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Canadá, Estados Unidos e México: Cúpula dos Três Amigos

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A “7a Cúpula de Líderes da América do Norte”, além de celebrar o vigésimo aniversário de assinatura do “Tratado de Livre Comércio” (NAFTA, na sigla em inglês), teve como objetivo realinhar o protagonismo para um enfoque mais comercial e econômico, tal qual era no início da década de 90, em detrimento as políticas bilaterais entre Washington e “Cidade do México” no combate ao narcotráfico e a imigração ilegal.

Nesse sentido, Barack Obama, Enrique Penã Nieto e Stephen Harper (“Primeiro-Ministro do Canadá”) se reuniram em Toluca, berço político do Presidente mexicano, com o propósito de aprofundar o relacionamento comercial entre os três países e promover mais uma alternativa para suprimir os efeitos da recessão econômica.

Entretanto, apesar da agenda do encontro sugerir algumas mudanças importantes, analistas acreditam que pouco será efetivamente feito. Principalmente os mexicanos, ávidos para testemunhar melhorias na plataforma do Bloco econômico, as quais favorecessem mais seu país no que tange a um melhor aproveitamento das demandas comerciais.

Desta forma, mesmo com a aproximação sempre recorrente entre Estados Unidos”, México e Canadá, a importância que cada Estado oferece ao Bloco é distinta e, portanto, com uma interpretação atual muito mais pautada na cordialidade diplomática do que propriamente no fomento de atividades comerciais duradouras.

No plano prático, organismos especializados em análises conjunturais em política externa especularam sobre diversos temas que poderiam e deveriam entrar na pauta de discussões da Cúpula, dentre os quais o polêmico projeto do oleoduto “Keystone XL”, que extrairá petróleo através da queima da areia betuminosa (considerado por ambientalista a forma mais degradante de exploração de hidrocarbonetos) na província de Alberta, Canadá, sendo esse óleo transportado por dutos que cortarão os “Estados Unidos” até chegar às refinarias no “Golfo do Texas”, implicando em um aumento considerável na emissão de gases do efeito estufa.

Ainda deveriam estar na pauta a proposta de legalização dos imigrantes que já estão consolidados em território estadunidense e as negociações para integrar a “Associação Transpacífica” (formada atualmente por Chile, Peru, Cingapura, “Nova Zelândia”, Austrália, Japão, Brunei, Vietnã e Malásia), aumentando a capacidade comercial do Bloco além do programa de intercâmbio estudantil trilateral.

No entanto, apenas medidas paliativas com caráter de política de boa vizinhança foram realmente anunciadas na “Declaração Final” do encontro, podendo ser citadas: a criação de um plano de transporte para escoamento de produtos exportados; a simplificação de procedimentos para aduanas; o investimento em inovação para o setor de energia limpa e, por fim, Penã Nieto anunciou junto com Obama um modelo de financiamento para projetos estratégicos que acelerariam os trâmites comerciais.

Diante dos resultados do Encontro entre os líderes, o posicionamento adotado por México e Canadá depende muito da vontade política de Washington e, em vista do pouco interesse que Obama demonstra em medidas regionalistas, o NAFTA acaba perdendo um pouco do ideário pragmático para adotar um discurso diplomático com viés utópico, sendo apenas ferramenta para manter a zona de influência norte-americana sob controle.

Por fim resta observar se a dimensão dessa Reunião irá sobrepor às críticas recebidas, ou seja, que questões como Imigração, oleoduto “Keystone XL” e “Aliança Transpacífica”, por exemplo, podem ressuscitar a integração econômica que no início foi responsável pelo aumento do PIB e do nível de emprego nos três países, com a adoção de um modelo industrial “Made in América do Norte”.

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Imagem (Fonte):

http://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2014/2/20/1392905402222/8745e23c-1a30-449d-b40a-16e81aff12f9-460×276.jpeg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.foreignaffairs.com/articles/140350/michael-wilson/naftas-unfinished-business?cid=soc-facebook-in-essays-naftas_unfinished_business-021114

Ver:

http://www.cfr.org/north-america/good-neighbors/p32397?cid=soc-facebook-in-op_ed-good_neighbors-021914

Ver:

http://www.cubadebate.cu/noticias/2014/02/19/obama-llega-a-mexico-para-cumbre-de-america-del-norte-video/#.UwY2KvldUtE

Ver:

http://estrategiaeanalise.com.br/democracy-now-em-portugues/oleoduto-keystone-xl:-em-busca-do-reflexo-de-obama,87935888e91b61ac8359a9420b319979+01.html

Ver:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/aprovacao-do-polemico-oleoduto-keystone-xl-nos-eua-e-canada-mais-perto-1621936

Ver:

http://www.excelsior.com.mx/nacional/2014/02/20/944755

Ver:

http://eleconomista.com.mx/columnas/columna-especial-valores/2014/02/19/cumbre-nafta-20-anos-despues

Ver:

http://eleconomista.com.mx/industrias/2014/02/20/frente-comun-impulsar-tpp-pide-eu-sus-socios

Ver:

http://eleconomista.com.mx/sociedad/2014/02/19/paises-tlcan-reunidos-20-anos-despues

Ver:

http://www.excelsior.com.mx/nacional/2014/02/20/944753

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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