humanitária e destruiu cerca de 70% dos edifícios da capital Porto Príncipe.

Naquela ocasião, os Estados Unidos concederam o TPS a aproximadamente 60 mil haitianos.  No entanto, no presente, o Departamento de Segurança dos EUA considera o Haiti um país seguro. Tal avaliação, associada à revisão e endurecimento das políticas migratórias do país promovidas pelo presidente Trump, deverá a que o TPS desses haitianos deva ser suspenso até o final de 2017.

Assim, muitos deles têm buscado abrigo no país vizinho, e embora o Canadá tenha proibido as deportações ao Haiti em 2004, após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide, essa proibição foi suspensa em agosto de 2016. Tal situação, deixou cerca de 3.200 haitianos sem status no Canadá, tendo que solicitar residência por razões humanitárias.

Alguns analistas pontuam que muitos desses refugiados não conhecem as leis de migração canadenses e que, embora eles tentem fugir do EUA a fim de não serem deportados, isso ainda pode ocorrer quando eles chegarem ao Canadá, uma vez que o país retornou com as deportações ao Haiti.

A administração de Justin Trudeau, Primeiro-Ministro canadense, contudo, tem firmado políticas migratórias mais brandas e, em resposta a onda de refugiados haitianos na fronteira, o Governo argumenta que o país deve recebê-los e atendê-los com base no Estatuto do Refugiados da ONU de 1951, ignorando assim o acordo firmado com os Estados Unidos, no qual prevê que solicitantes de refúgio que cruzem a fronteira sejam encaminhados de volta aos EUA.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do Canadá” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Canad%C3%A1#/media/File:Flag_of_Canada.svg

Imagem 2 Jovem haitiano, entre os escombros de uma área comercial de Porto Príncipe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_do_Haiti_de_2010#/media/File:Port-au-Prince_20_Jan_2010.jpg

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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